Trabalhadores dos Correios
Burocracia do PT-PcdoB-PSTU é encurralada pelo governo Lula com a pior proposta salarial dos últimos anos

Governo Lula apresenta proposta indecente na campanha salarial dos trabalhadores dos correios, aumentando o abismo existente entre os trabalhadores e a burocracia sindical que dirige a Fentect – Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios e sindicatos importantes como o de São Paulo e do Rio de Janeiro

15 de setembro de 2006

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A campanha salarial dos trabalhadores da ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos entrou na sua fase decisiva com o término do período de negociações e a total sabotagem pelas direções sindicais da greve nacional da categoria no último dia 13 em reação à indecente proposta oferecida pela direção da empresa, a mando do governo Lula.
As negociações da campanha salarial que se arrastam a cerca de um ano, levadas a frente por um Comando de Negociação composto de 7 pessoas indicadas pelo bloco PT-PcdoB-PSTU em um congresso amplamente fraudado e controlado pela direção da empresa.
O Comando de Negociação é composto majoritariamente por representantes dos sindicalistas dos partidos do governo, os quais não possuem nenhum apoio na base da categoria pelas inúmeras traições já realizadas em anos anteriores. A direção da ECT ofereceu uma proposta absolutamente inaceitável pelos trabalhadores contando com o fato de que estes sindicalistas são pessoas que não têm e nem almejam ter o apoio dos trabalhadores como base de sustentação política para a sua permanência nos sindicatos e na Fentect – Feeração Nacional dos Trabalhadores do Correio.

A pior negociação salarial dos últimos anos

A direção da ECT ofereceu um reajuste salarial de somente 6% agora e 3% em março de 2007. R$ 800,00 de abono e uma cartela extra de vale alimentação no valor de R$345,00 a ser creditada na primeira quinzena de dezembro/06. A proposta foi amplamente repudiada pelos trabalhadores, uma vez que mais da metade da categoria, receberá cerca de R$ 40,00 agora e menos de R$ 30,00 em março de 2007 como reajuste da data base, na medida em que já gozam de todos os benefícios que a empresa e os sindicalistas mensalões apresentam como grande vantagem do acordo coletivo: a concessão de anuênios no lugar de qüinqüênios e o recebimento do adicional de 70% do salário no gozo das férias.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro a greve foi impedida através de um sórdido conluio entre a direção da empresa e o governo. Na capital paulista a direção do sindicato simplesmente não colocou ônibus para o transporte dos trabalhadores e a empresa propositalmente atrasou a entrega da carga para que os trabalhadores saíssem mais tarde do trabalho.
O resultado foi a menor assembléia da campanha salarial, onde delegações trazidas diretamente pela empresa comemoravam a assinatura do acordo, não fazendo questão de disfarçar que estavam a mando da direção da ECT. Enquanto um grupo fechado comemorava a assinatura a diretoria do sindicato era atingida por latinhas e garrafas de refrigerante e o diretor Marcio do PT, que encaminhou a votação era escoltado por meia dúzia de reforçados seguranças que o protegiam dos trabalhadores irados.
A direção da ECT sabe que esta proposta é totalmente repudiada pelos trabalhadores e que consumirá, para sua aprovação, totalmente a já comprometida autoridade da burocracia do PT-PCdoB como dirigentes da categoria.
A própria burocracia da Fentect não imaginava que o governo Lula os colocaria em tal situação perante os trabalhadores, mostrando que a mais corrupta burocracia sindical não tem uma realista apreciação de como o instinto de classe da burguesia não poupa ninguém para garantir seus lucros.
<i1>Campanha salarial dos sonhos da burocracia
Logo no início da campanha salarial o Comando de Negociação imaginava a campanha salarial da seguinte forma “esta campanha tem um diferencial importante que se reflete nas eleições em curso, que poderá ser utilizado como fator de mobilização, e que possivelmente fará com que a campanha salarial se defina em três assembléias” (Informe nº 6 do Comando Nacional de Negociação da Fentect).
Eles consideravam que o governo Lula iria, em ano eleitoral, facilitar a vida da burocracia oferecendo uma proposta na campanha salarial que poderia ser aprovada, com a aparência de que os trabalhadores estariam ganhando.
Apesar de todas as greves e lutas da categoria, que mostraram que a burguesia só cede diante da pressão dos trabalhadores, estes elementos consideram que o governo faria concessões aos trabalhadores por ser ano eleitoral, mesmo sabendo que todo o comando de negociação assina qualquer proposta apresentada pelo planalto.

