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Europa
Tráfico de mulheres é realizado por organizações de extrema-direita
16 de maio de 2007
Quem denuncia é Antonio Salas, pseudônimo de um jornalista espanhol que durante um tempo participou como infiltrado em organizações de skinheads portuguesas.
O jornalista é autor do livro Diário de um Skin onde relata pormenorizadamente o funcionamento destas organizações em Portugal.
Salas descreve em capítulo de seu novo livro que as organizações de extrema-direita são responsáveis pelo tráfico de mulheres. Na Europa, Portugal é uma porta de entrada importante para as mulheres que vêm principalmente das antigas colônias africanas e do Brasil.
O jornalista, depois que saiu da organização skinhead, mudou de identidade, de aspecto e infiltrou-se, durante mais de um ano, nas máfias internacionais do tráfico de mulheres e adolescentes para a exploração sexual. “Portugal, infelizmente, é uma das portas de entrada na Europa usada pelas máfias que importam carne humana, quanto mais jovem melhor, para satisfazer os apetites sexuais dos homens honrados europeus” (Portugal Diário, 14/5/2007).
Para se ter uma noção, Mário Machado, porteiro-segurança de um dos bordéis de Lisboa é líder do grupo hammerskins e dirigente da Frente Nacional. Machado já foi preso por agressões a negros, posse ilegal de armas, difusão de ódio, incitação à violência e discriminação racial. Machado é um importante representante dos skinheads europeus. No ano passado, Machado deu uma declaração onde afirmava que “desde a fundação da Frente Nacional, dois anos antes, o movimento skinhead em Portugal teria crescido 400%. Baseando-se nas estatísticas do Fórum Nacional, Machado assegura que 49% dos militantes são menores de 21 anos e que já existem 15 mil eleitores do Partido Nacional Renovador [o mesmo que colocou recentemente um cartaz contra a imigração] que, contudo, aspira chegar aos 50 mil” (idem).
Além de Machado, José Luís Roberto, um veterano espanhol de ultradireita, é fundador de uma associação de bordéis cujas mulheres, cerca de 95%, são provenientes da África e da América Latina.
Segundo Salas, alguns dos partidos políticos espanhóis de extrema-direita com os quais os skin portugueses têm colaborado, “cujas manifestações contra a imigração têm apoiado, a cujos comícios políticos têm assistido, em cujos concertos de música cantaram as mesmas palavras de ordem racistas e nacionalistas, são os que movem os cordéis desse negócio de sexo, que se alimenta em 95 por cento das mesmas imigrantes negras, sul-americanas ou árabes que tanto abominam” (Diário de Notícias,14/5/2007).
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