Sudão
ONU denuncia que milícias violentaram mulheres  

10 de abril de 2007

Segundo dados do relatório do Alto Comissariado das ONU para os Direitos Humanos, “as forças governamentais do Sudão e suas milícias recorreram ao uso de 'violência sexual generalizada' durante os ataques ocorridos em dezembro na região de Darfur, no oeste do país” (Agência EFE, 6/4/2007).
Como se não fosse de conhecimento público e, principalmente, de conhecimento da ONU e dos EUA, o relatório evidencia a violência e pede "rápida abertura de investigações imparciais e transparentes, com atenção especial às acusações de estupros e outras grandes vulnerabilidades da legislação internacional em matéria de direitos humanos" (idem).
O relatório detalha que enquanto algumas mulheres foram estupradas nas próprias aldeias, outras foram raptadas, violentadas e depois liberadas por pessoas que usavam uniformes militares. As vítimas descreveram os agressores como soldados. Para a ONU, "o estupro foi utilizada como uma arma de guerra para causar humilhação e gerar medo na população local" (idem).
A Alta Comissária da ONU, Louise Arbor levantou que os responsáveis devem ser legalmente punidos e que as vítimas, indenizadas. Entretanto, a ONU sempre fez vistas grossas ao genocídio que aconteceu. Apesar de estar presente no País, nunca interveio para conter o genocídio, o mesmo que aconteceu em Ruanda em 1994.
A mesma Louise Arbour já havia denunciado numa conferência de imprensa em Genebra, que “as mulheres dos campos de refugiados da região de Darfur são sistematicamente estupradas por rebeldes e que as autoridades sudanesas não garantem a segurança” (Portugal Diário , 11/5/2006). Na realidade, as próprias autoridades sudanesas são as responsáveis pelos estupros pois os janjaweed, milícias do governo sudanês para dizimar os zurgas (crioulos). “Estão aterrorizadas (...) Os homens não podem sair dos campos porque os matam. A única maneira de fazer entrar as famílias é com a saída das mulheres, que são violadas e agredidas sexualmente”, “o nível das agressões sexuais que sofrem as mulheres não baixou e está fora de controle” (Idem). A própria comissária ainda falou que os estupros são realizados pelos militantes das milícias árabes pró-governamentais Janjaweed.
Para “conter” a violência, há dez anos, uma força inter-africana de 7.500 homens, "Missão Africana no Sudão (African Mission in Sudan-AMIS)" foi deslocada para Darfur. Entretanto, a força se revelou ineficaz pois seus efetivos eram fracos demais pois seriam necessários pelo menos 30 mil homens para cobrir os 500 mil km2 de Darfur.
Na realidade, a ONU nunca declarou que o que aconteceu no País foi um genocídio, a pesar de cerca de 400 mil pessoas terem sido mortas. Apenas fez a figuração de madar a AMIS mesmo sabendo que ela nunca daria conta de conter o massacre e nem poderia pois, a AMIS, sub-equipada, dispõe de um mandado restritivo, ou seja, “os soldados não têm o direito de efetuar patrulhas ofensivas. Eles devem se limitar a “negociar” e se contentar com a contagem dos mortos. (...) Os soldados africanos [da AMIS], desolados, declaram entre si: “Não servimos para nada” (Le Monde Diplomatique, março de 2007)
Para se ter uma noção da crise, dois milhões de pessoas abandonaram a região de Darfur (noroeste do Sudão) desde 2003, e 250 mil desde agosto de 2006. O vizinho Chade desestabilizou-se com a chegada de 250 mil refugiados. As equipes humanitárias das Nações Unidas e de organizações não-governamentais (ONGs) tiveram de mudar 31 vezes a localização de suas bases para escapar à violência. Mesmo assim muitos de seus agentes foram presos pela polícia sudanesa e espancados. Doze trabalhadores humanitários foram mortos ao longo dos massacres e outros cinco estão desaparecidos.