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A favor da repressão contra as mulheres, a musa da Frente de Esquerda, confirma a falsificação política que é o Psol e seu suposto socialismo com liberdade A exemplo do que fez na comissão de Seguridade Social e Família, abrindo mão de suas vagas na comissão o Psol permite que elas sejam ocupadas na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) pelo DEM-RJ, com o deputado Índio da Costa, e o PR-MG, com o deputado Jaime Martins.
A CCJ é responsável pela discussão e votação de todas as proposições legislativas que versão sobre questões constitucionais e infraconstitucionais que estão em pauta na Câmara dos Deputados. Sendo por isso a mais badalada comissão do congresso, com deputados como Paulo Maluf, João Paulo Cunha, José Genoíno, Ciro Gomes etc.
Como se não bastasse deixar suas vagas para a já tradicional direita, ex-PFL e PR (Prona e PL unidos), o que é estanho para um partido que valoriza tanto o papel parlamento e do legislativo brasileiro, a ex-senadora e presidente do Psol, Heloísa Helena repetiu nesta comissão o que já tinha feito na primeira e faz em todas as ocasiões que tiver: sentar-se ao lado do que há de mais atrasado politicamente, reacionário do ponto de vista da conquista de direitos democráticos, e contrários a libertação e emancipação das mulheres: contra a descriminalização do aborto.
De volta ao ambiente onde os membros do Psol se sentem mais a vontade, Heloísa Helena participou de audiência pública na CCJ, no dia 3 de julho, e começou sua fala afirmando que apesar de ter sido eleita como presidente do Psol no mesmo congresso que aprovou como linha do partido a defesa da descriminalização do aborto, não estaria naquele momento representando o Psol (é difícil de entender mesmo, principalmente porque na convocação e divulgação da audiência o nome dela constava exatamente como presidenta do referido partido!).
Para aumentar a confusão, afirmou que falaria como professora de Saúde Pública na universidade em seu estado, Alagoas, e como “trotskista cristã que sou, defendo a dignidade humana, portanto sou contra a descriminalização do aborto”.
Na verdade, Heloísa Helena não falou como nenhuma dessas coisas, mesmo porque como “trotskista cristã”, qualquer leigo no marxismo teria certeza de que seria impossível falar, pois são totalmente incompatíveis.
Falou como pastora. Pastora de uma seita que se reivindica de esquerda, para enganar a população e realizar uma completa falsificação política.
Para justificar sua postura completamente contrária a qualquer defesa minimamente democrática, nem vamos falar em revolucionária, a musa da Frente de Esquerda afirma que “a questão do aborto não é suficiente para definir alguém como reacionário ou conservador”.
Ao mesmo tempo em que afirmou categoricamente respeitar “o debate da autonomia da mulher sobre seu corpo, mas não autonomia sobre o corpo do outro, que por uma circunstancia biológica se encontra no corpo dela”o mercado de aborto está ansioso querendo a legalização do aborto. Tem muita gente capitalista reacionária que quer legalizar o aborto porque o SUS não vai fazer e vão ganhar muito com isso.”
São muitas as pérolas da musa eleitoral da frente de esquerda. Tanto que nenhum deputado de seu partido e muito menos os que “defendem a descriminalização do aborto no Psol” teve coragem de aparecer no debate.
Usando os mesmos dados apresentados pelo pastor na audiência do dia anterior, tentativa comum dos contrários a descriminalização do aborto, a ex-senadora utilizou dados que diminuem a estatística em relação ao número de mulheres que morrem em decorrência de aborto no Brasil.
Apesar de contar com a presença de pastores, membro da CNBB e juristas, a participação mais grotesca, como não poderia deixar de ser, ficou reservada à musa da Frente de Esquerda, Heloísa Helena.
Na falta de argumentos racionais, sem o peso da moral religiosa, teve optar pelo recurso mais apelativo para os que são favoráveis à repressão contra as mulheres: apresentação de imagens de fetos, com direito a muito sangue e emoção, como esse grupo gosta de conduzir a discussão.
Nesse momento, como em outros durante a sua fala, Heloísa Helena foi aplaudida com fervor pela TFP (Tradição, Família e Propriedade) e rechaçada pelo movimento de mulheres, que ao ver tamanha apelação se manifestou e conseguiu impedir que o sangue tomasse conta da sala da comissão e fazendo com que o deputado Eduardo Cunha encerrasse o debate.
A postura e argumentação da “trotskista cristã”, cumprimentada e aplaudida pelo que há mais conservador e reacionário no cenário político nacional, demonstra a política não apenas eleitoreira e oportunista, mas verdadeiramente de direita do Psol e da frente de esquerda.
Ao se ver diante de um assunto onde está sendo debatido a autonomia das mulheres, setor historicamente explorado e oprimido pela sociedade, escravizado pela igreja, a principal expoente desse grupo se alinha ao obscurantismo, à manutenção da repressão e da condição da mulher como verdadeiro ser humano se segunda categoria.
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