Corrupção nos Correios
Parecer da sub-relatoria admite favorecimento de contratos com empresas aéreas


18 de março de 2006

O Sub-Relator de Contratos da CPI dos Correios, José Eduardo Cardozo (PT), afirmou que vai incluir em seu parecer a constatação de “conluio entre a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) e empresas que prestam serviços de transporte aéreo”. O relatório se baseia em casos como o da Skymaster, que foi contratada para prestar o serviço em julho de 2000, no mesmo período em que foi concluída uma licitação em que a vencedora era a empresa de transporte aéreo Fly Brasil e a segunda ganhadora, a Taff.
O responsável pelo setor de licitações dos Correios, na época, José Garcia Mendes, emitiu parecer em 3 de julho de 2000, apontando a Skymaster como a empresa selecionada para prestar o serviço. O parecer é da mesma data em que a empresa vencedora da licitação, Fly Brasil, teria sido consultada sobre a capacidade de realizar o serviço.Ou seja, antes mesmo de resposta negativa da primeira colocada na licitação e antes também da segunda companhia vencedora, Taff, ser consultada, a Skymaster já havia sido escolhida como a empresa beneficiada pelo contrato.
Outro caso notório de irregularidade nos contratos da ECT com prestadoras de serviços de transporte aéreo é o da Brazilian Express Transportes Aéreos (Beta). Esta empresa conseguiu um contrato de 5 anos, sem licitação, no valor de R$ 250 milhões, o equivalente a 108% acima da média do mercado. Esse contrato só foi possível mediante a entrega de uma certidão grosseiramente falsificada, com data de 18 de abril de 2000, à diretoria da ECT, constando que a empresa não possuía débitos com a União. Neste caso, além do favorecimento da empresa Beta com um contrato milionário, o recebimento de uma certidão visivelmente adulterada, comprovam a corrupção existente entre a o alto escalão que dirige a estatal.
As denuncias de desvio do dinheiro dos trabalhadores do Correio, que já estão há mais de 10 anos sofrendo com perdas salariais, demissões em massa e aumento excessivo do trabalho, são tantas que não é mais possível escondê-las dos trabalhadores. Nem a CPI, que foi uma clara manobra do governo para tentar abafar a crise causada pelas denúncias de corrupção do governo Lula, consegue blindar a direção corrupta da ECT que ao longo dos anos vem sendo base de sustentação financeira dos governos que se sucedem.
È necessário que os trabalhadores dos Correios, que são aqueles que produzem a riqueza desta que é uma das maiores empresas estatais da América Latina, se organizem de forma independente do braço do governo no movimento sindical, os sindicalistas mensalões do PT e PCdoB, que diante de tantos ataques nada fazem a não ser se colocar na defesa da direção corrupta da ECT, iniciando assim um verdadeiro processo de investigação e punição dos corruptos na empresa, reivindicando de volta todas as perdas que foram acumuladas nos últimos anos.