Campanha contra as retaliações
Maioria mensalão na Fentect toma partido da direção da ECT



12 de dezembro de 2005

A maioria da direção da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios, Fentect, composta pelo bloco PT-PCdoB, desafia o movimento nacional da categoria cancelando a plenária nacional convocada para combater a política da direção da empresa de punir os grevistas após a greve nacional

Realizou-se nos dias 1 e 2 de dezembro a reunião da diretoria colegiada da Fentect, Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios, cujo objetivo foi defender a direção da ECT da campanha impulsionada pela Oposição Ecetistas em Luta contra as punições e demissões. Desde o final da campanha salarial foram punidas mais de 350 pessoas em todo o país.
A direção da ECT quer se vingar dos grevistas tirando as funções gratificadas que garantem aos trabalhadores um salário um pouco maior. Estão submetendo os trabalhadores a processos administrativos na Ginsp (Gerência de Inspeção – polícia interna dos Correios), ameaçando extinguir turnos inteiros com a demissão dos trabalhadores, impedindo os grevistas de continuarem recebendo o adicional de 15% pelo trabalho aos sábados, proibindo o acesso dos sindicatos às unidades de trabalho, além da transferência sumária de todos os grevistas com restrições médicas para o turno da manhã, visando simplesmente prejudicar estes ecetistas com o corte do pagamento do adicional noturno.
A empresa vem descumprindo descaradamente o acordo coletivo, punindo os trabalhadores e os ativistas numa tentativa de desmoralizar o movimento e os sindicatos filiados à Federação.

Campanha contra as retaliações

No dia 16 de novembro houve uma Reunião Ampliada da Diretoria da Fentect com os sindicatos filiados (estiveram presentes representantes de 14 sindicatos - MG, ES, PR, SE, RO/AC, MA, PE, AM, PI, GO/TO, MS, DF, STS, SP), tendo a ausência apenas dos diretores que estavam viajando para o Canadá, em uma farra com o dinheiro da entidade, sem autorização da diretoria colegiada. No tour pela América do Norte foram beneficiados a Secretária de Finanças, Ana Zélia e o Secretário Geral, Ivan Pinheiro, além dos petistas Sandra Martins e Rogério Ubine.
Nesta reunião nacional foi decidido, por unanimidade dos presentes, a realização de nova Plenária Nacional nos dias 10 e 11 de dezembro de 2005, a fim de cumprir o estatuto, que previa a realização desta plenária, além da continuidade da luta contra a política de perseguição da ECT através de uma campanha nacional contra as retaliações e pela aprovação do estado de greve.

Defendendo a direção da ECT

No entanto, os diretores do bloco PT-PCdoB que estavam no Canadá voltaram e com o apoio da ex-diretora do Sintect-GO, esposa de um alto funcionário da direção da ECT, Sandra Martins, conseguiram maioria na direção da Fentect, tentando impor o cancelamento da plenária, um descumprimento do estatuto e uma política para impedir a mobilização nacional contra as retaliações da Empresa.
A reunião do colegiado da Fentect foi convocada com o objetivo de homologar o cancelamento da plenária, uma política claramente ditada pelos interesses da direção da ECT, uma política de divisão do movimento nacional, de desmoralização da Fentect como instrumento de luta dos trabalhadores.
Na reunião da diretoria colegiada as principais discussões se deram em torno do funcionamento da entidade com a denúncia da política do bloco PT-PCdoB de tomar decisões à revelia das decisões da direção da Fentect.

