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No dia 2 de outubro completaram-se 80 anos da organização católica Opus Dei, uma organização até pouco desconhecida, apresentada geralmente como um tipo de seita católica ou até mesmo uma sociedade secreta. No entanto, a idéia de “seita” só serviu para ocultar o fato de que esta poderosa organização formou dentro da Igreja um lobby político decisivo e se fundiu ao longo dos seus oitenta anos com todos os governos de direita e extrema-direita, apoiando ditaduras militares na América Latina e o im A América Latina é um dos principais redutos da Igreja Católica, que se apóia sobre as estruturas políticas e econômicas atrasadas do continente. Não por acaso houve várias ditaduras militares nas últimas décadas. A Igreja exerce nesta parte do mundo forte influência ideológica entre a classe operária e apoiou todas as ditaduras de direita contra o ascenso revolucionário dos trabalhadores. Uma das principais frentes da direção da Igreja na América Latina foi o combate à crescente influência da Teologia da Libertação, escola fundada pelo teólogo peruano Gustavo Gutiérrez, levado à frente também pelo norte-americano Cornell West e pelo brasileiro Leonardo Boff. A Teologia da Libertação foi bastante influente entre as Comunidades Eclesiais de Base (CEB) a partir da década de 70. Considerado pela cúpula eclesiástica como um ensinamento "marxista" por suas preocupações sociais e pela sua política de esquerda, a Teologia da Libertação nada mais é que uma ideologia liberal, de esquerda burguesa, recoberta com um certo verniz de vocabulário marxista, em voga em todas as cores da esquerda latino-americana durante anos e, até mesmo, na própria burguesia nacionalista e liberal. No entanto, o Vaticano passou a combater essas idéias com vigor, dando a tarefa à Opus Dei. A organização foi bastante contundente também no combate ao movimento pró-aborto. A "Santa Máfia", como pode ser referida esta organização, desenvolveu-se com muita facilidade, como se viu, durante o regime fascista espanhol de Francisco Franco. No continente americano também não teve dificuldade de se desenvolver. Em todos os países obteve estreita relação com os governos e com os negócios da ciranda financeira. Na Nicarágua, durante a presidência de Enrique Bolaños (2002-2007), a Opus Dei manteve uma ligação bem estreita com este governo. Teve no governo o ex-presidente do Conselho Superior Eleitoral, Roberto Rivas, conhecido por todos como um membro da “Obra” e mais conhecido ainda por seu envolvimento com corrupção e desaparecimentos de cheques na instituição para qual trabalhou. Neste mesmo país, o canal de TV estatal também esteve envolvido em corrupção, com denúncias contra membros da Opus Dei.
No Peru, os anos dourados da Opus Dei aconteceram durante o governo contra-revolucionário de Alberto Fujimori, que lhe deu o seu apoio irrestrito. Um dos mais ativos membros da “seita”, o cardeal de Lima, Juan Luis Cipriani, foi o braço católico dos assassinatos e perseguições cometidos pelo sinistro ex-presidente peruano. O próprio cardeal não só admitiu as práticas deste governo como as defendeu: “As mortes, os desaparecimentos e os abusos fazem parte da confrontação vivida pela sociedade peruana durante duas décadas”. Em janeiro de 2001, o próprio escritor peruano conservador Vargas Llosa disse na Universidade Peruana de Ciências Aplicadas que “a Opus Dei é um setor muito minoritário, mas poderoso, totalmente integrado na ditadura e que vai ser um obstáculo para a democratização”. Fujimori é um supranumerário e durante seu governo foi apoiado pelo direitista Partido Renovação Nacional, cujo presidente é o numerário Rafael Rey.
