"Não é criminoso, tem bom gosto”
Cantor e vereador em São Paulo defende turismo sexual no Brasil

31 de março de 2007

“Hoje as meninas de 16 anos botam silicone, ficam popozudas, põem uma saia curta e provocam. Aí vem o cara, se encanta, vai ao motel, transa e vai preso? Ninguém foi lá à força. A moça tem consciência do que faz”, afirmou o cantor, para quem o visitante que vem ao País atrás de sexo "não é criminoso, tem bom gosto”(Agência Estado, 30/3/2007). Esta foi a declaração do cantor e vereador Agnaldo Timóteo (PR) no Plenário da Câmara de vereadores nesta quinta-feira, 29/3.
O cantor, para combater a proposta da ministra do Turismo, Marta Suplicy de combater o turismo sexual, disse ainda que “não é possível prender os homens que ´se encantam´ com a beleza das brasileiras” (idem), afirmando ser uma frescura e uma demagogia.
Agnaldo Timóteo chegou até a perguntar a uma vereadora do PT do Estado “com quantos anos a colega tinha tido a primeira relação sexual” (idem).
Para o cantor, as meninas que são jogadas na prostituição por conta da situação de crise em que vivem suas famílias que não tem como sustentá-las, mas ao contrário, elas é que tem que contribuir com o sustento da família, tem plena consciência do que estão fazendo.
Não é à toa que o Nordeste é a região com maior número de municípios onde ocorre a prostituição infantil, 31,8% das cidades citadas. Pernambuco lidera o ranking nordestino com setenta.
Quase vinte de cada cem cidades brasileiras convivem com o crime sexual infantil. Na contabilidade precisa, são 937 dos 5.551 municípios do país. A lista inclui desde paraísos do turismo sexual, como Rio de Janeiro e São Paulo (Sudeste) e Fortaleza (Nordeste), a lugarejos como Xexéo, uma cidadezinha de quinze mil habitantes a oitenta quilômetros de Recife, em Pernambuco, ou Pacaraima, de apenas oito mil moradores, em Roraima, no extremo Norte do Brasil.
A prostituição infantil está presente em cerca de 16,88% dos municípios brasileiros, fruto da miséria a que estão submetidas a maioria destas meninas.
Para se ter uma idéia do “combate” que é dado ao problema, se continuar nesse mesmo ritmo, o Brasil conseguiria atingir seus objetivos de reduzir a incidência de casos de prostituição infantil apenas no ano de 3640, segundo estimativas da ONU.
O que o cantor não sabe (ou faz de conta que não), é que há diversas denúncias de crianças e adolescentes que se prostituem para conseguir comer, como o caso denunciado no Amazonas de que três garotas de seis, 11 e 13 anos estavam sendo abusadas sexualmente por vizinhos há mais de um ano em troca de comida na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, na Zona Rural de Manaus.
A indústria da prostituição é uma das mais rentáveis do sistema capitalista, perdendo só para o tráfico de drogas e de armas.
A ameaça da AIDS estimula a prostituição precoce e a virgindade das meninas é uma das garantias contra a contaminação.
A exploração sexual da mulher é tida como um direito pela sociedade burguesa, desde que seja remunerada e nela estão envolvidos membros de todas as esferas de poder, por isso, ao invés de diminuir, o quadro se torna cada vez mais grave.