Financiando o traidor da campanha salarial de 2003

Chegou-se inclusive a votar a devolução de R$ 5 mil pagos ao traidor da campanha salarial de 2003 pela secretária de finanças contra expressa decisão da direção da Fentect.
Na mesma reunião em que se aprovou uma auditoria nas contas da Federação em função da evidente malversação das finanças pelo bloco PT-PCdoB, o sindicalismo mensalão propôs punir o diretor Edson Dorta, membro da Oposição Ecetistas em Luta, cancelando a sua liberação do trabalho para realização de atividade sindical, colocando explicitamente que não concordavam com a defesa das propostas do PCO feitas pelo companheiro na base da categoria.
Trata-se de uma política abertamente patronal dentro da Fentect. No mesmo momento em que vão em socorro da direção da empresa, cancelando o plano de mobilização contra a punição dos grevistas, são os primeiros a punir os próprios dirigentes sindicais da entidade, com corte de direitos sindicais que sequer a empresa teve coragem de colocar em prática.

Perseguindo a Oposição Ecetistas em Luta

O cinismo com que declaram perseguir politicamente os membros da Oposição Ecetistas em Luta mostra que se trata de uma política claramente patronal, nos moldes da burocracia sindical vinculado à Força Sindical e que, agora, se mostra mais claramente no bloco PT-PCdoB com a subida do governo Lula.
Querem tomar as decisões em nome do movimento nacional de forma burocrática, contando com o apoio da direção da ECT e do governo.
O bloco PT-PCdoB quer impôr na Fentect e nos sindicatos em nível nacional o modelo do que estão fazendo no sindicato de São Paulo.
No último dia 28 mais de cem capangas lotaram o auditório do Sintect-SP para fazer o teatro de que aquilo era uma assembléia para discutir a expulsão dos diretores Trabuco, Elvis e Mairiporã, além de adiar, novamente, a assembléia de prestação de contas que deveria acontecer no dia 30 de novembro.
Pessoas pagas e armadas, policiais usando camisas de carteiro, foram trazidas pelo PCdoB de São Paulo e do Rio de Janeiro para expulsar sumariamente, sem qualquer direito de defesa, diretores do sindicato aos quais estivam aliados até pouco dias atrás.

Sindicato do Crime

Transformaram o Sintect-SP no sindicato do crime, onde a verdadeira briga de quadrilhas trouxe à tona, pela boca dos próprios autores, a comprovação pública, diante de toda a categoria do roubo do dinheiro da entidade, fazendo assembléias de bate-paus para conseguir tomar conta da tesouraria e da secretaria geral do sindicato. Não por acaso todos os expulsos pela ditadura do PCdoB são ocupantes destas pastas no sindicato.
A própria advogada que conseguiu, na base da corrupção, registrar atas ilegais dando poderes aos diretores do PCdoB é conhecida por sua ligação com a Força Sindical, a mesma usada pelos diretores expulsos para fraudar as últimas eleições da entidade.
A Oposição Ecetistas em Luta, composta por filiados e apoiadores do PCO, vem denunciando o que está acontecendo no sindicato de São Paulo e na Fentect e organizando um bloco com os sindicalistas de luta e oposições que representam o interesse dos trabalhadores para derrotar a tentativa de estabelecer a política da Força Sindical no movimento, levada a frente pelo PCdoB que, com estes atos em São Paulo e nacionalmente querem liquidar toda e qualquer democracia no movimento sindical dos Correios a mando da direção da ECT e do governo mensalão de Lula.

Abaixo a ditadura

Tal política significa, neste sentido, impor uma verdadeira ditadura nos sindicatos, baseada na força bruta, cujo objetivo é defender caninamente os interesses da direção da ECT, os quais não têm o menor apoio na base da categoria.
Neste momento é visível que tal política é bloquear qualquer iniciativa na Fentect para combater a política de retaliações da empresa. Trata-se de uma política pública de direção da ECT contra os trabalhadores.
Na própria reunião da Fentect não conseguiram aprovar a punição do companheiro Édson Dorta, uma vez que é visível a crise do bloco PT-PCdoB dividido pela enorme corrupção interna e pela desmoralização diante dos trabalhadores.
É preciso impulsionar de forma mais decidida a organização de um amplo movimento na base e com os sindicatos em nível nacional para varrer o sindicalismo mensalão, vendido ao governo antipovo, e para defender os interesses e as necessidades dos trabalhadores.