Rio de Janeiro
Apenas 0,6% dos casos de estupro foram atendidos em Instituto especializado em aborto legal

22 de maio de 2007

Apesar dos 8.758 casos de estupros registrados no período de 2000 a 2006, o Instituto Municipal da Mulher Fernando Magalhães no estado do Rio, que tem o dever de cumprir a lei que autoriza a interrupção da gestação em casos de estupro, atendeu no mesmo período apenas 50 casos. Segundo Anna Christina Willemses, chefe do Serviço de Tocoginecologia “a realidade do Instituto é de medo, depressão e revolta, misturadas à angústia de esperar um filho indesejado” (O Globo, 20/5/07).

O ínfimo número de atendimentos do Instituto do Rio de Janeiro é uma realidade mais feroz do que se imagina. De acordo com a pesquisa feita pelo Ibope para a ONG Católicas pelo Direito de Decidir, 48% dos brasileiros desconhecem as situações em que o aborto pode ser feito legalmente.

O desconhecimento da lei que autoriza o aborto é produto, principalmente, da pressão moral das religiões sobre o Estado capitalista que apesar de se dizer laico representa um entrave na evolução dos direitos democráticos da mulher.

Marta Cristina Tenório, assistente social do programa de atendimento às mulheres vítimas de violência sexual do Hospital Regional da Asa Sul (HTSA) em Brasília, relata que “para trabalhar nesse programa, você tem que estar destituído de toda convicção moral. Sou católica, casada, tenho três filhos. Não estou aqui para julgar ninguém, mas para prestar assistência. Para quem está lá fora, é muito fácil julgar. Essa moral cai por terra quando ocorre com alguém da família” (O Globo, 20/5/07).

Segundo levantamento do Hospital Pérola Byington, hospital com maior programa de aborto legal no País, realizado entre 2005 e 2006 de uma total de 140 casos de aborto legal, 48,1% das mulheres se declararam católicas; 29,2%, evangélicas; 4,5, espíritas, 0,9 protestantes; 1,8% simplesmente cristãs; e 9% sem religião. Para a psicóloga do Pérola Byington, Daniela Pedroso, “o fato é que, independentemente da religião, a mulher vítima de violência entende o aborto como sua melhor opção” (idem).