Depois do congresso-fantasma
Diretoria da UNE não deverá encaminhar nenhuma resolução

9 de julho de 2007

O 50º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), que ocorreu em Brasília no período de 4 a 8 de agosto, foi uma verdadeira farsa montada pela ditadura da UJS que há 20 anos controla a entidade e promove a total paralisia do movimento estudantil.
As propostas foram divididas em dois blocos sendo um deles para tratar das questões “consensuais” e outro para tratar das propostas “polêmicas”. Com relação às propostas “consensuais” foram tiradas várias resoluções, entretanto nenhuma delas será de fato ser encaminhada. Entre as resoluções “consensuais” ficou aprovado: “construir a Jornada Nacional de Lutas, programada para o mês de agosto. O objetivo é realizar atos, passeatas e protestos em conjunto com outros movimentos sociais para comemorar os 70 anos da UNE (que serão completados no dia 11/8) e exigir um Programa Nacional de Assistência Estudantil” (UNE, 8/7/2007). ”A autonomia e independência da UNE frente ao governo Lula, a defesa de greves de estudantes e ocupações de reitorias como forma de protesto e a ampla liberdade de organização estudantil” (Idem). “Pedido de demissão imediata do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reivindicando mudanças na política econômica, com o fim do aperto fiscal e juros altos” (Idem).
É obvio que nenhuma das propostas encaminhadas para a nova diretoria da UNE será realizada graças à paralisia que se encontra a entidade devido a ditadura implantada pela UJS. A UNE se distancia cada vez mais das lutas dos estudantes, o último exemplo dessa política de boicote ao movimento estudantil que o PCdoB vem tomando frente aos movimentos mais combativos é o caso, por exemplo, da ocupação da reitoria da USP onde o DCE que, é comandado pelo PT, PCdoB e PMDB, não só se mostrou contra a ocupação como fez questão de publicar uma nota se colocando ao lado da reitora e contra o movimento.
Entretanto, foram nas propostas consideradas como pontos de polêmica que a política de acordo com o governo e com o Congresso Nacional se intensificou. De um lado, a UJS defendendo a demissão imediata do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o que na verdade significa dar todo o apoio e cobertura para o governo Lula. E por outro lado, a política do PSol de semear ilusões de que o Congresso Nacional pode ser recuperado com a retirada do presidente do Senado acusado de corrupção, Renan Calheiros, o que, na verdade, constitui uma política de cobertura para a crise do governo e defesa do regime burguês, desviando a crise do Congresso e do governo e tanto é assim que, no Senado, PSol, PSDB e o DEM (ex-PFL) saíram juntos em defesa da mesma palavra-de-ordem: “Fora Renan Calheiros”..
A UJS também defendeu a privatização do ensino público ao se colocar como defensora intransigente da Reforma Universitária, que significa colocar a universidade cada vez mais a serviço dos empresários que sugam o dinheiro do ensino público.
Com relação ao tema de movimento estudantil, a proposta de “defesa de greves de estudantes e ocupações de reitorias como forma de protesto e a ampla liberdade de organização estudantil” foi defendida pelo PSol e aprovada por consenso por todos aqueles que se colocaram contra a ocupação da USP e que estão também na diretoria do DCE (PT, PCdoB e PMDB).
Diante disso fica muito claro que nenhuma das propostas aprovadas por esse congresso-fantasma representa de alguma forma a luta dos estudantes. São, na melhor das hipóteses, pura demagogia de setores que não têm nenhuma relação com o movimento real dos estudantes, que adquiriu características revolucionárias e deixou para trás as direções burocráticas, com por exemplo, o próprio DCE da USP.