Conselho deliberativo no Sintect-PB:
Convocado por telefone sem nenhuma discussão na base



26 de novembro de 2005

Ocorreu reunião da diretoria do Sintect-PB na noite do dia 8 de novembro, deliberando a convocação do conselho deliberativo para o dia 12 de novembro. Como era de se esperar, a convocação do conselho foi feita na maior parte dos casos por telefone e a base da categoria sequer teve notícia de que iria se realizar alguma discussão.
Os delegados sindicais que são membros do Conselho deliberativo foram eleitos para ser o elo de ligação entre a base e o sindicato, no entanto, os trabalhadores sequer ficam sabendo que haverá reunião para poderem opinar. A diretoria do sindicato se reúne com os delegados sindicais em caráter sigiloso e depois entrega o prato pronto para a categoria. Os delegados sindicais fazem o papel de garotos de recado da diretoria para os trabalhadores.
Em períodos anteriores, a reunião do Conselho Deliberativo era feita em dois dias. Era para reunir 20 delegados sindicais e 22 diretores no mínimo. Esta reunião, mal convocada, sem que a categoria sequer soubesse da sua existência contou em média com 25 pessoas participando, nem a diretoria completa esteve presente durante as discussões, apesar de 32 terem assinado a lista de presença.
O encontro começou atrasado, Teve início às 11h30 esperando os delegados de Campina Grande.
Além do pessoal de Campina participaram dois delegados e umdiretor de Sousa, um de Cajazeiras com as passagens de retorno marcadas para as 17h00 horas, um delegado de Patos que ficou até o final juntamente com os de Campina. Cerca de 15 pessoas de João Pessoa entre diretores e delegados, alguns não se fizeram presentes até o final. A pauta só foi divulgada momentos antes da reunião do Conselho. Muitos só tomaram conhecimento durante a reunião. A Convocação feita por telefone ou pessoalmente, sem panfleto ou qualquer documento escrito. O ponto acrescido na pauta sobre a campanha de retaliação foi defendido por um membro da Corrente Ecetistas em Luta. Teve a contraposição de Emanuel e Robson representantes do P-Sol que falaram não ser necessário acrescentar mais um ponto, como se fosse uma questão menor. Pelo contrário, quando não se quer defender o interesse do trabalhador, qualquer coisa serve como desculpa. Se não existe, inventa-se. Trata-se de um ataque frontal da empresa contra os trabalhadores, principalmente os que estavam dirigindo a greve e a oposição à burocracia sindical PT e PCdoB. Não querem contrapor os trabalhadores na base contra a direção da ECT e porque estão com seus cargos assegurados como diretores do Sindicato.
Em João Pessoa, após a greve, a direção da empresa anunciou o fim de setores de trabalho para transferência da carga para Recife, copiando a política usada em diversos estados para demitir trabalhadores, economizando o que gastaram com o reajuste salarial da campanha salarial. Um ataque evidente aos ecetistas, inclusive proibido pelo acordo coletivo que proíbe retaliações. É evidente que a política de demissão logo após a greve se caracteriza claramente como retaliação.
Na realidade o Conselho Deliberativo só foi convocado porque a direção do Sindicato não realizou a eleição dos delegados sindicais deixando a categoria sem representantes e os companheiros de luta, na base, sem nenhum tipo de estabilidade no emprego.
A eleição em 2004 ocorreu entre os dias 8 e 12 de novembro e só agora a diretoria do sindicato se lembrou que precisaria organizar novas eleições. Mesmo sabendo que a empresa está demitindo pessoas e que a participação dos delegados sindicais na mobilização na base é fundamental, por isso não querem apoiar a campanha contra as retaliações.
Como se já não bastasse deixar toda a categoria sem delegados sindicais, abrindo mão de um direito conquista pelos trabalhadores, inclusive em acordo coletivo, chegaram ao extremo de passar cima da decisão do Congresso Estadual dos Ecetistas, instância de deliberação superior ao Conselho Deliberativo, ocorrido nos dias 1, 2 e 3 de julho de 2005 onde constava a ampliação do número de delegados de base na categoria para cerca de 38 representantes sindicais.
A dupla dinâmica Emanuel e Robson tem como política na entidade tomar decisões sozinhos, isolar o sindicato do movimento nacional, para que possam utilizar a entidade em função de planos particulares e não da luta geral da categoria. Na reunião inventaram argumentos para diminuir o número de delegados sindicais, apesar do jornal do Sintect-PB de nº 101 de outubro/novembro de 2003, trazer resultado de reunião entre sindicato e empresa, onde a ECT acatou negociação feita aumentando o número de cipeiros eleitos para 28 no Estado o que totalizou 56 cipeiros. Conclui-se que a direção do sindicato coloca-se mais à direita do que a direção da ECT na ampliação da representação de base. Vejam só os bravos e combativos como gostam de auto dominarem-se.
Ao final, quando só estavam presentes 12 conselheiros, mais uma vez o PSTU, com os tradicionais golpes ao estilo Força Sindical, queria aprovar a desfiliação do Sintect-PB da CUT, sem sequer constar como ponto de pauta esta discussão. Eles querem desesperadamente desfiliar o sindicato da CUT para que possam desviar a verba paga mensalmente à central sindical para uma associação criada por eles chamada Conlutas, que não tem nenhuma atuação a não ser a corrida atrás do caixa dos sindicatos. Na passeata realizada pelo movimento nacional contra quebra do Monopólio Postal, em Brasília, não havia um único panfleto ou faixa da tal “SemLutas”, nem falar de caravanas ou mesmo delegações.