Não às retaliações
Traiçoeiramente, empresa descumpre o acordo e persegue os trabalhadores
1 de novembro de 2005
A empresa está promovendo uma onda de perseguição aos trabalhadores ecetistas, para desmoralizar a categoria depois da greve.
Enquanto os sindicalistas mensalões são premiados pelos serviços prestados à ECT contra os trabalhadores, os companheiros que sustentaram a greve, nos principais setores em todo o País, estão sendo perseguidos.
A empresa já promoveu uma série de transferências, retirou as funções gratificadas de companheiros motoristas e motoqueiros, além de manter um clima de verdadeiro terror nos setores, com o assédio moral constante sobre os grevistas, ameaçando companheiros de demissão.
A traição da Empresa e do sindicalismo mensalão
A direção da Empresa já havia se acertado com o sindicalismo mensalão infiltrado no nosso movimento nacional para trair a categoria e impor uma desmoralização após a greve.
Os sindicalistas mensalões, na direção majoritária da Fentect, já haviam fechado um acordo com o Ministro do TST propondo eles mesmos a compensação das horas paradas.
Além disso, os sindicalistas do PT-PCdoB-PSTU haviam conseguido um “compromisso” do Ministro Presidente do TST, Vantuil Abdala, que prometeu aos mensalões que não haveria punições nem retaliações aos grevistas. A promessa serviu apenas para encobrir a traição dos pelegos que queriam assinar o acordo a todo custo.
O sindicalismo mensalão confiou na Empresa e no Tribunal dos patrões e agora, quem está pagando por isso são os trabalhadores que estão sendo perseguidos.
Punições a conta-gotas
A Empresa montou um esquema para pressionar e punir os trabalhadores grevistas aos poucos, para não chamar a atenção para o que vem fazendo.
Os companheiros que sustentaram a greve nacionalmente, organizados de maneira mais concentrada nos setores onde a mobilização foi dirigida pela corrente Ecetistas em Luta, como Minas Gerais, Espírito Santo e nos grandes centros operacionais em S. Paulo, como o CTE Saúde e o CTP Jaguaré, estão sendo ameaçados pelas chefias, muitos já perderam a função gratificada de motoqueiros, motoristas etc., em função de terem participado ativamente da greve.
Em Minas Gerais, por exemplo, pelo menos 15 carteiros perderam suas funções de motorizados e a DR/MG se limitou a dizer que “as substituições de pessoas nas funções motorizadas nos CDD´s foram realizadas para garantir a entrega e manutenção dos serviços essenciais” e acrescentou que este é um “procedimento rotineiro de gestão”.
Em S. Paulo, a direção da ECT retirou a função de empilhadeirista de companheiros no CTP Jaguaré, no TECA Guarulhos, no CTC Moema e no CTC Vila Maria.
A empresa está passando por cima do próprio acordo coletivo de maneira cínica, dizendo que as funções gratificadas são cargos de confiança e que podem retirar as funções do jeito que quiser, na hora em que quiser.
Além desses casos evidentes de perseguição contra os grevistas, a empresa vem promovendo suspensões, trocas de turnos, processos e até demitindo trabalhadores que participaram da greve em todo o país.
Trata-se de uma verdadeira perseguição política, em alguns casos envolvendo diretamente a polícia interna da ECT, a Ginsp (Gerência de Insepção). É o que está acontecendo no Paraná, por exemplo, onde a Ginsp está convocando os trabalhadores para depor sobre seus atos na greve diariamente, funcionando como se fosse uma agência da Polícia Federal dentro da própria Empresa.
A ECT quer penalizar o trabalhador que defende aumento de salário, melhores condições de trabalho e que não é conivente com a roubalheira dentro da empresa, pois defendeu com a greve que o dinheiro produzido na ECT seja repassado para quem de fato leva a empresa nas costas. |