50º Congresso da UNE
Direção da UNE se opõe ao encaminhamento de moção contra as punições aos estudantes

9 de julho
de 2007

Seguindo a mesma política levada pelo DCE da USP, quando aprovou o acordo contra a ocupação e os estudantes, a direção da UNE negou-se a encaminhar a moção contra a punição dos estudantes ameaçados pela reitoria, alegando meros argumentos burocráticos

Os estudantes das três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) protagonizaram no último semestre grandes mobilizações, tendo como centro a ocupação da reitoria da USP que durou 51 dias e desencadeou a greve geral das três universidades e ocupações de reitorias e diretorias por todo o estado, inclusive servindo como modelo para ocupações que explodiram por universidades em todo o país. A ocupação na USP, que durou 51 dias, foi o marco de resistência e o centro das mobilizações estudantis.

Essas mobilizações, que colocaram em cheque o governo Serra (PSDB), foram derrotadas por uma política traidora da burocracia estudantil (PSol, PSTU, LER, PT, PCdoB) que entregou as ocupações com acordos rebaixados que abrem brecha para que as reitorias e o governo puna os estudantes ativistas. A direção majoritária da UNE, que também dirige o DCE da USP (PCdoB/UJS, PT e PMDB) colocou-se desde o começo contrária à ocupação, inclusive abandonando-a oficialmente logo nos primeiros dias através de uma carta, além de terem apoiado o acordo que propicia a abertura de punições por parte da Reitora da USP.

Diante desta ameaça de punições, a AJR iniciou uma grande campanha contra as punições aos estudantes. Só no Conune foram recolhidas milhares de assinaturas de estudantes do Brasil inteiro contra a repressão e as punições ao movimento estudantil. Tentou-se também encaminhar à plenária final do congresso uma moção de repúdio às punições e à repressão para ser aprovada.

No entanto, seguindo a mesma política levada pelo DCE da USP, quando aprovou o acordo contra a ocupação e os estudantes, a direção da UNE negou-se a sequer encaminhar a moção, alegando meros argumentos burocráticos de que a moção deveria ter sido encaminhada antes, na sistematização, que a maioria dos estudantes nem tem acesso.

Este episódio deixa claro o papel da burocracia, representada pela direção da UNE (UJS/PCdoB, PT, PMDB, etc) como uma verdadeira trava à participação e à luta dos estudantes. Evidencia também o total descaso dessa diretoria quando se trata de defender os estudantes contra os ataques das reitorias e dos governos burgueses, sendo coniventes, como foram na USP, à repressão ao movimento estudantil.