Prostituição Infantil - PB
Vereadores e empresários indiciados fogem

4 de abril de 2007

“Por cada programa era cobrado um preço que variava entre R$ 20 e 100, onde Danyelle recebia a maior parte, entregando o restante para a adolescente que se submetera ao encontro sexual”

O Juiz de Direito da 2ª Vara de Sapé, Antonio Carneiro de Paiva, após ter recebido denúncia do Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria de Justiça da cidade, expediu, nessa segunda-feira, 2, os mandatos de prisão preventiva de dois vereadores (um deles presidente da Câmara dos vereadores de Sapé), de três empresários, de uma estudante e da mãe da jovem, por serem acusados de participarem de uma rede de prostituição infantil nos municípios de Sapé e Mari.

O interrogatório dos acusados havia sido marcado para a próxima quarta-feira, 4, mas segundo o delegado responsável pelo caso, Murilo Terriel, a prisão não foi possível graças à publicidade dada ao caso: “Como o pedido de prisão preventiva se tornou público, todos os acusados fugiram”, afirmou (Correio da Paraíba, 3/4/2007). Entretanto, a prisão dos acusados pode ser efetuada a qualquer instante, “numa batida de rotina da polícia ou mesmo fruto de denúncia, uma vez que são figuras públicas", completou (idem).

Os acusados são: o presidente da Câmara Municipal de Sapé, Antônio João Adolfo Leôncio, o Vereador Robson Guedes Vasconcelos, os empresários Erinaldo Francisco do Nascimento, proprietário do motel “Pousada Happy Day” e Romildo Martins dos Santos, dono do motel “Pousada Paraty”, o comerciante Moacir Viegas Filho, a estudante Danyelle Silva de Carvalho, de 19 anos e sua mãe, Lúcia de Fátima Silva de Carvalho.

No caso da jovem e sua mãe, elas são acusadas de submeter crianças e adolescentes à exploração sexual. Já os empresários, além de incorrerem no mesmo crime, foram acusados de estupro presumido e corrupção de menores, junto com os vereadores. Alem desses, o ex-prefeito do município de Mari, Severino Pereira de Oliveira, foi denunciado por crime de corrupção de menores.

Segundo as investigações da polícia civil em conjunto com a Promotoria de Sapé. “Por cada programa era cobrado um preço que variava entre R$ 20 e 100, onde Danyelle recebia a maior parte, entregando o restante para a adolescente que se submetera ao encontro sexual”, afirmou a promotora de Justiça Fabiana Lobo (idem).

O Nordeste é a região com maior número de municípios onde ocorre a prostituição infantil. A indústria da prostituição do sistema capitalista, perde só para o tráfico de drogas e de armas. O envolvimento de pessoas das mais diversas esferas do poder político, judiciário e policiais, é que impede que o problema seja resolvido pois envolve um lucrativo comércio.