O arcebispo de El Salvador, Fernando Saenz Lacalle, um dos principais numerários da Opus Dei, foi um importante artífice de todas as ditaduras militares e sabe de todos os assassinatos e desaparecimentos de milhares de membros que foram da oposição, incluindo membros da própria Igreja, como a morte do arcebispo Óscar Romero. Escolhido como arcebispo por seu conservadorismo, uma vez nomeado aderiu às denúncias durante a Guerra Civil de El Salvador. Foi assassinado em 24 de março de 1980 por um atirador de elite do exército salvadorenho. Durante a crise financeira do Uruguai em meados de julho de 2002, vários membros da família Peirano (donos do El Observador) foram presos, todos membros da Opus Dei. Esta família está estreitamente ligada ao Banco de Montevidéu, Banco Velox e várias outras instituições financeiras do Paraguai e Brasil. Só no Banco de Montevidéu essa família desviou mais de US$ 390 milhões. Controlam também outros jornais e revistas uruguaias. Na ditadura militar, a Opus Dei esteve ligada à seita de Moon [do sul-coreano Sun Myung Moon, "auto-proclamado terceiro filho de Deus depois de Adão e de Jesus Cristo"], um sustentáculo do general fascista Gregório Alvarez (1981-1985). O governo do ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995) elegeu vários membros da Opus Dei para o seu gabinete. O ex-ministro da Saúde, Carlos Delpiazzo, aprovou neste governo medidas como a suspensão da campanha contra a AIDS. Outro ministro, Mariano Brito, proibiu as fecundações in vitro e o ex-diretor do Banco Central, Ramon Diaz, também foi um membro da Opus Dei.
O presidente de Honduras, o pró-imperialista Rafael Leonardo Callejas (1990-1994), país onde José Maria Escrivá de Balaguer esteve exilado por alguns anos, concedeu o “título de filho predilecto das Honduras” ao fundador da “Obra”. No Haiti, o governo deposto do ex-padre Jean-Bertrand Aristide, que era contra a Opus Dei, foi alvo de várias conspirações contra este governo. Ele mesmo afirma também que forças dos EUA o haviam seqüestrado para tirá-lo do poder. Vive atualmente na África do Sul. A Opus Dei está presente nos principais acontecimentos da história da Argentina. Em junho de 1966, o general Juan Carlos Onganía (1966-1970), membro da Opus Dei, liderou um golpe de Estado após um período de “retiro” religioso numa das escolas da “Obra”. Sob a sua tutela destruiu uma série de conquistas sociais até então em vigor, como a escola laica.
Sempre que os militares estiveram no poder a Opus Dei esteve muito à vontade. Na ditadura do general Jorge Videla (1976-1981), este conferiu muitos favores e elegeu vários membros da Opus Dei para as instituições do regime. Mas nos tempos de “democracia” a organização também foi muito favorecida. No governo de Carlos Menem (1989-1999), vários dos seus ministros eram numerários da Opus Dei. Também durante o governo justicialista de Néstor Kirchner (2003-2008), o ex-ministro da Justiça, Gustavo Béliz, foi um reconhecido ministro da Opus Dei. Ele já havia representado o governo Menem e foi um dos cabeças da “Obra” na Argentina. A Opus Dei está por trás de golpes e tentativas de golpes contra os governos que não lhe convinham e que não convinham ao imperialismo e à burguesia local. Em ação conjunta com Washington e a CIA, a poderosa seita católica esteve por trás da tentativa frustrada de golpe contra o presidente venezuelano Hugo Chávez. O ex-embaixador dos EUA em Caracas até agosto de 2004, Charles Shapiro, e o ex-assessor do presidente norte-americano para assuntos latino-americanos, Otto Reich, são membros destacados da Opus Dei. O frustrado golpe de abril de 2002 fora planejado por membros qualificados da Opus Dei. O empresário Pedro Carmona, que havia se auto proclamado presidente quando Chávez deixou o poder por dois dias, é da Opus Dei e a proclamação política sobre o anúncio do golpe foi redigida por sua organização. O deputado José Rodriguez Iturbe – nomeado ministro das Relações Exteriores durante o Golpe de Estado e membro da Opus Dei - é também um dos principais opositores de Chávez e está por trás de todas as conspirações contra o regime venezuelano, assim como o cardeal Baltazar Porras, também um golpista.
A estatal petrolífera PDVSA foi durante muito tempo controlada por membros ativos da Opus Dei e desempenhou um papel central de sabotagem econômica.
O Chile da Opus Dei
Foi, no entanto, no Chile, o caso mais importante da participação da Opus Dei no regime militar. O Chile constituiu-se como a segunda casa da Opus Dei depois da Espanha, tanto que até hoje conta com grande influência nas instituições bancárias e na indústria do País.
