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Egito
Assédio sexual atinge um terço das mulheres diariamente
1º de abril de 2007
40% dessas mulheres são assediadas através de contato físico e 38% sofrem com os assédios verbais
Dados preliminares de uma pesquisa realizada pelo Centro Egípcio pelos Direitos da Mulher revelou que cerca de um terço das mulheres que vive no Egito sofre, diariamente, com o assédio sexual. O levante entrevistou 1.082 mulheres egípcias e estrangeiras que vivem no País e constatou que 40% dessas mulheres são assediadas através de contato físico e 38% sofrem com os assédios verbais. A responsável pelas relações internacionais do centro, Rebecca Chiao, mostrou-se impressionada com os números: “Ficamos surpresas quando descobrimos a freqüência com que o contato físico ocorre. Esperávamos que a forma mais comum de assédio fosse verbal, mas a incidência de exposição indecente e contato físico em formas mais extremas é ainda maior”, (BBC Brasil, 30/3/2007).
Um outro dado obtido pela pesquisa é que os assédios, como se pensavam, não são cometidos apenas com as mulheres que não usam o véu ou a nikab (burca). “Muitas pessoas imaginam que as maiores vítimas de assédio são mulheres que vestem roupas mais sugestivas e não aquelas com véu ou nikab, mas o fato é que algumas mulheres que usam nikab foram assediadas a tal ponto que queriam registrar queixa na polícia e participar de protestos organizados por nós contra assédio sexual”, afirmou Rebecca Chiao (idem). O estudo ainda conclui que o perfil das mulheres assediadas varia quanto à idade e classe social. Os homens também não apresentam um perfil específico, segundo a pesquisa. Entretanto, é notório que as mulheres negras e pobres são bem mais discriminadas e conseqüentemente bem mais violentadas.
Em relação aos locais onde ocorrem os assédios, o levante informa que 38,9% ocorrem nas ruas, 37,8% em locais públicos em geral e 12,8% dentro dos transportes públicos. Os pesquisadores também levantaram a questão da falta de auxilio jurídico às vítimas. “As poucas mulheres que resolvem registrar queixa na polícia contra seu agressor, na maioria das vezes, ou não são levadas a sério, ou o policial evita abrir uma ocorrência para não prejudicar o agressor junto à família dele”, diz o relatório (Idem).
Apesar do reconhecimento oficial de que a mulher é vítima de discriminação na sociedade, não existe uma política de defesa específica da população feminina. Mesmo debaixo de uma pesada carga de agressões sofridas todos os dias nos mais diversos aspectos da vida cotidiana, o Estado não fornece nenhum tipo de legislação especial para o tratamento das agressões e preconceitos sofridos pelas mulheres. Por isso deve ser criada uma política especifica voltada para as mulheres, com os julgamentos que envolvem crimes contra mulheres sejam realizados por profissionais do sexo feminino.
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