Burocracia sindical é traída pelo seu próprio governo

Segundo os ingênuos sindicalistas do PT-PcdoB no Correio, o governo abriria mão da possibilidade ganhar milhões com um acordo salarial miserável para fazer média com os trabalhadores em ano de eleição.
A verdade é que nenhum capitalista, o que dizer do governo dos capitalistas, vai abrir mão da chance de esfolar os trabalhadores, ganhando rios de dinheiro, tendo não mão todos os negociadores, os quais assinam aquilo que o governo mandar.
A reeleição do atual governo não se baseia no voto dos trabalhadores das categorias sindicais mais organizadas, como Correio, Petroleiros, bancários, metalúrgicos etc.
Não é segredo para ninguém que a base eleitoral da atual da reeleição de Lula, se concentra nos setores mais humildes da população, os quais estão sendo chantageados pelo governo a votar no candidato do PT em troca da manutenção dos planos de assistencial social como o bolsa família. O governo do PT está explorando a miséria dos trabalhadores demitidos, daqueles que vivem com o salário mínimo nas frentes de trabalho ou nas categorias superexploradas, nas quais há anos praticamente não existe atividade sindical organizada.
O atual governo, como seus antecessores do PSDB, PFL e PMDB, se mantém no poder através da exploração da miséria do povo para uma descarada manipulação eleitoral.
A situação da diretoria do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, base de apoio do governo Lula, onde o atual presidente iniciou sua carreira política, é uma prova inequívoca do caráter extremamente patronal do atual governo.

Governo patronal

A diretoria petista do sindicato está enfrentando uma enorme pressão dos trabalhadores na medida em que a direção da Volks espera demitir mais de 3000 metalúrgicos. Pela imprensa capitalista é divulgado o total desinteresse do governo diante de um ataque desta dimensão à categoria a qual no passado foi a principal base de sustentação política e eleitoral do PT e, particularmente, do governo Lula. O governo do PT, como todos os capitalistas, considera que a burocracia sindical é um instrumento para trair e enganar os trabalhadores, portanto, está destinada a ser o Judas da categoria: trair e ser enforcada pelos trabalhadores. Trata-se de uma relação onde o governo considera que a burocracia sindical tem um caráter descartável e transitório, só tem importância na medida em que podem conter a categoria, para garantir o superlucro do governo e dos capitalistas.

Comando de Negociação manjado

É exatamente esta a situação do comando de negociação no Correio, o qual já conta com um massivo repúdio dos trabalhadores. O comando é formado por José Aparecido Santos, de Sergipe, contestado pela própria diretoria do sindicato do estado, uma vez que foi indicado numa operação dos mensalões sem que o próprio pessoal de Sergipe soubesse, outro membro do comando é o mensalinho José Gonçalves de Almeida, o Jacozinho, do PSTU, que era de São Paulo e conseguiu uma transferência para Brasília.
Ele foi indicado ao comando de negociação por ter concordado em participar da fraude do congresso da Fentect, legitimando os mensalões. O PSTU sabia perfeitamente que o congresso estava fraudado e que os mensalões teriam vitória folgada em função das assembléias fraudadas. Em troca de cargos menores no comando de negociação e na direção da Fentect estão legitimando esta traição. Outro conhecido mensalão no comando de negociação é Marcos Sant‘aguida do Nascimento do PCdoB, diretor do sindicato do Rio de Janeiro, responsável pela traição da greve do ano passado, quando foi negociar a campanha salarial no TSE.
A máfia do crime do Sintect-SP comandada pelo PCdoB-PT indicou também o seu representante, José Rivaldo da Silva, o Talibã. Outro membro do comando de negociação é Simone Soares Lopes indicada pelos mensalões do PT da Bahia. Os outros membros do Comando de Negociação são Nivaldo Schumucker Silveira do PT de Santa Catarina e Wilson Dombroski pelos petistas da diretoria do sindicato do Paraná.
O atual comando de negociação vai assinar o pior acordo salarial dos últimos anos. Em 2003 os trabalhadores receberam entre aumento linear e progressão na carreira o equivalente a 22%, em 2004 este índice desceu para 17%, em 2005 caiu novamente para cerca de 12%. Este ano não há nenhuma progressão na carreira e o índice global soma 9%, sendo que uma parcela será paga somente em 2007.

