CPI dos Correios
O Senador Delcídio Amaral, PT, afirma: “o mensalão existiu”

O ex-líder do PT no Senado e presidente da CPI dos correios disse com certeza que esquema da compra de votos existiu

2 de março de 2006

O relatório final da CPI dos Correios, que será apresentado oficialmente em 21 dias, comprovará a existência do esquema de corrupção com o dinheiro da Empresa de Correios e Telégrafos, a ECT, para a compra de votos na Câmara dos Deputados pelo governo Lula. Segundo o Senador do PT de Mato Grosso do Sul, Delcídio Amaral, “os técnicos, auditores, deputados e senadores que analisam os dados em posse da CPI concluíram o cruzamento de datas dos repasses dos recursos do ‘valerioduto’ com as votações na Câmara dos Deputados”. A comprovação do desvio da receita da ECT pelo governo põe fim a toda uma série de questionamentos que ainda existiam em torno da questão.
No relatório parcial da CPI divulgado em dezembro do ano passado, a tese do "mensalão" foi reforçada, mas a coincidência entre votações no plenário da Câmara com o repasse de recursos provenientes das contas do publicitário Marcos Valério de Souza ainda deixavam muitas lacunas em branco.

Pendências

As investigações não estão concluídas. Existe o caso ainda de Duda Mendonça, publicitário que trabalhou na campanha eleitoral de Lula em 2002 e que possui movimentações bancárias em Miami e Zurique não esclarecidas. Até agora não se tem a origem dos recursos que abasteceram a conta do publicitário no período após a campanha eleitoral para a presidência. Duda Mendonça afirma ter recebido R$ 15 milhões em caixa dois pelo esquema de Valério.
É necessário também a investigação sobre os novos nomes de deputados que teriam recebido recursos de Valério e de corretoras que operavam investimentos de fundos de pensão. Até o momento tem-se o nome de cerca de 100 parlamentares.
Além desses dois, existe um terceiro e quarto ponto pendente. Há o caso referente ao Visanet, fundo do Banco do Brasil que teria alimentado o "valerioduto" com cifra próxima a R$ 20 milhões. Uma auditoria feita pelo próprio banco confirma a existência de irregularidades no fundo.
Por fim, é preciso a apuração sobre o caso de “desvios de conduta” na escolha das franquias dos Correios. Há informações de integrantes da comissão de que essas franquias gerariam prejuízo de R$ 1 bilhão aos Correios por conta da migração de contas de grandes clientes para essas agências. A direção da ECT, entretanto, contesta os dados.
Pelos cálculos do relator, a apuração das informações pendentes dura até 10 de março.

Corrupção

O resultado da CPI dos Correios que comprovam os esquemas do mensalão e do roubo do dinheiro dos trabalhadores demonstram o elevado grau de crise política e de instabilidade do governo Lula. Diante do fracasso da tentativa de encobrir por completo a compra de votos de parlamentares e a farra com os cofres públicos, o governo é obrigado a forjar um setor “honesto” responsável por banir a “banda podre”.
Esta CPI, entretanto, nem de longe tem o objetivo de botar a baixo o esquema da corrupção que é, na realidade, um mecanismo fundamental de funcionamento de todo o regime político burguês.
Se não fosse pela corrupção, as divergências entre os diversos setores da burguesia e a total contradição entre os interesses dos parlamentares dos partidos burgueses e da classe trabalhadora em seu conjunto resultaria numa situação de total impossibilidade da burguesia governar o Estado.
Por isso, a única maneira de dar um fim na corrupção é a organização independente da classe operária da burguesia, num partido próprio e sob as bases do socialismo, por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo.