Especial CPMI dos Correios
Banco Rural e BMG doam dinheiro para o PT sob a cobertura do Banco Central
A título de “empréstimo”, banqueiros utilizam Marcos Valério para financiar a corrupção no PT e no governo federal para conseguir privilégios 8 de agosto de 2006
As denúncias de irregularidades na realização de contratos de prestação de serviços da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), trouxe à tona todo um esquema de corrupção que existia entre os dirigentes da empresa e uma elaborada rede de tráfico de influência na aquisição desses contratos.
Uma das empresas mais beneficiadas com o favorecimento nas licitações dos Correios, relativo aos contratos de publicidade, foram as empresa de Marcos Valério de Souza, entre elas a SMP&B Comunicação, a DNA Propaganda e a Grafitti Participações. As empresas ganhavam contratos de publicidade com a eliminação das demais concorrentes, o que era seguido sempre pelo superfaturamento do serviço.
Com o desenvolvimento das investigações, se verificou que os benefícios recebidos por Marcos Valério na aquisição de contratos com os Correios eram apenas a “ponta do iceberg” de um esquema muito maior de corrupção e de tráfico de influência.
Marcos Valério, neste esquema, funcionava apenas como uma peça de ligação entre o governo federal e banqueiros, que escondidos atrás do BMG e do Banco Rural, utilizavam as contas do publicitário para fazer “doações” ao Partido dos Trabalhadores e para demais partidos e parlamentares que eram indicados.
O esquema consiste em financiar o mensalão do governo Lula em troca de uma maior aproximação com o governo federal. Em troca, este deveria aprofundar ainda mais sua política de favorecimento aos banqueiros.
Os “empréstimos” que Delúbio Soares, da executiva nacional do PT, e Valério diziam realizar, eram na realidade uma transferência indiscriminada dos recursos dos bancos para atender as necessidades políticas do governo. As contas das empresas de Valério não passam de mera correia de transmissão do dinheiro.
Em nenhum momento houve o intuito do PT ou das empresas de Valério de quitar a dívida com o Banco Rural e com o BMG por vias legais. A dívida era quitada pela política econômica do governo Lula.
Em seu depoimento, Marcos Valério assume ter participado de reuniões entre o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e a diretoria do Banco Rural e do Banco BMG. Também afirma ter participado de reuniões entre a diretoria dos bancos e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sergio Cavalieiro, onde eram acertados o “relacionamento do Banco Rural com o Banco Central”. (Relatório Final da CPMI dos Correios).
Como é sabido, o Banco Central possui, como uma de suas funções, a tarefa de zelar pela estabilidade do sistema bancário, identificando focos de risco que podem afetar o funcionamento das instituições financeiras, evitando, desta forma, a ocorrência de prejuízos à sociedade.
Entretanto, apesar das fiscalizações realizadas entre os anos de 2003 e 2005 nas transações comerciais do Banco Rural e do Banco BMG, que apontaram para o “descumprimento das normas regulamentares que disciplinam a concessão de empréstimos, como, por exemplo, garantias insuficientes, renovações sucessivas e incapacidade de pagamento do devedor”, nenhuma medida foi tomada.
Marcos Valério, durante este período, “emprestou” cerca de R$ 55 milhões destes bancos, sem ter a mínima condição de efetuar o empréstimo e, o que é mais importante, sem dar a mínima demonstração de possuir o interesse em quitar a dívida, mesmo assim, sempre recebia novos créditos.
A relação do PT e de Lula com os banqueiros é a mais cabal demonstração de que este não é um governo dos trabalhadores. Ao contrário, é um governo controlado pelos setores mais parasitários da sociedade e que tem a função única promover o maior ataque já realizado contra a classe trabalhadora.
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