Por um partido operário
5 de junho de 2006
Nas eleições que serão realizadas dentro de aproximadamente 90 dias, a classe operária não pode esperar eleger um candidato que vá atender os seus interesses. Ao contrário, o candidato popular, o atual presidente Luís Inácio Lula da Silva, prepara, já durante as eleições, em comum acordo com a burguesia um ataque histórico contra as condições de vida dos trabalhadores na forma da chamada “reforma trabalhista”. Este é o candidato da preferência dos bancos, grandes industriais e dos partidos burgueses que dão as cartas nas eleições.
O que pode, nas eleições, servir aos interesses da classe operária é fazer avançar duas tarefas fundamentais: em primeiro lugar, utilizar a campanha eleitoral para preparar as massas trabalhadoras a resistir à ofensiva que a burguesia está preparando já nas eleições, através da candidatura de Lula, ou seja, a “reforma trabalhista”. Para a burguesia, é preciso criar a ilusão de que o governo possui, ainda, grande autoridade popular para colocar em marcha a reforma trabalhista, a reforma universitária e demais ataques de grande envergadura contra a população. A tarefa da burguesia e do PT é, neste sentido, em outras palavras, a de utilizar as eleições e o resultado das eleições para criar as condições políticas indispensáveis para o ataque contra a classe operária. Para a classe operária apresenta-se a mesma tarefa com o sinal inverso: preparar os trabalhadores, esclarecendo o problema, para a necessidade de se preparar para a luta contra a ofensiva em preparação na oficina política do governo Lula e da burguesia.
O segundo objetivo a ser perseguido nas eleições está intimamente vinculado a este. É preciso colocar em pauta, tanto do ponto de vista prático como do ponto de vista da propaganda, a luta pela construção de um partido da classe operária. Do ponto de vista prático imediato, a tarefa postulada é a de construir o PCO, fazer penetrar o seu programa mais profundamente e em mais amplos setores da classe operária, bem como fortalecer a consciência, a organização e a unidade prática, política e ideológica dos seus militantes; aumentar os seus efetivos militantes e de um modo geral fortalecer a sua organização partidária, mas, também, ao mesmo tempo, lançar amplamente na agitação e na propaganda a luta por um partido operário de toda a classe operária. Um partido socialista, revolucionário de massas. Um tal partido tem que ser, em grande medida, o resultado da consciência e da ação de amplos setores da classe operária e não apenas dos atuais militantes do PCO. Os militantes do PCO são a vanguarda consciente da classe operária, que defende um programa revolucionário e socialista e não abriga nenhuma ilusão na política e na ideologia da burguesia. Sendo assim, cabe a eles logicamente, a iniciativa política, programática, prática e ideológica na luta pela construção do partido da classe. No entanto, um partido de classe somente pode ser concebido como a fusão, através de uma prolongada luta política entre os elementos mais conscientes e ativos da classe, que baseiam a sua atividade sobre a teoria marxista (não conhecemos nenhum outro tipo de consciência) juntamente com os combates cotidianos da classe operária.
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