Cartões corporativos
O destino dos cortes em gastos do povo

Orgia dos cartões em Brasília é o maior escândalo de Lula depois do “mensalão”

8 de fevereiro de 2008

O escândalo com os gastos pessoais dos altos cargos do governo Lula, envolvendo desde o presidente da República e os ministérios até os seguranças de cada parlamentar envolvido, é um dos maiores escândalos de corrupção da história do País, envolvendo milhares de pessoas ligadas à presidência e aos ministérios.

Os cartões usados supostamente para gastos emergenciais eram entregues pelo Palácio do Planalto para funcionários do governo em qualquer órgão governamental, desde agências reguladoras, até órgãos de pesquisa. 

Depois da publicação no site Portal da Transparência, do próprio governo, da Controladoria Geral da União, dos gastos com cartão e dos detalhes dos gastos pessoais dos usuários, o escândalo abalou o governo.

No total foram gastos R$ 75,6 milhões em 2007, mais que o dobro que em 2006, de R$ 33 milhões, 70% deste gasto foi saque em dinheiro, para que fosse evitada a divulgação de em quê os gastos haviam sido feitos.

O escândalo fez com que viessem à tona gastos além dos divulgados no site. Os gastos em sua maioria não são de emergência, mas de artigos de luxo (perfumes importados, gastos em lojas de free shop, restaurantes, etc)

O maior escândalo sem dúvida é o próprio gasto da presidência da República.

Somente no gabinete da presidência foram gastos R$ 3,6 milhões e sete dos dez funcionários usuários dos cartões corporativos da Presidência figuram entre os maiores gastos de todos os registrados pelos usuários do cartão.

Todo o gasto do gabinete da República de dez pessoas equivalente a 58,6% do que 154 servidores do gabinete com cartões gastaram. Além disso equivale a quase 5% de todos os gastos realizados. 

Entre eles, João Domingos da Silva Neto foi o que mais gastou entre todos os usuários; chegando a R$ 585,9 mil em 2007.

Também do gabinete da presidência da República, Clever Pereira Filho, gastou R$ 570 mil com o cartão e em seguida o maior gastador foi José Carlos Ferreira, com despesas de R$ 531,9 mil no cartão em um ano.

Estes gastos não foram divulgados no site Portal da Transparência pois estavam restritos a um grupo de 82 assessores da Presidência cujos nomes estão citados no Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira).

Entre outros números astronômicos estão os gastos das agências reguladoras do governo, que gastaram R$ 1 milhão em despesas. 

Para se ter uma idéia dos gastos, somente um escritório da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), no Amazonas teve retirado por um único funcionário R$ 25 mil em 2007. Por um escritório do Inmetro em Goiás foram feitos saques de R$ 257 mil em 2007.

Um segurança da filha de Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, teria gasto R$ 55 mil nos últimos nove meses com o cartão e dois seguranças de Lula em São Bernardo do Campo teriam gasto R$ 149,2 mil com os cartões nos últimos três anos. 

Uma verdadeira festa com o dinheiro público, ou seja, o dinheiro pago pelos milhões trabalhadores brasileiros em fortunas de impostos todos os dias.
 
A resposta do governo: censura à divulgação de gastos
 
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Lula, general Jorge Félix, anunciou que os dados sobre todos os gastos dos cartões do gabinete da Presidência deixarão de ser exibidos no "Portal da Transparência", bem como de vários ministérios.

Jorge Félix explicou o fato dizendo que os gastos com a presidência divulgados publicamente, poderiam afetar a segurança de Lula.

"Temos ali informações que podem levar os grupos que têm desejo de realizar alguma ação hostil a saber exatamente a quantidade de pessoas que trabalham na segurança. Estamos reavaliando. Algumas delas não estarão mais no portal" (revista Veja, 7/2/2008).

Quanto menor a transparência, maior a segurança” disse Jorge Félix em uma coletiva da imprensa (Globo Online, 7/2/2008). 

O governo prepara ainda uma nova forma de manter os gastos dos ministros, mantendo o mesmo mecanismo de gastos só que de forma impessoal.

Uma prova disto é que foi publicado na quarta-feira (6), no Diário Oficial da União (DOU), decreto que limita os saques a 30% do valor destinado a essas despesas emergenciais deixando de fora a Presidência e a vice Presidência da República, ministérios e a Policia Federal.

A medida serve simplesmente como fachada para continuar os maiores gastos, de onde vem o maior bolo do parasitismo.

Além disto, Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, informou que o Ministério do Planejamento irá organizar uma nova maneira de realizar gastos com viagens. Os gastos agora seriam ordenados por terceiros.

“Não estamos tirando os cartões porque achamos que os ministros são mal gastadores, mas porque achamos que este princípio impede que alguém compre para si mesmo”, afirmou a ministra (Último Segundo, 7/2/2008).

A crise fez com que vários ministros anunciassem que são contra a continuação do uso destes tipos de cartões e com que a ministra da Casa Civil divulgasse as intenções de restringir informações do site Transparência Brasil sobre gastos dos parlamentares com seguranças e em residências oficiais.

Nesta quarta-feira, a ministra Dilma Roussef havia defendido que se continuassem os cartões corporativos 

“Somos inteiramente a favor do uso dos cartões de pagamento porque é mais transparente e mais fácil a rastreabilidade” (Agência Brasil, 6/2/2008).

O que o governo pretende é censurar os gastos dos mais altos cargos para que continuem sendo feitos os gastos astronômicos por todos os parasitas que rodeiam a presidência da República. 

Esta decisão mostra o teor da política antipovo deste governo, capaz de esconder os próprios gastos em meio a uma crise institucional que deve se aprofundar cada vez mais.

Esta é uma crise com as proporções da crise do “mensalão”, envolvendo uma infinidade de aliados de Lula e em um momento em que o governo pretende realizar o corte de gastos com a população e aumentar impostos para compensar o fim da CPMF. 

Este governo mostra seu caráter abertamente burguês e corrupto e a divulgação de tão amplo esquema de favorecimentos pessoais e parasitismo das contas públicas é um resultado de uma degradação sem precedentes do regime político e que deverá, assim como o caso do “mensalão”, acelerar ainda mais a crise e desmoralizar ainda mais as instituições do Estado burguês.

Esta é uma crise do regime pois fica claro que tamanha política antipovo de ataques e de sustentação de esquemas corruptos de tal envergadura só pode ser sustentada com uma injeção astronômica de dinheiro público no bolso daqueles que sobrevivem da exploração do povo. 

Fica também demonstrado para a classe trabalhadora o nível de cinismo que o regime dos patrões pode assumir para financiar a crise, já que são votados no Congresso Nacional projetos para cortar gastos da população como o congelamento dos salários dos funcionários públicos enquanto no governo se faz uma verdadeira festa com o dinheiro público.



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