Rio de Janeiro
Mais da metade das vítimas de lesão corporal são mulheres

2 de abril de 2007

58% das vítimas de lesão corporal dolosa são mulheres. Com relação à violência doméstica, o índice sobe para 86,9%.

De acordo com Dossiê da Mulher - 2, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) com dados do Sistema Operacional de Controle (SOC), do Grupo Executivo do Programa Delegacia Legal, referente aos números obtidos em 2006, no Estado do Rio de Janeiro, 58% das vítimas de lesão corporal dolosa são mulheres. Com relação à violência doméstica, o índice sobe para 86,9%.

A diretora-presidente do ISP, Ana Paula Mendes de Miranda, informou que entre os anos de 2005 e 2006, o número de vítimas femininas de lesão corporal dolosa subiu 56,9% do total. Em 2005, foram registradas 2.149 vítimas de atentado violento ao pudor, 75.229 de lesão corporal e 64.921 foram ameaças. No ano de 2006, esses números tiveram uma queda: 1.922 vítimas de atentado violento ao pudor, 73.506 de lesão corporal e 61.800 sofreram ameaças. Mesmo apresentando essa queda entre os dois anos, a porcentagem de vítimas do sexo feminino ficou em 66,2%, 58,8% e 61,2% respectivamente, ou seja, as mulheres cariocas sofrem bem mais com esses tipos de violência, principalmente os atentados violentos ao pudor (AVP).

Também foi feito um levante sobre o perfil das vítimas: “74,4% eram mulheres solteiras, 52% eram de cor "parda" ou "preta" e 62,5% tinham até 17 anos. Crianças de até 11 anos representavam 40,1% e adolescentes entre 12 e 17 anos, 22,4% do total”  (MSN notícias, 30/3/2007), e em 65,5% dos casos, as vítimas conheciam seus agressores, onde 30,7% eram pais, padrastos ou parentes delas.

Um dos casos detalhados na pesquisa foi a violência doméstica, que antes estava incluído nos casos de lesão corporal dolosa. Cerca de17% dos delitos cometidos são casos de violência doméstica. O perfil das mulheres que sofreram esse tipo de agressão foi: “61,5% tinham idade entre 25 e 44 anos, 48% eram "brancas" e 51,2% "pardas"; 50,5% das vítimas eram casadas ou separadas e 46,8% eram solteiras” (idem). Quanto aos agressores, a grande maioria (87,3%) eram companheiros ou ex-companheiros e os demais (8,9%) familiares.

Entre as mulheres ameaçadas, elas apresentavam o seguinte perfil: 57,1% tinham idade entre 25 e 44 anos, 52% eram brancas e 50,5%, solteiras. As ameaças eram cometidas, quase que na metade dos casos (45,5%), por companheiros ou ex-companheiros e 10,1% foram ameaçadas por familiares ou pessoas próximas.

A violência doméstica é uma das mais graves formas de opressão contra a mulher. Como não há nenhum interesse pelos governos de resolver esta questão tão importante para a mulher, passam-se os anos e os dados, ao invés de mostrarem uma melhora na situação, revelam a acentuação das agressões contra a mulher dentro de casa.