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Mensalão
Governo Lula corre para encobrir a corrupção nos Correios
Diante de sua maior crise política, como forma de impedir o desenvolvimento das denúncias encaminadas à CPI dos Correios, o governo Lula partiu para um boicote aberto à CPI para impedir as investigações, onde o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, conduz a “operação-abafa” vetando o acesso a documentos importantes para a conclusão das investigações
30
de novembro
de 2005
Um dos maiores motivos da insatisfação dos parlamentares tanto de oposição quanto da base aliada é a resistência do Ministério da Justiça em entregar à CPI dos Correios os documentos obtidos junto à Promotoria de Nova Iorque a partir da quebra do sigilo da conta Dusseldorf, do publicitário Duda Mendonça, nas Bahamas. Os dados já foram enviados para o Brasil e estão nas mãos da Polícia Federal, do Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça e do Ministério Público.
Um dos episódios constantemente citados pelos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito como exemplo da má vontade de organismos oficiais foi o envio de dados errados pelo Banco do Brasil, em que apareciam depósitos nas contas do deputado José Dirceu (PT-SP), do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e do ex-presidente nacional do PT José Genoino.
Está claro que há uma operação para tentar desacreditar a descoberta de que pelo menos R$ 10 milhões de recursos públicos do BB foram parar no caixa 2 operado pelo empresário Marcos Valério para o PT. Esses recursos saíram da Visanet, que administra o cartão Ourocard do Banco do Brasil, para abastecer o mensalão.
A estratégia do governo para tentar inviabilizar as apurações da comissão ficou clara a cerca de duas semanas, quando o governo não poupou esforços para “convencer” deputados a retirarem suas assinaturas do requerimento que prorrogou o funcionamento da comissão até abril de 2006, numa operação onde foram distribuídos entre os parlamentares e ministro mais de R$ 673 milhões. No entanto, mesmo com a abertura do cofre, Lula não conseguiu enterrar a CPI dos Correios que pode continuar até junho de 2006.
Nenhuma CPI jamais esteve a serviço da população quando instaurada, trata-se apenas de um mecanismo de auto-regulação do Estado para administrar uma crise inevitável.
O processo de CPI, um acordo com todos os parlamentares no Congresso Nacional para isentar os partidos burgueses culpados de seus crimes, funciona também como espaço para acobertar os assuntos mais venenosos contra os políticos corruptos e exploradores da população.
O fato do PT e do governo Lula estar boicotando a CPI dos Correios revela que, mesmo sendo um mecanismo construído para acobertar a corrupção onde o próprio presidente da CPI é do PT, o governo não consegue mais ter o controle da CPI para encobrir os escandalosos crimes de corrupção, inerentes ao regime político burguês.
A crise do governo Lula e do PT é ao mesmo tempo uma crise do regime político em seu conjunto, ao passo que a burguesia está perdendo o controle da situação no país, como demonstra o caso do boicote do governo à CPI dos Correios.
Desta forma, esta crise assinala uma nova etapa política no país, onde o movimento operário começa a sair do refluxo e se levantar contra o governo de frente popular de Lula e do PT e contra o regime político, como têm demonstrado as greves que cada vez aumentam nas diversas categorias de trabalhadores.
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