Nas eleições
Dinheiro para os grandes empresários estrangeiros ou para os trabalhadores?


2 de agosto
de 2006

Diante das ameaças de demissão dos trabalhadores da multinacional alemã do automóvel Volkswagen, a candidata do PSol, Heloísa Helena, defendeu, conforme registrou o Diário do Grande ABC , a entrega de dinheiro público para os grandes capitalistas estrangeiros: “em frente à fábrica da Volkswagen, ela defendeu uma proposta para que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômica e Social) compense financeiramente as montadoras que tiverem prejuízos com as exportações . Desta maneira, Heloísa aposta no fim das demissões em massa, como a Volks já anunciou”.
A candidata do “socialista” PSOL mal começou a aparecer nas pesquisas de opinião na onda do grande apoio que lhe dá a imprensa capitalista e já começou a mostrar o seu programa de defesa dos exploradores, exatamente como os seus companheiros da atual direção do PT fizeram quando começaram a vislumbrar a possibilidade de galgar os degraus do Estado burguês.
A solução para o desemprego, segundo a senadora “socialista” é que o Estado cubrar os prejuízos dos capitalistas. Socialismo, para o PSol, é o capitalismo garantido pelo Estado. Ora, o capitalismo garantido pelo Estado é o parasitismo econômico mais completo e o maior dos privilégios econômicos que possa existir: é o povo pobre financiando e garantindo os ricos às custas das próprias condições de vida. Os filhos dos trabalhadores ficam analfabetos ou morrem porque não há dinheiro do Estado para a educação e a saúde, o aposentados vegetam na miséria porque a Previdência estaria falida, o salário mínimo não pode subir, condenando dezenas de milhões à mais completa miséria, 72 milhões de brasileiros passam fome, porque não há dinheiro para acabar com a fome.
No entanto, há uma esquerda que defenda que o dinheiro público seja entregue a estrangeiros, que sequer vão investir este dinheiro no desenvolvimento do seu país!
O PT criou uma tradição de políticos capachos dos grandes capitalistas, bancos e multinacionais. Heloísa Helena é mais um deles.
E a pretexto de que? A pretexto de que isso vai garantir os empregos dos trabalhadores da Volkswagen!
A Volkswagen tem sido subsiada pelo dinheiro público, com isenção de impostos para a compra de automóveis e outros expedientes desde o primeiro dia que abriu a sua fábrica em S. Bernardo do Campo. No anos 70, somente a fábrica da Volkswagen em S. Bernardo tinha 42.500 funcionários e hoje tem menos de 20.000. Não é preciso muito senso crítico para chegar à conclusão de que os mais de 20 mil demitidos foram utilizados como instrumento para que o povo brasileiro doasse bilhões de dólares aos capitalistas alemães. Não é preciso muito senso crítico para entender que os operários do ABC estão mais pobres e os capitalistas mais ricos. Não é preciso muito senso crítico para entender também que o imperialismo alemão ganhou e os brasileiros todos perderam.
A política de Heloísa Helena é a política tradicional de Lula e dos seus seguidores na direção do Sindicato dos Metalúrgicos: usar o sofrimento dos operários para pedir dinheiro estatal para empresários estrangeiros.
Não podemos atenuar o julgamento da plataforma eleitoral da candidata do PSol, atribuindo-a a uma ingenuidade incomum. Esta é uma política consciente e cínica de favorecimento dos empresários às custas das ilusões dos trabalhadores.
Mas os trablahadores têm ilusões ainda nestes estrategemas de políticos e empresários? Cada vez menos.
A única saída para o desmeprego é mudar esta relação: os patrões devem pagar para que os trabalhadores não paguem.
É preciso reivindicar imediatamente a escala móvel de horas trabalhadas, ou seja, diminuir a jornada de trabalho dos funcionários da multinacional de maneira proporcional para que todos continuem a trabalhar e a receber o mesmo salário.
Para isso, é necessário chamar a solidariedade na luta de todos os trabalhadores metalúrgicos do ABC e de todo o País.
E os trabalhadores da Volks devem estar dispostos a sublinhar a sua reivindicação com todos os métodos de mobilização à sua disposição, indo inclusive até a ocupação da fábrica para impedir as demissões.
Para o operário o emprego é uma questão de sobrevivência.