
|
O Exército israelense acaba de arquivar as investigações sobre o massacre realizado na Faixa de Gaza. A própria investigação foi uma manobra para dar tempo aos oficiais militares publicarem uma nota de desconsideração de todas as denúncias feitas pelos próprios soldados
Após vários soldados relatarem as barbaridades que cometeram durante a recente ofensiva em Gaza e confessarem que foram instruídos a "esquecer a moral", atirando indiscriminadamente contra as famílias palestinas e inclusive contra as equipes médicas, a Promotoria do Exército determinou o arquivamento de todas as acusações de graves infrações cometidas pelos soldados.
Segundo o general Avichai Mendelblit, chefe da Promotoria do Exército israelense, a investigação foi arquivada porque as acusações foram "baseadas em ouvir falar e não na experiência obtida em primeira mão". Em uma nota explicativa sobre o fim do inquérito, o general não escondeu, entretanto, o desgaste da imagem das tropas em Israel e do mundo. "Será difícil avaliar o estrago feito à imagem e ao moral dos militares em Israel e no mundo" (Haaretz, 31/3/2009). As ações de Israel durante o massacre em Gaza realizado entre dezembro e janeiro passados não deixaram a dever às dos nazistas. Em apenas 22 dias, 1.400 pessoas foram mortas, sendo metade crianças, mulheres e idosos. Estas não poderão mais contar sobre todas as atrocidades cometidas pelas tropas. Não estão vivas para denunciar os estupros, torturas, execuções sumárias e humilhações contra o povo palestino, encarcerados em sua própria terra. As denúncias vieram à tona no dia 19 de março, quando vários jornais israelenses publicaram os relatos de soldados que participaram de um debate realizado em uma academia militar. Os soldados disseram que foram instruídos por seus oficiais a entrar nas casas e disparar contra quem quer que estivesse lá dentro. Contaram sobre as mensagens que deixavam nas paredes das milhares de residências que foram ocupadas, tais como “morte aos árabes” ou sobre a demência de outros soldados que defecavam nas máquinas de lavar e depois jogavam o excremento dentro da geladeira. A aviação israelense também fez o uso de fósforo branco contra a população de Gaza. Segundo o informe "Chuva de fogo: o uso ilegal de fósforo branco em Gaza por parte de Israel", divulgado pela organização Human Rights Watch, "o Exército israelense disparou reiteradamente munições com fósforo branco sobre zonas povoadas, matando e ferindo civis e danificando infra-estruturas civis, incluindo uma escola, um mercado, um depósito de armazenamento de ajuda humanitária e um hospital" (EFE, 26/3/2009). Os soldados denunciaram também a campanha promovida pelos rabinos do Exército para transformar a operação em uma “guerra santa”. "A mensagem deles era bem clara: nós somos judeus, nós viemos para esta terra por um milagre, Deus nos trouxe de volta a esta terra, e agora nós precisamos lutar para expulsar os pagãos que estão interferindo na conquista da terra santa”, disse um militar, citado pelo jornal Haaretz. O diário informou também que um palestino encontrou entre os escombros de Gaza um bilhete escrito a mão e em hebraico que incitava os soldados a atacarem equipes de resgate. “Normas de procedimento: Disparar também contra as equipes de resgate”. A nota oficial emitida pela Promotoria militar tentou rebater alguns relatos. Os formandos que denunciaram todos este fatos, no dia 13 de fevereiro, foram proibidos da dar entrevistas. Um dos relatos denuncia o assassinato de uma senhora e de uma mãe com seus dois filhos. A nota desconsidera a denúncia, pois o soldado que contou este episódio não foi uma testemunha ocular, mas "só repetiu um rumor que ouvira". Sobre um outro caso em que uma família foi assassinada após ser obrigada a marchar e, não entendendo o hebraico, foi para o outro lado, sendo mortos a mãe e seus dois filhos, a nota explica que "após checagem, foi apurado que, durante aquele incidente, uma patrulha abriu fogo numa direção contrária, contra dois homens suspeitos que não tinham relação com os civis em questão". Não há qualquer menção, no entanto, sobre as denúncias de vandalismo - destruição de móveis e eletrodomésticos - e nem sobre a campanha religiosa dos rabinos de "deixar a moral de lado" para matar os palestinos". Grupos israelenses de defesa dos direitos humanos responderam ao arquivamento das investigações afirmando que "o veloz encerramento da investigação imediatamente levanta a suspeita de que era uma mera tentativa do Exército de limpar suas mãos de toda a culpa por atividades ilegais". O Exército israelense incentiva e apóia todo tipo de atrocidades cometidas contra árabes e palestinos. O governo sionista foi criado sobre os ossos de dezenas de milhares de palestinos que foram mortos lutando pelo seu direito à vida.
|