PSOL nos Correios
Imitando o PT: usar os sindicatos contras as lutas da categoria em prol de conhecidos carreiristas


19 de dezembro de 2005


A maioria da diretoria do sindicato dos trabalhadores do Correio da Paraíba é filiada ao recém-criado PSOL, depois das suas principais lideranças terem defendido durante anos as posições do PSTU no estado. É o único sindicato em todo o movimento nacional a aderir às posições deste partido, às quais não se diferenciam, no fundamental, das posições adotadas pela direção da majoritária da Fentect – Federação Nacional dos Trabalhadores do Correio, composta pelo PT-PCdoB. Mantém, como no período em que pertenciam ao PSTU, uma estreita política de colaboração com os setores pelegos da Federação Nacional garantindo a maioria necessária para o bloco mensalão PT-PCdoB, em situações decisivas, como na recente campanha contra as demissões e punições aos grevistas em função da greve realizada pela categoria.

PSOL contra a campanha contra as punições

A direção da ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – puniu mais de 350 trabalhadores que participaram da greve realizada na campanha salarial de setembro. Trabalhadores foram demitidos, transferidos de seus setores, tiveram benefícios trabalhistas cancelados, além dos processos administrativos abertos e das inúmeras ameaças. A situação chegou ao extremo da arbitrariedade com a convocação de um dos membros do Comando Nacional de Negociação da Campanha Salarial, Anaí Caproni, para depor na polícia interna da empresa em processo administrativo. Nesta situação a Corrente de Oposição Ecetistas em Luta, composta de militantes e apoiadores das posições do PCO na categoria do correio, lançou campanha nacional contra as punições, com a reivindicação de reabertura da campanha salarial, uma vez que a empresa descumpriu minuta de acordo coletivo assinado, no qual proibia expressamente as punições, além de não contarem com maioria no comando nacional de negociação para assinatura da versão definitiva do acordo coletivo no ministério do trabalho.

PT-PCdoB-PSOL...mesma política

O bloco mensalão da categoria liderado pelo PCdoB não teve forças para barrar a campanha lançada pela Oposição e esta foi aprovada oficialmente em plenária com mais de 15 sindicatos de todo o país, reunidos em Brasília. Nesta situação o sindicato do correio da Paraíba alinhou-se imediatamente com a direção majoritária da Fentect. Não compareceu à plenária nacional junto com inúmeros sindicatos do PT-PCdoB em nível nacional, na esperança de que a plenária não tivesse o quorum necessário. Não enviou uma única denúncia de punição de grevistas em seu estado, como se vivessem no paraíso, apoiando servilmente a propaganda da direção da ECT e dos mensalões governistas do PT-PCdoB de que não há punições, tratando-se de uma campanha difamatória contra o governo Lula. Em João Pessoa, após a greve, a direção da empresa anunciou o fim de setores de trabalho para transferência da carga para Recife, copiando a política usada em diversos estados para demitir trabalhadores, economizando o que gastaram com o reajuste salarial da campanha salarial. Em reunião do conselho deliberativo do Sintect – PB no dia 12 de novembro, convocado na maior parte dos casos por telefone, sem que a base sequer tivesse notícia de que tal reunião fosse acontecer e, muito menos, que se discutiria o problema das perseguições aos grevistas. A diretoria do sindicato defendeu a política do bloco PT-PCdoB, atacando a Oposição Ecetistas em Luta alegando que a campanha contra as retaliações não era uma campanha geral do movimento do Correio e sim uma propaganda feita pelo PCO.

PSOL: um projeto particular, contra os trabalhadores

Em inúmeras ocasiões o argumento usado pelos sindicalistas filiados ao PSOL na categoria do correio da Paraíba, para dividir o movimento nacional diz respeito à interesses particulares do seu próprio partido. Declaram, como se fosse seu mais legítimo direito, dividir, romper e não apoiar qualquer movimento que não favoreça o PSOL. Em anos anteriores iniciaram a discussão sobre o programa e o funcionamento da Corrente Ecetistas em Luta, rompendo a discussão porque, segundo eles, vão construir uma corrente sindical ligada ao PSOL. Qual o programa desta nova corrente, quais as divergências com a única oposição organizada na categoria publicamente, o que esta nova corrente trará a favor dos trabalhadores que estes sindicalistas representam? Não se deram ao trabalho sequer de improvisar alguns supostas divergências para justificar a recusa em apoiar a Corrente Ecetistas em Luta, reconhecida oposição ao sindicalismo mensalão do PT-PCdoB na categoria, com inúmeros sindicatos filiados e uma organizada imprensa de defesa dos interesses da categoria.
A defesa do PSOL é um projeto totalmente particular destes sindicalistas, que nada têm a ver com a defesa dos interesses da categoria que representam. Trata-se da reprodução da política do PT no movimento sindical e de todos os partidos burgueses na política nacional. Defender um aparelho político que possa trazer benefícios particulares aos seus membros, às custas do interesse coletivo dos trabalhadores e da população em geral.
A experiência do PT-PCdoB no movimento sindical, em particular nos correios, é definitiva para tirar todas as conclusões em relação a esta política. O sindicalismo mensalão do PT-PCdoB, da mesma forma como propõe o PSOL, transformou os sindicatos em fonte de financiamento de campanhas milionárias de verdadeiros carreiristas políticos que nada têm a ver com a luta dos trabalhadores, querem simplesmente usar as entidades para fins particulares e a categoria como cabos eleitorais. Na última greve da categoria, bem como agora na campanha contra as retaliações estes partidos se opuseram claramente a colocar os recursos dos sindicatos e o seu poder de pressão em defesa dos trabalhadores punidos. Pelo contrário, utilizam contra a mobilização, inclusive a suposta falta de recursos dos sindicatos, quando as entidades arrecadam vultuosos somas anualmente, às quais são desviadas para os projetos particulares de carreiristas que esperam usar os trabalhadores como trampolim para negociatas políticas nos congresso nacional.