Corrupção na ECT
CPI confirma que dinheiro desviado da ECT foi para financiar o mensalão

A CPI dos Correios concluiu seu relatório sobre o caso de corrupção na ECT, onde afirma que o superfaturamento nos Correios existe desde o governo FHC, pedindo o indiciamento de dois ex-presidentes da estatal

28 de novembro de 2005

A CPI dos Correios apresentou na última terça-feira um relatório concluindo que o superfaturamento de contratos nos Correios é uma herança do governo Fernando Henrique Cardoso.
A CPI pediu o indiciamento de 14 pessoas, entre elas Hassan Gebrin, ex-presidente dos Correios no governo de FHC e João Henrique de Almeida, que ocupou o cargo no início do governo Lula. Segundo a sub-relatoria de contratos da comissão, o grupo age desde 2000 na estatal.
O relatório aponta indícios de tráfico de influência do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, que nomeou diretores dos Correios, mas o sub-relator José Eduardo Cardozo, também do PT, não pediu seu indiciamento, alegando que a investigação não foi concluída.
Um dos sócios da empresa Skymaster, Luiz Otávio Gonçalves, procurou Pereira pedindo sua interferência para a prorrogação do contrato.
A comissão quer as provas para confirmar que os R$ 30 milhões sacados em dinheiro nas contas da Skymaster foram usados no pagamento do mensalão.
O prejuízo do superfaturamento para o governo federal foi de R$ 64 milhões, segundo a CPI. A sub-relatoria acusou os sócios das empresas aéreas Skymaster, da Skycargas, da Beta, da Aeropostal e representantes da Quintessential e da Forcefield de superfaturamento de contratos com remessa de divisas ao exterior, falsidade ideológica, formação de quadrilha, tráfico de influência e fraude à licitação.
Pelos cálculos da sub-relatoria, o prejuízo diário do governo federal com o superfaturamento nos serviços prestados pela Skymaster aos Correios atingiu R$ 24,7 milhões entre dezembro de 2001 e dezembro de 2002 - final do governo FHC. Entre dezembro de 2002 e dezembro de 2003 - início do governo Lula - o superfaturamento atingiu R$ 21,2 milhões.
A CPI pediu ao Ministério Público o bloqueio dos bens dos dirigentes da Skymaster e o ressarcimento dos prejuízos ao governo. Na próxima semana, os parlamentares votam o relatório.
A CPI apurou que os períodos de superfaturamento dos contratos nos Correios coincidem com o maior volume de remessas de dinheiro da Skymaster para o exterior.
Desde 2000, a Skymaster remeteu R$ 69 milhões para as empresas que arrendavam aviões Forcefield e Quintessential. Ambas têm sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens. O deputado Cardozo diz que no dia da aprovação da CPI, a Skymaster enviou R$ 4,3 milhões ao exterior.
Outra conclusão da comissão é que os arrendamentos são, na verdade, aquisições fraudulentas de aviões. O valor que a Skymaster pagava pelo suposto arrendamento de aeronaves é 10 vezes superior ao estipulado pelo Departamento de Aviação Civil (DAC). Um dos aviões operados pela Skymaster não é registrado no DAC.
A crise nos Correios que se abriu com as denúncias de corrupção da direção da empresa tende a sair do controle da burguesia. As sucessivas denúncias de corrupção transformaram com uma velocidade muito grande a crise nos Correios na maior crise do governo Lula.
Somente os trabalhadores é que têm condições de apurar todas as denúncias de corrupção envolvendo a ECT e são os únicos beneficiados com uma investigação que chegue à verdade dos fatos. Nenhuma CPI jamais esteve a serviço da população quando instaurada, trata-se apenas de um mecanismo de auto-regulação do Estado para administrar uma crise inevitável.
Nos Correios, onde a corrupção e o tráfego entre os sucessivos governos e a estatal nunca foram segredo de ninguém, é necessário que os próprios trabalhadores assumam a direção das investigações. É necessário a formação de uma comissão nacional dos trabalhadores dos Correios para apurar todas as denúncias, com acesso a todos os documentos necessários para esclarecer a população e restituir à categoria do prejuízo causado por uma administração que não tem o menor interesse nas necessidades da ampla maioria do povo brasileiro.

Veja aqui os 14 indiciados pela CPI dos Correios:

OsHasssan Gebrin
Ex-presidente da ECT

João Henrique Almeida
Ex-presidente da ECT

Maurício Madureira
Ex-diretor da ECT

Carlos Augusto Lima
Ex-diretor da ECT

José Garcia Mendes
Ex-diretor da ECT

Antônio Morato Leite
Presidente da Beta

Sérgio Vignoli
Sócio da Aeropostal

Roberto Kfouri
Sócio da Aeropostal

Luiz Otávio Gonçalves
Sócio da Skymaster

João Marcos Pozzetti
Sócio da Skymaster

Kesia do Nascimento
Quintessential do Brasil

Hugo César Gonçalves
Presidente da Skymaster

Jayme Louzada
Diretor da Skycargas

José Tomaz Simioli
Diretor da Skycargas