A “Obra” iniciou seus trabalhos no Chile com o golpe militar do general Augusto Pinochet, após a queda do presidente eleito pela frente popular, Salvador Allende, que se suicidou no dia do golpe, em 11 de setembro de 1973. Para dar sucesso ao golpe, grande parte das armas adquiridas pelas Forças Armadas chilenas foi fabricada pela Industrial Engineering Designers Limited, controlada pela Opus Dei. A empresa foi fundada pelo irlandês e numerário Seamus Timoney, que foi professor de engenharia na University College, em Dublin. Pouco antes de morrer, José Maria Escrivá de Balaguer disse que as dezenas de milhares de assassinatos praticados pela ditadura foram “necessárias”, admitindo ele mesmo o que os fiéis cães do golpe negaram até hoje. Sob o regime dos militares, a Opus Dei enviou na década de 60 o sacerdote espanhol José Miguel Ibañez Langlois, principal ideólogo da seita na América Latina. Ele arregimentou dois importantes apoiadores de Pinochet, Jaime Guzman e Alvaro Puga, que logo se tornariam editores do jornal El Mercurio. O padre Ibañez Langlois desempenhou neste jornal a curiosa função de “crítico literário”. Além do próprio Pinochet, outros dois dos principais membros da Junta Militar, o general Jaime Estrada Leigh e o almirante José Merino, foram membros supranumerários ou cooperadores da Opus Dei. Dias após o golpe, Escrivá viajou para Santiago do Chile para celebrar uma ação de graças em honra ao seu mais novo “filho espiritual” Augusto Pinochet. Todo o plano orquestrado pela CIA foi estudado e planejado no detalhe no interior do Instituto de Estudos Gerais, pertencente à Opus Dei. Os fundadores deste instituto foram Álvaro Puga, Herman Cubillos, Pablo Barahona e Jaime Guzmán, todos membros da Opus Dei. Estes três cumpriram papéis decisivos na ditadura de Pinochet. Álvaro Puga foi o porta-voz de Pinochet, Herman Cubillos, ministro dos Negócios Estrangeiros e Pablo Barahona, ministro da Economia e presidente do Banco Central, tendo ainda Jaime Guzman como redator da nova Constituição. Barahona, também membro da Escola de Chicago, de Milton Friedman, foi responsável pela destruição das conquistas trabalhistas e sociais chilenas, levando a população às suas piores condições de vida.
Pinochet morreu sem ser condenado por nenhum de seus crimes. Chegou a ser preso em regime domiciliar em Londres, mas logo em seguida um juiz espanhol, o Vaticano e a Opus Dei usaram de todo seu poder para mover o processo contra seu “filho espiritual” e o levando de volta para o Chile. Vale lembrar que no aniversário de 50 anos de casamento de Pinochet, celebrado em 1993, o papa João Paulo II enviou suas felicitações. No aniversário seguinte, em 1994, chegou a enviar por meio de uma videoconferência novas felicitações ao seu “defensor da fé”. A Opus Dei possui até hoje muita influência entre as Forças Armadas e universidades chilenas.
A “Obra” no Brasil
A Opus Dei não deixou de ter bastante influência no maior e mais importante País da América Latina. Seus trabalhos no Brasil tiveram início a partir de 1957, em Marília, no estado de São Paulo, quando o então bispo D. Hugo Bressane de Araújo insistiu com José Maria Escrivá que fosse instituído um centro da Opus Dei no País. Foi então que alguns membros da “Obra” se dirigiram ao Brasil, o padre Jaime Espinosa Anta, o médico José Luís Alonso Nieto e o advogado Félix Ruiz Alonso, considerados os fundadores da Opus Dei no Brasil.
