PCCS
Empresa quer aprovar novo PCCS entre quatro paredes... porque retira direitos dos trabalhadores


16 de novembro de 2004

No dia 18 de outubro, a ECT apresentou o Anteprojeto do Sistema de Carreiras e Remuneração (SCR), que foi elaborado em conjunto com a Consultoria da Fundação Getúlio Vargas para substituir o Plano de Carreiras Cargos e Salários (PCCS) tradicional. São 79 páginas dedicadas a mostrar às entidades sindicais e aos trabalhadores o quanto são boas as mudanças propostas pelo novo plano de carreira.
Mas a verdade é que este novo SCR tem por objetivo fundamental transformar o PCCS em um conjunto de medidas que forcem os ecetistas a trabalharem cada vez mais sem ônus para a empresa, a partir de três eixos principais: 1) multiplicar as funções, 2) estimular a competição entre os trabalhadores e 3) vincular o plano de carreira à produção individual do trabalhador.

“Faz-tudo”

A direção da empresa é tão cara-de-pau que nem tenta esconder os seus propósitos de tirar cada vez mais dos trabalhadores. Na página 9 do Anteprojeto de SCR, a empresa diz que uma das orientações técnicas a serem adotadas pelo novo sistema é de “cargos delineados segundo o enfoque do cargo amplo, ensejando à Empresa maior flexibilidade no gerenciamento da mobilidade de seus empregados (...)”, o que significa, na realidade, que a ECT quer dispor de seus trabalhadores conforme necessitar, ampliando e multiplicando as tarefas dos trabalhadores, transformando os ecetistas em verdadeiros “faz-tudo”.
Até no nome dos cargos pode ser verificada esta intenção da empresa: os cargos de carteiro, operador de triagem e de atendente comercial vão se transformar em um cargo genérico de “operador de correios”. O total de cargos existentes na empresa, que são 47 atualmente, vai cair para 8, 6 ou 5, conforme as três propostas de plano de carreira apresentadas no Anteprojeto de SCR.

Referências Salariais

As referências salariais vão manter-se no mesmo valor, ou seja, no que interessa muito aos trabalhadores, o salário, eles não querem mexer. Já que não podem abaixar, também não vão aumentar.
O Anteprojeto de SCR não propõe mudança alguma na tabela salarial para os cargos de nível médio, ou seja, não vai haver aumento nenhum nos valores de salário correspondente às Referências Salariais (RS, ou “step”).
A única proposta de mudança no que se refere à tabela salarial é a extensão da tabela até a RS-73 (que vai corresponder ao salário de R$10.178,10) índice só alcançado por quem tem altos cargos na empresa. A ECT só quer favorecer os chefes e diretores, fazendo com que eles ganhem ainda mais, enquanto o peão fica na mesma.

Sem consideração

Desta forma, o plano de carreira que deveria ser um sistema para desenvolver o trabalhador, contemplando o ecetista com melhorias conforme passam os anos em que ele trabalha na empresa, se transforma em uma maneira da ECT tirar cada vez mais o sangue dos trabalhadores.
Isso prova, mais uma vez, que a direção da ECT não tem a menor consideração pelos ecetistas que carregam a empresa nas costas, trabalhando toda sua vida para garantir o “nome” dos Correios como empresa que presta bons serviços para a sociedade e recebendo em troca salários miseráveis totalmente incompatíveis com a realidade do que a empresa teria a oferecer e todo tipo de medidas para fazê-lo trabalhar cada vez mais, como é o caso do anteprojeto de SCR apresentado em substituição ao atual PCCS.