Salário mínimo
Direção da ECT defende o salário miserável da categoria

Na campanha salarial, de um lado estão os trabalhadores lutando por um aumento real de salário, de outro está a direção da empresa com sua política de arrocho e distorção salarial


12 de março de 2006

Poucos dias antes do início da última greve nacional dos trabalhadores dos correios, estava a todo vapor o debate sobre a questão da reposição das perdas salariais e do piso salarial da categoria. Aqui em Manaus, uma destas discussões foram realizadas por e-mail entre Paulo Gerri de Andrade, representante da empresa, e o sindicalista José Sampaio Sobrinho, representante dos trabalhadores.
No dia 8 de setembro, Paulo Gerri de Andrade enviou um e-mail para uma lista de discussão na internet defendendo a tese de que o “valor de fato” do salário de um carteiro iniciante é de, pasmem, R$ 882,00. Para chegar a este risível número, o homem da empresa realizou uma conta matemática bem simples. Apenas acrescentou o vale transporte (R$ 63,00) e o vale refeição (R$ 371,00) ao valor do salário real do ecetista iniciante, que é de R$ 448,28. É um verdadeiro deboche, o chefete arranjou uma maneira de dizer que o trabalhador do correio ganha praticamente o dobro do que realmente ganha. Nem os negociadores do alto escalão da empresa tem a cara-de-pau de dizer uma coisa dessas para os trabalhadores durante uma campanha salarial.

Acham que o trabalhador é trouxa

Não é a toa que Paulo Gerri de Andrade ganhou função dentro da empresa depois da campanha salarial de 2003/2004. Naquela época, o atual chefete, era vice-presidente do sindicato e ao menos achava conveniente não dizer que o trabalhador ganhava tão bem assim. Agora que recebeu um “carguinho”, defende mais verozmente a política de arrocho salarial dos trabalhadores do que a própria direção da ECT.
Todo mundo sabe que o chefete Paulo Gerri de Andrade é do bloco PT-PCdoB mensalão. Estes são os maiores responsáveis pelos mais de 10 anos de perdas, boicotando inúmeras campanhas salariais, desmobilizando os trabalhadores nos sindicatos e assinando acordos miseráveis pelas costas da categoria, tudo isso em troca de cargos. O bloco PT-PCdoB é, na realidade, uma válvula de escape da direção da empresa, que na hora de atacar o trabalhador, chama seus comparsas no movimento sindical dando em troca um ou outro privilégio.
O trabalhador, que não é trouxa, sabe que ganha pouco. Não adianta vir os chefetes com conversa fiada, dizendo que benefício é salário. O peão sabe que depois de trabalhar anos na empresa sendo explorado por estes chefetes, a sua aposentadoria vai vir sobre o valor do contra-cheque e não do vale-refeição, vale-cesta, abono etc, que na realidade, não dá nem para passar o mês.
Estes chefetes tiram sarro do salário miserável do ecetista porque são da escola do PT-PCdoB mensalão que ensina que para subir na empresa tem que pisar no trabalhador. Eles acham que o salário do trabalhador é de R$ 900,00 mas esqueceram de avisar a Caixa Econômica Federal, que tem certeza que o trabalhador ganha R$ 400,00 na hora de dar crédito para a construção de uma casa própria.

Querem rebaixar o piso salarial da categoria

No e-mail endereçado ao companheiro Sobrinho, o chefete Paulo Gerri de Andrade insiste em afirmar que “é preciso aceitar os fatos” e que “fatos são números, o resto é opinião”. Essa é a mesmíssima conversa dos mensalões PT-PCdoB e da direção da ECT quando se está discutindo o piso salarial da categoria. Sendo, inclusive, motivo de orgulho para os mensalões o fato de que são “realistas” repetindo os chavões da direção da ECT de que o trabalhador não pode ganhar um piso salarial que atenda as necessidades da sua família.
Na discussão por e-mail, um dos mensalões de Manaus acrescenta que “na negociação do acordo coletivo, os representantes da classe devem analisar a real capacidade empresarial de suportar os encargos”. É a mais descarada conversa patronal! Todo mundo sabe que a direção da ECT esconde sua contabilidade até para negociar o PLR, o que é ilegal, pagando uma migalha para os trabalhadores, existindo dinheiro apenas para pagar o mensalão do governo Lula.
Se é para sermos realistas e falarmos de números, os mensalões não podem esquecer que o piso salarial aprovado no último Congresso Nacional da Fentect é de R$ 1.500,00 devendo ser atualizado, no próximo encontro, para R$ 1.670,00.
O piso salarial do trabalhador ecetista deve ser o salário mínimo da categoria como manda a Constituição Nacional, em seu artigo 7º, o qual é bem claro ao estabelecer que o salário mínimo de um trabalhador deve ser “capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”. Para isso é necessário que todos os trabalhadores e organizações operárias da cidade e do campo realizem uma ampla campanha nacional por um salário mínimo vital, necessário ao atendimento das necessidades essenciais da classe operária.