Esconderam a proposta

O Comando Nacional de Negociação escondeu a proposta dos sindicatos e dos trabalhadores para facilitar a aprovação, uma vez que a desinformação foi muito grande. Mesmo assim mais da metade dos sindicatos dos correios em nível nacional não aprovou a proposta da empresa, uma vez que a pressão dos trabalhadores é muito grande sobre as diretorias, inclusive as compostas por militantes do PT-PcdoB, as quais em vários lugares do país se recusaram a colocar em prática a orientação do núcleo duro destes partidos presentes em São Paulo e no Rio de Janeiro. Diretorias de sindicatos que são cabos eleitorais do PT-PcdoB como Brasília, Ceará, Paraná não tiveram coragem de aprovar a proposta da empresa por medo da reação dos trabalhadores.
Agora, passado o vendaval eles vão usar o fato de que a greve não aconteceu em São Paulo e no Rio de Janeiro para justificar diante dos trabalhadores que a assinatura do acordo é necessária, pois a categoria não quer lutar. Vão colocar em prática a traição, responsabilizando os trabalhadores por uma política com a qual eles têm acordo no fundamental e cinicamente procuram esconder da categoria.

Dividiram a categoria para conseguir quebrar a greve

Em 2003 com uma das maiores greves feitas pelos trabalhadores, a categoria brecou um período negro de acordos coletivos assinados pelos sindicalistas do bloco PT-PcdoB-PSTU nos quais os trabalhadores perderam inúmeras conquistas. De lá para cá a direção da empresa vem ostensivamente corrompendo as direções sindicais para reverter a tendência à reconquista de direitos iniciada em 2003.
Com a traição em marcha, os sindicatos dirigidos por este bloco em nível nacional vão se colocar como verdadeiros marcianos junto aos trabalhadores, colocando-se concretamente a sua superação em termos organizativos, pela Oposição Ecetistas em Luta.
Com esta campanha salarial o bloco PT-PCdoB queimou totalmente a relação com a única parcela da categoria que lhe servia de base de apoio: uma parte minoritária dos trabalhadores mais antigos, os quais conheceram o sindicato no início da sua formação e mantém uma relação conservadora por terem vários direitos assegurados por lutas anteriores da categoria. Esta parcela foi totalmente rifada na campanha salarial. Dividiram os trabalhadores, na medida em que a isonomia de anuênios só beneficia os novos funcionários. Os trabalhadores mais antigos foram os que perderam mais, na medida em que terão somente o reajuste salarial miserável, dividido em duas parcelas. Este parcela da categoria contava que em função das eleições, seriam negociados ganhos maiores na campanha e, no caso de divisão da categoria não seriam eles que pagariam o preço da traição. Com o atual acordo a burocracia do PT-PCdoB comprometeu a relação com o minoritário setor que em determinadas situações era sua base de sustentação, ficando totalmente enfraquecido, sem a menor condição de enfrentar uma oposição organizada na base em nível nacional.
Está colocada como necessidade imediata a organização da Associação Ecetistas em Luta como um sindicato nacional que organize os trabalhadores como força independente da direção da empresa e organize a luta pelas reivindicações dos trabalhadores e pela manutenção das conquistas trabalhistas produto da luta de mais de 2 décadas do movimento sindical dos trabalhadores do correio.