Mensalão nos Correios
Direção Regional de Minas Gerais desviou dinheiro da empresa para financiar caixa 2 do PT

Com o dinheiro do trabalhador, a DR de Minas Gerais, com o apoio da direção da ECT, financia o caixa 2 para campanhas eleitorais do PT, num esquema que envolve o diretor regional da ECT em Minas e o mensalão Judas Teixeirinha

20 de janeiro de 2006

O lucro da ECT, produzido com o suor diário de 108 mil trabalhadores, continua sendo usado para financiar o caixa 2 do PT e dos políticos burgueses também em Minas Gerais.
Mais um escândalo de desvio de dinheiro da ECT, envolvendo o PT e a direção da empresa, vem à tona.
A CPI dos Correios, que o PT tenta a todo custo enterrar para que mais desvios de dinheiro das estatais não sejam do conhecimento dos trabalhadores, apurou mais um caso de corrupção em Ipatinga e Coronel Fabriciano, envolvendo a Direção Regional de Minas Gerais, como o mensalão Judas Teixeirinha, e políticos do PT da região.
Já foi contatado que existem provas cabais de que a prática do caixa 2 do PT envolveu também campanhas eleitorais em Minas Gerais, provando o pagamento de mensalão dentro da Diretoria Regional com o dinheiro da empresa.
Para se manter no cargo, o Diretor Regional da ECT em Minas Gerais, João José Pinto Reis, vem adiando por mais de um ano uma “dívida” do deputado mensalão do PT, João Magno, com a empresa, cujo valor já passa dos R$ 170 mil.
Com o apoio da direção central da ECT, que não toma nenhuma atitude em relação ao caso em Minas, o Diretor Regional está cobrando a dívida não do deputado mensalão, mas sim da agência do bairro Canaã, em Ipatinga, onde durante as eleições de 2004, João Magno postou 300 mil panfletos da sua campanha, cujo pagamento foi feito com um cheque de R$ 106 mil, que estava sem fundos.
Em substituição ao primeiro cheque, o próprio deputado mensalão do PT, que era candidato à prefeitura de Ipatinga, emitiu um outro cheque de mais de R$ 107 mil à ECT, só que também sem fundos.
De acordo com as próprias normas da ECT, a empresa deveria fazer a imediata cobrança de João Magno, inclusive judicialmente, mas o esquema do mensalão existente entre a alta cúpula da direção da empresa e da DR de Minas Gerais, incluindo o Diretor Regional e o mensalão Judas Teixeirinha, e os políticos mensalões do PT administra a empresa.

Diretor Regional de Minas Gerais entrou no esquema do mensalão para se manter no cargo

Logo após a posse de Lula em 2003, o diretor regional da ECT recém-empossado em Minas, João José, que ocupou outro cargo na direção regional do estado durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), temia perder seu cargo devido à tendência que se instalou na empresa de colocar os sindicalistas do PT nos cargos da direção da empresa.
Ele havia sido indicado diretor adjunto da ECT em Minas pelo ex-senador Francelino Pereira (PFL), e ficado no cargo por intermédio do ex-ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB).
No entanto, para não perder seu cargo, o diretor regional teve que se “adequar” ao mensalão do governo Lula.
Com a saída do ex-diretor regional da ECT em Minas, Marcelo Rodrigues, em julho de 2002, a indicação de João José foi articulada pelo deputado federal Mário Heringer (PDT), que tinha ligação direta com o ministro das Comunicações recém-empossado por Lula, Miro Teixeira, também do PDT.
Com a entrada de João José no esquema do mensalão do governo Lula, ele se tornou o único diretor regional da empresa empossado no governo FHC a ser mantido no cargo no governo Lula.
Esta manobra garantiu o cargo de João José até o início de 2004, quando Miro Teixeira foi substituído no Ministério das Comunicações por Eunício de Oliveira, do PMDB.

Diretor regional tenta encobrir o mensalão cobrando dívida de agência

Em meados de 2004, ainda ameaçado por setores do PT de perder seu cargo na DR de Minas Gerais, João José buscou o apoio do deputado federal João Magno (PT-MG) para garantir sua permanência na direção regional de Minas, visto que o deputado mensalão era muito próximo ao ministro das Comunicações, Hélio Costa e à alta cúpula do PT.
Em troca do seu apoio da do a João José, o deputado mensalão teve sua dívida de R$106 mil com a ECT protelada em setembro de 2005. A dívida é referente ao contrato, feito diretamente com a DR de Minas, de impresso especial para a distribuição de 300 mil panfletos de sua campanha à prefeitura de Ipatinga.
Com as denúncias do mensalão no ano passado, onde João Magno está na lista de envolvidos no esquema do mensalão, elaborada pela CPI dos Correios, João José temia que o caso da dívida do deputado mensalão com a DR de Minas viesse à tona. Por isso, o diretor regional de Minas gerais, com o apoio da direção central da ECT, passou a cobrar a dívida, que corrigida já ultrapassa de R$170 mil, à agência franqueada do Canaã.
A cobrança à agência franqueada conta também com o apoio de outra franqueada da ECT em Ipatinga, a agência do Cariru, cuja proprietária é irmã do deputado mensalão absolvido pela Câmara dos Deputados, Romeu Queiroz (PTB), que articula o fechamento da agência de Canaã para ter menor concorrência na região.

