América Latina
Astronomia já têm de 30 a 40% de mulheres

15 de abril de 2007

”Foi necessário esperar quase um século para ver as mulheres adquirindo uma quase-paridade econômica e acadêmica com os colegas masculinos”

As mulheres na Astronomia já são de 30 a 40% na América Latina. Na Espanha, França e Itália, o número também é grande. No Brasil, a primeira mulher a ser astrônoma foi Yeda Veiga Ferraz Pereira, que trabalhou no Observatório Nacional, na década de 1950.  O impulso para a carreira no País veio a partir de 1980 com a criação dos cursos de astronomia na Universidade do Brasil e o maior incentivo à pesquisa astronômica.

As primeiras mulheres na astronomia, segundo os registros mais antigos, devem ter sido por volta de 6.000 anos a.C. Mas tem-se apenas registros exatos de 2300 a.C., que confirmem a participação de uma mulher nesta área. Teria sido, En-Hedu-Anna, na dinastia do imperador babilônico Sargão I (2334-2279), da Acádia.

As tábuas com os seus conhecimentos sobre astronomia desapareceram, só restaram os seus poemas.

Assim como outros cientistas, as mulheres também foram vítimas da igreja. A astrônoma, matemática e filósofa Hipátia (370-415 d.C), residente em Alexandria, Egito, foi assassinada,  por uma multidão de cristãos fanáticos, formados por monges e seguidores do bispo Cirilo, acusada de paganismo.

Segundo documentos históricos, as mulheres começaram a se desenvolver nesta área a partir de 1600, mas na sombra dos homens, pai, irmão ou cônjuge cientistas a quem ajudavam em seus trabalhos, colaboravam na redação, nos cálculos e nas classificações. Muitas, prosseguiram as pesquisas e as tarefas dos seus maridos, depois da morte destes.

Exemplo disso é Caroline Herschel (1750-1848), que se especializou no polimento dos espelhos dos telescópios construídos pelo seu irmão, William Herschel, músico e astrônomo inglês de origem germânica, descobridor do planeta Urano - para ajudá-lo. Caroline descobriu um cometa em 1786, o primeiro dos nove que descobriu em onze anos. Ela foi a primeira mulher a receber uma remuneração pelos seus trabalhos.

Fairfax Grieg Somerville (1780-1872), liderou as primeiras lutas “feministas” de seu tempo, a favor dos direitos das mulheres. Somerville ficou famosa por traduzir para o inglês a obra Traité de mécanique celeste (Tratado de mecânica celeste, 1799-1825) do matemático e astrônomo francês Pierre Simon de Laplace (1749-1827).

Na segunda metade do século do XIX, nos Estados Unidos, as astrônomas dedicaram-se à astronomia de posição, à astrofotografia, à fotometria e, mais tarde, especialmente, à espectroscopia.

Nesta mesma época, as mulheres começaram a ensinar a astronomia. Maria Mitchell (1818-1889) o fez a partir de 1876.

Segundo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão. Astrônomo, criador e primeiro diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins, “foi necessário esperar quase um século para ver as mulheres adquirindo uma quase-paridade econômica e acadêmica com os colegas masculinos” (Paraná online, 15/4/2007).

Um astrônomo norte-americano Edward Charles Pickering (1846-1919), diretor do Observatório de Harvard, cercou-se de uma equipe feminina que contava com Henrietta Swan Leavitt (1868-1921), que estabeleceu a relação período-luminosidade das Cefeídas através da qual foi possível conhecer as distâncias das galáxias, portanto, do universo.

O interessante é que Henrietta deveria ter recebido o prêmio de Nobel, em 1925. Entretanto, quando a Academia das Ciências da Suécia anunciou que iria propor seu nome, descobriu-se que ela já havia falecido há quatro anos, pois a sua morte quase não teve nenhuma repercussão.