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Prenúncio de tempestade
13 de setembro de 2006
As eleições são o terreno político mais bem guardado pela burguesia. No entanto, o regime político burguês encontra-se sob tal pressão que é incapaz de realizar verdadeiras eleições.
Poucas vezes na história nacional, viu-se uma farsa eleitoral tão evidente e tão grotesca. O caráter evidente da farsa é, em si mesmo, um sinal inequívoco de agravamento da crise política. Este pormenor demonstra que o controle da classe que deveria controlar todo o processo político está dando sinais claros de esgotamento.
A farsa mostra-se no seguinte fato: no momento em que o regime político, ou seja, todos os seus partidos e instituições estão em plena decomposição tanto pela política de ataques às condições de vida das massas populares como pelos inumeráveis escândalos de corrupção, as eleições mostram que, do presidente da República aos governadores, na maioria dos estados, todos estão para serem eleitos no primeiro turno com altíssima vantagem sobre os seus concorrentes!
O grande acordo político para eleger estas pessoas odiadas pelo povo, um verdadeiro complô contra o povo brasileiro e as próprias eleições, conta com a participação temerosa de toda a classe capitalista.
É obrigatório destacar o papel da candidata presidencial do PSol neste complô. Apoiada desde os momentos preparatórios pelos partidos da direita como PSDB e PFL, que a colocaram na CPI do mensalão, para abençoar a farsa com o seu cristianismo socialista, ou, melhor dizendo, com o seu socialismo pio, durante a eleição, a candidata da “frente de esquerda” não teve qualquer prurido em adotar, como sempre fizeram os seus antecessores, do velho MDB a Lula, adotou um discurso “de governo”, ultra-reacionário, condenando o aborto, condenando a luta dos sem-terra, distribuindo antecipadamente verbas públicas para os monopólios capitalistas estrangeiros e nacionais, para conquistar o eleitorado conservador e fazer boa figura com os patrocinadores burgueses. Nem mesmo a imprensa participante do esquema de ilusionismo eleitoral pôde esconder o fato de que este excesso de zelo da candidata do PSol visa a roubar votos do candidato natimorto do PSDB, Geraldo Alckmin.
Aos partidos menores da burguesia coube o papel de aprofundar a desmoralização do processo eleitoral, impelindo o voto nulo.
Qual é o objetivo de tudo isso. Simples: montar um esquema político possível para enfrentar a crise que se avizinha com mais um vigoroso ataque contra a classe operária. O próprio ex-ministro do finado presidente Garrastazu Médici, Antônio Delfim Netto, declarou candidamente que somente Lula é capaz de realizar este ataque, piedosamente chamado de “reformas”, como a “reforma” trabalhista. Este é o segredo de Polichinelo das eleições. Toda a burguesia sabe, indica por insinuações, e o povo é manipulado pelas falsas informações, ocultamento de informações, pesquisas de opinião etc.
Neste teatro, ou circo, a cada um cabe um papel.
O único partido ao qual não cabe nenhum papel na comédia burguesa transformou-se, pelo impulso da crise e pelo papel que há muito cumpre no interior do movimento operário, em um obstáculo a estes planos e teve de ser cassado.
Para isso, o TSE utilizou-se de uma manobra pérfida e completamente antijurídica, tentando ocultar o verdadeiro objetivo da operação.
A tentativa de cassação do candidato do PCO à presidência da República transformou-se, de uma hora para outra, no principal ingrediente de crise das eleições, uma vez que todos os corruptos estão lá, rindo do povo, no horário gratuito e o único candidato presidencial que não é financiado pelos capitalistas nem defende os interesses dos exploradores é cassado. O que foi projetado para ser uma operação de ocultamento, transformou-se, de uma maneira ou de outra, em um esclarecimento, ao menos para os setores mais bem informados do eleitorado e da classe trabalhadora, sobre a monstruosa farsa política em curso. O mesmo se pode dizer da escancarada manipulação de excluir o PCO de todos os debates promovidos pelas redes de TV e de cancelar qualquer noticiário a respeito de sua candidatura presidencial.
Toda esta confusão, causada pela própria burguesia, é um sintoma, um prenúncio da tempestade que se avizinha. As eleições, com toda a repulsa que provocam os partidos burgueses em uma ampla parcela da população são, não obstante, um elemento de contenção da evolução da mobilização popular e da sua consciência, em um sentido imediato. No entanto, não se pode dizer que, com estas eleições, o regime burguês está efetivamente criando condições para implementar as reformas que são, é preciso sublinhar, uma questão de vida ou morte para os capitalistas.
No período anterior, manifestaram-se claramente as profundas tendências de crise no interior da burocracia sindical cutista, peça indispensável para colocar em prática qualquer reforma antipopular. Nas eleições, a crise do PT tenderá se acentuar, não a diminuir, como sobram indícios para ver em todos os lados. Daí não ser estranho – como já assinalamos várias vezes – que se apresentem propostas de dissolução do PT e formação de um partido composto de alas do PSDB, PMDB e PT e outros partidos menores. O problema consiste em saber se o PT, mesmo em dissolução, pode ser substituído, diante das massas, por um partido burguês formado entre os mensalões do PT e os corruptos de sempre.
A luta contra a impugnação do PCO é, neste momento, uma parte decisiva, não da formação de um determinado resultado eleitoral, mas da formação dos acontecimentos políticos futuros, pós-eleitorais. Esta luta serve para esclarecer ainda mais, para a classe operária, a necessidade de uma nova organização sindical e política para as lutas que estão já mostrando a sua silhueta no horizonte da situação política.
A campanha eleitoral é, para os revolucionários, um terreno de educação política da classe trabalhadora. A burguesia em crise está dando uma contribuição importante para esta educação. Cabe aos revolucionários completá-la através de uma ampla campanha de agitação política que combine a denúncia da impugnação, a denúncia do grande acordo nacional em torno de Lula e seu significado para a classe operária, a luta pelo programa de reivindicações transitórias resumido em “salário, trabalho e terra” e por um governo próprio das organizações operárias e camponeses em oposição ao regime político corrupto, em decadência e repudiado pelo povo.
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