Não às punições
ECT anuncia nova onda de demissões... junto com novo golpe do sindicalismo mensalão da Fentect



27 de novembro de 2005

O diretor de Recursos Humanos da ECT, Virgílio Brilhante informou que irá cumprir uma determinação do Ministério do Planejamento prevendo a demissão de todos os trabalhadores readmitidos pela lei do plano Collor, uma vez que tiveram suas liminares cassadas no STJ.
Por enquanto já estão anunciadas demissões de 22 companheiros: cinco do Ceará, 16 de Pernambuco e um do interior de S. Paulo.
Segundo a análise jurídica da Fentect, este número poderá chegar a mais de 500 companheiros em curto prazo, pois o STJ reformulou a sua decisão em relação ao trabalhadores demitidos no plano Collor. A decisão anterior reconhecia nos processos o princípio da decadência, ou seja, as anistias não poderiam ser revistas após cinco anos. Neste momento o STJ reformulou sua decisão, limitando as decisões ao período a partir de 1999 e somente nos casos de anistia dos ecetistas que não entraram com defesa no processo de anulação das anistias feita pela comissão revisora.
Trata-se de mais um ataque da direção da ECT a mando do governo Lula contra a categoria, engrossando a política de retaliações contra os grevistas.
Na reunião ampliada da direção da Fentect com os sindicatos filiados realizada no dia 16 de novembro foi aprovada a realização de nova plenária nacional nos dias 10 e 11 de dezembro, para discutir a continuidade da mobilização e avaliação das assembléias no estados com a decretação do Estado de greve. No entanto, junto com o anúncio da direção da ECT do aumento das demissões, a maioria da diretoria da Fentect, comandada pelo sindicalismo mensalão do PT-PCdoB decidiu cancelar a realização da plenária num conluio aberto com a direção da ECT.
Trata-se do maior golpe já visto na direção da Fentect. Os diretores que tentam passar por cima da deliberação da última reunião ampliada da direção da Fentect com os sindicatos, são os mesmos que usaram a entidade para fazer uma verdadeira turnê pelo Canadá durante a campanha contra a quebra do monopólio postal, não apoiando a luta contra as demissões. Propositalmente sabotaram a campanha contra as retaliações como moeda de troca nas negociações em torno de cargos e reformulações na empresa, a partir da posse do novo presidente da Câmara, Aldo Rebelo, do PCdoB.
Os diretores da Fentect Ivan, Zélia, secretária-geral do Sintect-RJ, Aguiar, da Associação dos Aposentados de São Paulo, Reinaldo do Sintect-SP, Rogerio do Sintect-ROP e Sandra, ex-diretora do Sintect GO/TO estão diretamente a serviço da empresa na Fentect, inclusive chegando ao extremo de quatro destes diretores (Rogerio do Sintect-POR, Sandra, ex-diretora do Sintect GO/TO, Ivan, secretário- geral da Fentect e Zélia, secretária-geral do Sintect-RJ) terem ido ao Canadá sem autorização da diretoria colegiada, com verba da entidade no valor de R$ 5.000,00 por pessoa para compras, (na medida em que toda a viagem foi paga pelos canadenses inclusive roupas, translado etc) enquanto os trabalhadores são demitidos e os grevistas perseguidos pela empresa. Estão trabalhando pela manutenção da plenária nacional os seguintes diretores da Fentect, Anaí Caproni, Edson Dorta, Jacó, Barriga, Napoleão e Flávio.
Chegaram no dia seguinte às mobilizações contra a quebra do monopólio, dia 18, mesmo tendo sido avisados que deveriam voltar em função da situação na categoria e da condenação geral do movimento nacional, não participando sequer das negociações com a empresa para exigir o fim das retaliações. Trata-se de uma verdadeira quadrilha na entidade, que através de desvio puro e simples da verba da Federação, quer se favorecer pessoalmente, contando com o apoio da empresa para levar à frente uma política de anulação da Fentect como instrumento de defesa dos trabalhadores.
A Corrente Ecetistas em Luta propõe aos sindicatos de luta da Fentect a manutenção do calendário aprovada na plenária nacional e a imediata discussão da situação da quadrilha que se apoderou da Fentect, inclusive com iniciativas judiciais cabíveis, uma vez que se trata do mar-de-lama que acompanha toda a política do governo Lula, do qual são uma correia de transmissão.
Precisamos enfrentar a ofensiva da direção da ECT em conluio com o sindicalismo mensalão na Fentect para defender os interesses dos trabalhadores que são os verdadeiros donos dos sindicatos no Estados e da Federação Nacional.