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Discriminação
Mulheres negras são as que mais sofrem com o sistema de saúde pública
18 de maio de 2007
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “o risco relativo de morte materna é 7,4 vezes maior entre as mulheres negras.” (A Tarde on line, 13/5/07)
Para a psicóloga Maria de Oliveira, autora do estudo Saúde da População Negra, do Brasil-Império aos Dias de Hoje: Uma História de (In)definições de Políticas Públicas, as mulheres negras "têm acesso tardio ao pré-natal, dificuldades em encontrar vagas nas maternidades na hora do parto e problemas no atendimento durante e após o parto" (idem).
Os dados são alarmantes. Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 2004, 46,3% das mulheres negras com mais de 25 anos nunca haviam sido submetidas a exame clínico de mamas
De acordo com a Secretaria Especial de Políticas de Igualdade Racial (Seppir), o percentual de pessoas que consegue atendimento médico é substancialmente maior entre os brancos (83,7%) que entre os negros (69,7%). Também o número de consultas que cada pessoa faz por ano é maior no caso das pessoas brancas (2,29) do que nas negras (1,83%).
Para Lúcia Xavier, integrante da organização não-governamental (ONG) Criola, citando estudo realizado em 2003, que aponta o número de gestantes negras que não recebem anestesia no parto sendo duas vezes maior do que o de gestantes brancas, “as parturientes acabam recebendo até menos anestesia, porque se acredita que as mulheres negras seguram mais a dor. Então, a seleção de quem vai receber uma medicação, independente de ser uma prescrição, tem a ver também com o olhar que se tem sobre a mulher negra. Os exames que são necessários acabam não rolando, porque há um certo nojo, um certo desprezo pela pessoa” (idem).
Nas funções em que se exigem alguns atributos físicos, como no comércio, a presença de brancas chega a ser cinco vezes maior do que a de negras, como revela pesquisa da Casa da Cultura da Mulher Negra, de Santos. Nos cargos de chefia, a presença de trabalhadoras negras é quase uma miragem.
É inegável que as condições de vida da população negra - e, dentro dela, a das mulheres negras - são bastante rebaixadas no país. Somando-se à luta do conjunto das mulheres, às negras cabem algumas reivindicações específicas:
- Igualdade de oportunidades no mercado de trabalho;
- Fim dos critérios racistas para a contratação de pessoal;
- Fim de todo o tipo de discriminação racial;
- Salários iguais para funções iguais!
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