Nesta mesma cidade foi fundado também um centro feminino, iniciado com os trabalhos da professora Gabriela Malvar Fonseca, da nutricionista Rosário Alonso e da filósofa Maria Clara Constantino. Como previsto, um ano depois a Opus Dei foi erguida em São Paulo, capital, num apartamento improvisado na rua Piauí, mas logo depois, em fevereiro de 1959, abriu um novo centro da Residência Universitária do Pacaembu, na rua Gabriel dos Santos, nº 370. Como em Marília, um centro feminino também foi inaugurado, em maio de 1960, na Residência Universitária Jacamar, na Rua Gabriel Monteiro da Silva, nº 613. Os trabalhos de fundação da Opus Dei seguiam as mesmas estratégias desde a sua criação na Espanha por José Maria Escrivá, fundando centros da Opus Dei em residências universitárias para atrair jovens estudantes de classe média. Outros membros da Opus Dei vindos da Espanha e de Portugal chegaram ao Brasil. O padre Xavier de Ayala Delgado e um grupo de missionários impulsionaram um trabalho de propaganda secreta da “Obra”. Jovens universitários, profissionais liberais, operários (estes arregimentados fundamentalmente para servirem como numerários, ou seja, aqueles que se dedicam integralmente à manutenção de suas sedes e centros), solteiros, casados participavam periodicamente de cursos de formação e doutrinação católica. Participavam de “retiros espirituais” e círculos cristãos. Muitos centros masculinos e femininos foram fundados em São Paulo ao longo da década de 60. Já em 1967, três anos após o golpe militar, a Opus Dei possuía no Brasil vários centros escolares e cursos de teologia, como o Centro de Convívios Sítio da Aroeira, em Santana do Parnaíba, município da Grande São Paulo. No município de Cotia, existiu nesta mesma época a Casa Moinho, que realizava os mesmos tipos de atividades. O primeiro brasileiro da Opus Dei a se ordenar sacerdote foi o Monsenhor Pedro Barreto Celestino, que após um período em Roma recebeu do próprio Escrivá sua ordenação sacerdotal, em 1971. Na verdade, o fundador da Opus Dei passou um tempo no Brasil, entre 22 de maio e 7 de junho de 1974, em São Paulo. Suas missas foram proferidas no Parque Anhembi, onde chegou a reunir cerca de três mil pessoas, e também no auditório Mauá, onde reuniram-se duas mil pessoas. É claro que Escrivá não se apresentava como o fundador da organização que deu suporte ao regime fascista espanhol, aos golpes militares na América Latina e no Brasil e aos assassinatos e esquemas de corrupção na praça financeira em todo o mundo.. Em 28 de maio daquele mesmo ano, José Maria Escrivá foi acompanhado por fiéis e outros membros da Opus Dei durante uma romaria ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Durante quase três décadas, a Opus Dei trabalhou para consolidar seus trabalhos no País. A partir de 1975 já realizavam várias atividades culturais e sociais para agregar mais fieis. A essa altura já haviam inaugurado sedes no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Londrina, Brasília, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Niterói e muitas outras cidades, onde atuaram com trabalhos menores, porém sempre centralizados pela Opus Dei em São Paulo. Até a década de 70, a Opus Dei dividia ainda a simpatia dos católicos de extrema-direita com a Tradição, Família e Propriedade (TFP). Segundo a própria organização, a Opus Dei conta atualmente no Brasil com 1.700 membros, incluindo muitos padres e sacerdotes nas igrejas e dioceses.
Nas entranhas da burocracia
A Opus Dei tem forte presença nas universidades, principalmente na USP (Universidade de São Paulo), nas Faculdades de Direito e Medicina. Vários membros e cooperadores da Opus Dei fazem parte do corpo docente universitário, como o numerário Inácio Poveda Velasco e o diretor Eduardo Marchi. O professor da Faculdade de Medicina, Luiz Eugênio Garcez Leite, é um dos mais ativos ideólogos da seita, divulgando inclusive panfletos contra a educação mista. Existem membros da Opus Dei também na Unicamp (Universidade de Campinas), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e UnB (Universidade de Brasília).
Além das universidades, a Opus Dei possui também grande influência no meio jurídico. Já na década de 50 essa era uma das suas principais instâncias de atuação. Um dos principais membros em São Paulo foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do STF (Superior Tribunal Federal) pelo governo Médici, em 1972, e tio do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, este também membro da Opus Dei. Ocupam também cargos no Tribunal de Justiça de São Paulo. Ao menos 25% a 40% dos juízes de primeira instância no estado são da Opus Dei, assim como entre os promotores paulistas. Muitos processos e acusações contra influentes juízes e promotores envolvidos na criação de milícias em São Paulo e no Rio de Janeiro são arquivados com a articulação dos membros da Opus Dei. Tal é o caso do arquivamento do processo contra Saulo Abreu Filho, ex-secretário de segurança durante o governo Alckmin, acusado de organizar verdadeiros esquadrões da morte contra trabalhadores.
