Rio Grande de Sul
Professores em greve invadem Assembléia Legislativa
19 de março de 2006
Mais de 120 professores em greve desde o começo do mês realizaram manifestação pelo Centro de Porto Alegre, chegando a invadir, na última quinta-feira, a presidência da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para reivindicar uma reunião com o presidente Luiz Fernando Záchia (PMDB) e pedir sua intervenção nas negociações salariais com o governo estadual.
Após a manifestação, ocorreu uma nova reunião com a presidente do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato) para tentar marcar um encontro com o governador em exercício, Antônio Hohlfeldt. Os professores decidiram ocupar a Assembléia Legislativa até que uma audiência fosse marcada. Ficou definida uma reunião entre o comando de greve e as secretarias da Fazenda e Educação, para discutir a pauta de reivindicações da categoria.
Por se mobilizarem contra os ataques do governo de Germano Rigotto (PMDB), os professores forem duramente agredidos pelos seguranças da Assembléia Legislativa e, inclusive, por assessores de deputados do PMDB.
Os professores estavam em uma reunião na Comissão de Serviços Públicos e de lá decidiram ir em passeata até a presidência da Assembléia com o objetivo de abrir as negociações salariais com o Estado, que até agora não deu nenhuma resposta à pauta de reivindicações da categoria, nem sequer abriu nenhuma negociação com os professores.
No mesmo momento, aposentados também fizeram um protesto no centro de Porto Alegre. A categoria reivindica reposição salarial. A manifestação é promovida pelo Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos. A manifestação é nacional e acontece também em várias cidades do país.
O governador Germano Rigotto, que apesar de se proclamar como membro de uma ala “oposicionista” do governo Lula dentro do PMDB, impõe a mesma política do governo do PT de atacar duramente os professores, chegando a persegui-los por fazerem greve.
Para tentar conter as mobilizações, a secretaria de educação vem enviando diariamente ofícios para as escolas e coordenadorias regionais para serem assinados pelos servidores responsabilizando-os pela sua permanência na greve. A forte mobilização da categoria é a única garantia contra as tentativas de retaliações por parte do governo do PMDB.
As greves da categoria de professores estão acontecendo neste momento não apenas no Rio Grande do Sul, como em diversos estados do País, como o Rio de Janeiro e Ceará, o que é a expressão de uma tendência à mobilização da categoria em nível nacional.
A reação negativa da população à política pró-imperialista do governo Lula, que é reproduzida pelos governos estaduais e municipais, está modificando a situação de mobilização sindical dos trabalhadores, onde com a crise do governo Lula, o movimento operário está saindo de um longo período de refluxo para entrar em uma nova etapa, caracterizada pela evolução política, de características revolucionárias, da classe operária em seu conjunto, sendo este o principal fator de crise do governo Lula e dos outros governos burgueses nos estados e municípios.
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