Dividindo os cargos

Fiel escudeiro do Deputado João Magno (PT-MG), o ex-chefe no CDD Ipatinga e atual vereador (PT de Coronel Fabriciano) e também atual Diretor Regional Adjunto da ECT/DR/MG, o Sr. Lino Francisco da Silva está por trás do esquema mensalão que envolve a administração dos Correios em Minas Gerais.
Junto com Ulysses Valladão dos Santos, Administrador Postal Sênior, Assessor no Gabinete da DR/MG, organizaram a chapa de oposição à atual diretoria do SINTECT-MG, além de garantirem a vaga de membro de negociações dos “trabalhadores”no último Congresso da FENTECT para o Judas Teixeirinha, para que o mesmo fizesse papel de traidor da categoria e entregasse a data-base de 2003 de mão-beijada para a ECT.
Lino e Valladão utilizaram o maquinário da ECT para organizar e “impulsionar” a campanha dos sindicalistas mensalões. Lino, o Diretor Adjunto Fantasma, como é conhecido, pois só vai no setor de trabalho fazer visita, apesar de receber da Câmara Muncipal e da ECT, utiliza-se há tempos do aparelho dos Correios em beneficio próprio e do PT, chegando ao absurdo de capotar carro conveniado com a Empresa quando estava de férias e fazia campanha eleitoral, em 2004.
Lino e Valladão, a serviço do PT, se juntaram a João José para garantir o controle da ECT pelo PT e o uso da máquina estatal.
Para que a engrenagem dos mensalões desse certo e os ecetistas que atuam na corrente ecetistas em luta ficassem bem mapeados arranjaram uma série de funções para os seus afilhados, conforme descrevemos:
-função de gerência de Agências na Grande BH(CTC/BH/GERAE) para o traidor da Campanha Salarial/2003 Marcos Antônio Teixeira, Atendente Comercial III, lotado anteriormente na AC-Barroca;
-função de chefia da Secretaria de Integração Social e Benefícios para Francisco Tomé dos santos (Chicão), Carteiro II, ex-carteiro no CDD Betim;
-função de chefia auxiliar na Secretaria Administrativa para Laudecir Honório dos Reis, Carteiro II, ex-carteiro no CDD Glória;
-função de chefia auxiliar na Secretaria de Integração Empregado Empresa para Milton Luiz Amâncio, Carteiro I, ex-carteiro no CDD São Benedito e no CTE;
-função de chefia auxiliar na Secretaria de Integração Empregado Empresa para Sérgio Antônio Luiz, Carteiro III, ex-carteiro no CDD Venda Nova e no CTE;
-função de chefia, primeiro como Assessor de Relações Sindicais e depois na Secretaria de Gerenciamento de Desempenho para José Gabriel do Nascimento, CarteiroIII, ex-carteiro no CDD Barreiro e no CDD Venda Nova.
Além desses ex (que foram organizadores e/ou integrantes da oposição à direção do SINTECT-MG) a lista de afilhados dos mensalões do PT continua a existir nos bastidores do gabinete do Diretor Regional. A impunidade para o Lino dois salários e sua turma é imensa! Enquanto isso, os trabalhadores que fizeram a greve em 2005 amargam as piores retaliações e punições jamais vistas, desde à época da ditadura militar.

Na ECT, o mensalão é a lei

Na empresa, quem dita as regras é o mensalão organizado pelos políticos do PT e a direção da ECT. O rombo que o PT, em conluio com a direção da ECT, vem fazendo no caixa da empresa é usado, inclusive, como desculpa para a direção da empresa dizer que não pode dar um aumento real à categoria nas negociações das campanhas salariais. Eles acham que o trabalhador é bobo, e que não sabe da farra do boi que é feita com o lucro da empresa produzido pelo conjunto da categoria.
O esquema do mensalão organizado na DR de Minas Gerais para financiar o caixa 2 do PT envolve também o maior conhecido traidor dos trabalhadores em Minas Gerais, o ex-sindicalista Judas Teixeirinha.
Teixeirinha, que traiu a categoria em troca de cargo na DR de Minas assinando o Acordo Coletivo de Trabalho na campanha salarial de 2003 às 23 horas de uma sexta-feira de setembro, sem repassar a contra-proposta da ECT para o referendo das assembléias sindicais, sempre tentou tomar a direção do Sintect-MG por este ser um obstáculo às negociatas do mensalão em Minas Gerais, chegando a se passar por “esquerdista” ao encabeçar uma chapa do PSTU para as eleições do Sindicato em 2003, que foi totalmente rechaçada pela categoria.
O Sintect-MG vai organizar a formação de uma comissão de trabalhadores para investigar a corrupção na direção da empresa e na DR de Minas Gerais.
Na direção central da empresa e na DR de Minas Gerais, estes mensalões, como Judas Teixeirinha e João José, devem ter seus crimes de corrupção apurados pelos trabalhadores, visto que somos nós que produzimos o lucro da empresa que está sendo desviado para financiar o mensalão do PT e para o enriquecimento individual dos traidores da categoria, como Judas Teixeirinha e outros da direção central da ECT.
Eles têm que aprender que o trabalhador não é bobo e que o Sintect-MG não vai deixar isso passar em branco, visto que o sindicato é do peão e não do mensalão.