Impasse do governo Lula nos Correios
Pressão dos trabalhadores impede novamente a quebra do monopólio postal

18 de novembro de 2005

Nesta quinta-feira, trabalhadores dos Correios de diversos estados do País realizaram uma grande manifestação em Brasília contra a quebra do monopólio postal da ECT, que estava em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
O julgamento da ação movida pela Associação Brasileira de Empresas de Distribuição (Abraded) em novembro de 2003 foi novamente adiado devido à pressão dos trabalhadores e a perda de autoridade do governo Lula para impor à quebra do monopólio postal.
Novamente, a mobilização da corrente Ecetistas em Luta foi responsável por garantir a presença de um grande número de trabalhadores das bases dos sindicatos dirigidos pela corrente e das principais oposições em nível nacional nas manifestações.
Durante todo o dia, a manifestação dos trabalhadores mostrou o repúdio a categoria à medida que abre caminho para a privatização da Empresa e a abertura da concorrência com os maiores interessados na quebra do monopólio postal, os abutres estrangeiros, as grandes empresas como Fedex, DHL e UPS que estão de olho no lucrativo mercado postal brasileiro.
A juíza Ellen Gracie pediu vista do processo, adiando o julgamento decisivo para até fevereiro do ano que vem, ficando sem data marcada em virtude do recesso forense que se aproxima.
No Supremo, até o momento, há três votos contra a ação e um a favor. Os ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa e Cezar Peluzo votaram a favor do monopólio e Marco Aurélio, pela abertura do mercado. (Agência Brasil, 17/11/05)
A imprensa capitalista apressa-se em dar como favas contadas a quebra do monopólio mesmo diante da evidente crise que se instaurou no governo e nos Correios. A Folha Online acrescenta às informações divulgadas pela Agência Brasil que, além dos dois votos contrários e um a favor, existem “dois votos pela procedência em parte, o que, na prática, favorece as empresas privadas” (Folha Online, 17/11/05).
Trata-se de uma tentativa de enganar a população disseminando a falsa idéia de que a aprovação da quebra do monopólio postal estaria a um passo de ser concluída. Que longo passo! O julgamento foi adiado pela terceira vez este ano e, provavelmente só será feito no início do ano que vem. A Folha de S. Paulo não consegue, ou não quer, explicar porque é tão difícil quebrar o monopólio postal da ECT.
A categoria dos Correios realizou a pouquíssimo tempo sua maior greve nos últimos 10 anos, paralisando quase totalmente os 108 mil trabalhadores em todo o país. A quebra do monopólio postal vai prejudicar não só o conjunto dos funcionários da ECT como a população que perderá com isso o direito a um Correio público e de qualidade.
Além disso, a enorme crise que se abateu sobre o governo iniciou-se justamente com as denúncias de corrupção dentro dos Correios. A tentativa de aprovar a quebra do monopólio postal e, portanto, a abertura da concorrência com os Correios, vem à tona no pior momento do governo, em que Lula já não dispõe de tanta autoridade para sustentar tamanho ataque aos trabalhadores e ao povo brasileiro.