No ramo financeiro, não é difícil identificar as ligações da “Obra” brasileira com a espanhola, de onde surgiu e o seu alinhamento com o chamado modelo neoliberal decretado pelos capitalistas depois do período das ditaduras militares. Com seus membros empregados na cúpula do Banco Santander, esta instituição comprou o Banespa e o Meridional, enquanto que o BBVA (Banco Bilbao Vizcaya Argentária) recebeu os ativos do Banco Excel-Econômico e do PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Seu monopólio atinge também a imprensa. Não só no Brasil, mas em muitos outros países latino americanos, como o El Observador, no Uruguai; o El Mercurio, no Chile; o La Nación, na Argentina e O Estado de S. Paulo, no Brasil. O membro mais importante da Opus Dei na imprensa brasileira é o professor de pós-gradução da Universidade de Navarra, Carlos Alberto di Franco, numerário e comentarista do Estadão e da Rádio Eldorado. Outro importante membro é o também numerário Guilherme Doring Cunha Pereira, herdeiro da Gazeta do Povo, no Paraná.
O principal nome da organização no Brasil é o jurista Ives Gandra da Silva Martins. Assim, como ele, um número expressivo de figuras influentes no interior da burguesia pertecem discretamente à seita católica fascistóide. Nos últimos anos, depois que os planos do imperialismo norte-americano e da Opus Dei fracassaram na Venezuela, a organização investe politicamente em Joaquím Lavín, no Chile, e Geraldo Alckmin, no Brasil. Mas nenhum dos dois conseguiu emplacar na política nacional dos seus respectivos países. Lavín perdeu a eleições presidenciais para Michelle Bachelet e Alckmin perdeu para Lula. Com eles a Opus Dei tenta criar um vínculo mais estreito com os governos da Colômbia e do Peru, onde ainda contam com bastante força política.
Com o carimbo do Vaticano, a Opus Dei, um dos pilares da Igreja Católica e da propagação a ideologia de extrema-direita e do imperialismo, realiza neste momento uma campanha profundamente reacionária contra os direitos básicos das mulheres e contra métodos científicos avançados para a cura de doenças, como o uso das células-tronco e embriões em pesquisas científicas etc. Desta campanha, notoriamente impulsionada pela Igreja Católica e, por meio dela, obviamente pela Opus Dei, participam como expoentes não apenas os tradicionais elementos da direita burguesa, mas também elementos que se apresentam como sendo de esquerda ou de partidos de esquerda, como o deputado petista Luiz Bassuma, a presidenta do Psol, Heloísa Helena e vários outros parlamentares destes dois partidos.
A Igreja quer, às custas do sofrimento da população impor uma ditadura para as mulheres e a população em geral. Com o aval do governo Lula e de todos os outros governos corruptos, a campanha dirigida pela Igreja Católica contra o direito ao aborto e pela sua transformação em crime iniciou a perseguição de cerca de 10 mil mulheres que estão sendo investigadas, três mil das quais já condenadas, pelo “crime de aborto” no Mato Grosso do Sul.
A campanha em questão, apresentada como “em defesa da vida” é uma clara tentativa repressiva para intimidar e colocar em estado de sítio metade da população, com a repressão policial, abençoada pela moralidade hipócrita da Igreja e dos fascistas da Opus Dei cujo respeito à vida se pôde ver na Espanha, no Chile e em tantos outros lugares. A campanha não se limita ao aborto, mas abrange os anticoncepcionais, o sexo fora do casamento, o divórcio e vários outros direitos das mulheres que busca atacar e para o qual o aborto nada mais é que a porta de entrada, uma vez que serve para uma exploração cínica e criminosa com os sentimentos das mães etc. O caso mostra com clareza que a campanha realizada no Congresso Nacional, parte do lobby reacionário da Igreja Católica e de setores do imperialismo mundial contra a legalização do aborto no Brasil é, antes de tudo, uma campanha pelo aumento da repressão. Os trabalhadores da cidade e do campo, o movimento popular e operário em todo o País, bem como a juventude, as mulheres e os negros devem prestar a máxima atenção aos desenvolvimentos desta campanha pelo aumento da repressão no país conduzida pelo imperialismo mundial, pelos grandes capitalistas nacionais, pela direita e pela Igreja.
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