Plenária da CUT-Bahia
Plenária da Bahia evidencia a divisão da CUT
Matéria publicada no Jornal Causa Operária especial de 1º de maio , nº 405, de 30 de abril de 2005
Ocorreu em Salvador, no Ginásio dos Bancários nos dias 15 e 16 de abril a Plenária estadual da CUT-Bahia, quando se discutiu a pauta da Plenária Nacional da entidade, sendo que a discussão política mais importante foi sem dúvida o debate em torno da reforma sindical.
No ato de abertura, participaram diversas entidades e o Partido da Causa Operária foi convidado para participar da mesa de abertura, fazendo, através do seu representante, um pronunciamento contra a reforma sindical e um chamado para a construção de uma ampla mobilização política pela rejeição integral da “Carta del Lavoro” do governo Lula. Também participaram da mesa de abertura, entre outros, o presidente estadual do PT, Josias Gomes, que também é deputado federal e que fez proselitismo sobre as supostas “conquistas” do governo Lula e defendeu a reforma sindical feita pelos “sindicalistas” e o deputado Álvaro Gomes (PCdoB), logo após ocorreu um debate com a presença do PT e com a representante do PCdoB, Alice Portugal, que fez um ataque contra a reforma sindical como sendo “coisa do FMI”. Assim, já no início da plenária, começava a transparecer a oposição de setores cutistas contra a reforma sindical. No debate posterior através da sua delegação, o PCO denunciou o objetivo do governo em atacar os sindicatos através da chamada “pluralidade sindical” e os próprios delegados da Articulação Sindical afirmaram que não apóiam integralmente a reforma, apesar de defender “emendar” o projeto ao invés de rejeitar integralmente. Por sua vez, os militantes da CSC também atacaram a reforma sindical, e em diversos momentos também o governo Lula, o que evidenciou um deslocamento político muito importante.
No debate sobre a reforma sindical, um membro da direção da CUT e da CSC atacou a reforma sindical e rasgou o texto enviado pelo governo ao Congresso Nacional. Este fato promoveu uma comoção no plenário e é apenas uma demonstração da profunda crise no interior da CUT que provocou a reforma sindical.
Para finalizar, na plenária foi feito um debate contra a transposição do Rio São Francisco, quando um representante da CPT (pastoral da terra), afirmou que o governo Lula está mentindo sobre a real finalidade do projeto, e que de fato, os verdadeiros interessados no projeto são os grandes grupos econômicos e latifundiários, que tem como principal porta voz político o ministro Ciro Gomes.
Na eleição de delegados foram escolhidos 26 delegados, sendo 13 do bloco Articulação, CSD e MTM e sendo o outro bloco formado pela CSC, APS (antiga Força Socialista) e pelo PCO, que elegeu também 13 delegados.
Apesar da polarização política da plenária esta não expressou exatamente o grau de rejeição do movimento sindical baiano à reforma sindical, pois através de várias manobras burocráticas, como a dívida dos sindicatos em relação ao caixa da CUT, vários sindicatos que rejeitam a reforma não puderam enviar delegados à plenária, mas foi um importante passo na formação de um bloco de oposição que possa efetivamente derrotar a reforma no interior da CUT.
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