Não às retaliações!
17 de dezembro de 2005
Neste ano os trabalhadores dos Correios realizaram a maior greve da categoria da última década, que envolveu todo o país, durante quase dez dias no mês de setembro.
Depois do fim da greve, traída pelos sindicalistas pelegos do PT e PCdoB, que firmaram um acordo com a empresa de um mísero reajuste de 7% para os trabalhadores, a empresa iniciou uma onda de retaliações para se vingar dos grevistas.
Diversos operadores de empilhadeiras, motoqueiros e motoristas perderam suas funções. Em vários estados a ECT colocou sua polícia interna – a Ginsp – em funcionamento, chamando os trabalhadores a prestar depoimento sobre sua atuação na greve, atuando como um verdadeiro órgão repressivo, funcionamento digno de uma ditadura militar. Além disso, os chefes assediam moralmente os companheiros ecetistas, diminuem o GCR, retiram os 15% dos trabalhos aos sábados e inclusive promovem processos ilegais contra os trabalhadores.
Já são quase 500 trabalhadores punidos, de que temos informação, dentre os quais diversos inclusive demitidos.
Em algumas ocasiões a empresa chegou a afirmar que a punição foi em razão da greve durante a campanha salarial, o que, além de um cinismo é um descumprimento do próprio acordo coletivo assinada por ela.
A Oposição Nacional Ecetistas em Luta já manifestou seu repúdio às punições promovidas pela ECT e está organizando uma grande campanha nacional contra as retaliações, chamando a formação de um comando de mobilização por setor de trabalho contra as punições e a aprovação do estado de greve.
A diretoria mensalão da Fentect (PCdoB-PT), que controla também os dois principais sindicatos da Federação, a saber, São Paulo e Rio de Janeiro, não reconhece as punições sofridas pelos trabalhadores. Dizem não haver retaliação, quando a própria empresa o admite, pois foram comprados pela direção da ECT e conseguiram os seus tão sonhados cargos de chefia, abandonando os trabalhadores à própria sorte.
Foi deliberado para este mês de dezembro uma plenária nacional da Fentect que discutiria as retaliações e organizaria uma campanha nacional contra elas. Os sindicalistas-mensalão do PT-PCdoB queriam decidir pelo cancelamento da plenária e, exceto a corrente Ecetistas em Luta, nenhuma das correntes que se dizem de oposição se colocou contra. Não há por parte dessas correntes um interesse pelos problemas mais sentidos da categoria. Num momento tão delicado para a categoria, quando a tarefa central é unir os trabalhadores contra a ação criminosa da empresa, o PSTU, por exemplo, chama seus sindicatos a saírem da Fentect, uma clara política divisionista que em nada contribui para a luta dos trabalhadores ecetistas.
O movimento sindical deve ser organizado a partir das necessidades dos trabalhadores e não com colocações artificiais que pouco ou nada dize respeito aos interesses dos trabalhadores e na prática são um abandono da sua luta.
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