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A “frente de esquerda” é parte da frente da direita
3 de julho de 2006
PSol, PSTU e PCB uniram-se em uma frente de esquerda para apoiar a candidatura de Heloísa Helena. Esta frente tem sido apresentada pelos partidos que a compõem como sendo a representação política de toda a esquerda nas eleições, uma alternativa à política direitista de Lula e do PT, defensora dos interesses dos trabalhadores e dos oprimidos em geral pela sociedade capitalista.
Desde o primeiro momento, no entanto, temos chamado a atenção tanto da esquerda como dos trabalhadores para o fato de que Heloísa Helena e as figuras de proa do PSol não são políticos operários, mas burgueses e que o PSol, longe de ser um partido socialista e de esquerda é uma contrafação realizada por políticos burgueses profissionais oriundos do PT para enganar a classe trabalhadora.
Basta estar vivo para constatar este fato. No entanto, vários grupos de esquerda de diferentes tamanhos e importância desigual, a começar pelo próprio PSTU, que sacrificou o seu candidato tradicional para apoiar a socialista burguesa Heloísa Helena, insistem em querer fazer os trabalhadores e a juventude acreditar que esta é alternativa não apenas de uma esquerda genérica, mas das lutas operárias e, mais ainda, da luta pelo socialismo.
No entanto, a própria imprensa capitalista, maior responsável pela transformação de Heloísa Helena em liderança socialista, não faz questão de ocultar aquilo que temos dito. Em uma matéria muito simpática à candidata da frente de esquerda, como sempre, o jornal Correio Braziliense, mais importante jornal burguês do Distrito Federal, caracteriza da seguinte forma a sua atuação parlamentar: “Com a sua expulsão do PT, em 2004, passou a ser uma espécie de ‘sirene’ do PFL e do PSDB, a quem se aliou para combater o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, e mais ainda, no mesmo artigo, “mesmo sem uma bancada que lhe dê direitos regimentais de participar de comissões importantes, conseguiu, de carona na indicação de outros partidos, atuar com firmeza nas CPIs dos Correios e dos Bingos. Investigou, com regozijo, a antiga cúpula petista que expulsou” (2/6/2006).
A aliança com o PSDB e PFL, ou seja, com a direita do Congresso Nacional, não se resume às CPIs ou a um suposto “combate” ao governo Lula mas se estende até mesmo à reivindicações sociais mais importantes para a classe trabalhadora como é o caso do salário mínimo. Para o qual a senadora socialista apresentou projeto de elevação para R$ 400,00 contra os R$ 350,00 do governo federal, em nome de toda a “oposição” burguesa de direita.
Está absolutamente claro que há, no interior do reacionário Senado Federal, uma frente política de direita que inclui no seu interior a solitária estrela da esquerda socialista, Heloísa Helena. Nesse sentido, a frente de esquerda está dentro, através da sua expressão política mais pública, mais importante, da frente geral da oposição burguesa de direita ao governo Lula, formada por PFL e PSDB.
Esta frente de “oposição” é, ademais, uma farsa. PFL e PSDB apóiam com as duas mãos a política de direita, patronal, antitrabalhador do governo Lula. Suas divergências ou são simples demagogia ou se referem a problemas secundários que dividem diferentes clãs no interior da burguesia. Neste sentido, a frente de direita não é de oposição, mas de apoio ao governo Lula. E a frente de esquerda, que está dentro do bloco da direita no Senado, também não pode ser considerada como de oposição ao governo Lula a não ser em palavras ou, pior, com uma posição ainda mais reacionária.
Para quem entende estas relações políticas perfeitamente compreendidas pela imprensa capitalista, não terá vindo como surpresa a condenação da “aguerrida socialista” Heloísa Helena contra os sem-terra do MLST que invadiram o Congresso desmoralizado pelo escândalo do mensalão, escândalo que a CPI do bloco PSol-PFL-PSDB nada mais fez que acobertar. Heloísa Helena puxou um coro de toda a direita do Senado, seguido pela direita do Congresso, contra os sem-terra, aos quais acusou, de acordo com o mesmo jornal, de “covardia política”, coro que se transformou no pano de fundo de uma verdadeira caça às bruxas com denúncias da parte do MLST de torturas contra os 500 presos, entre eles mulheres e crianças, do ginásio de Brasília, presos do governo Lula, do PT, e de Aldo Rebelo, do PCdoB.
O clima de caça às bruxas, por outro lado, propiciou o trágico acontecimento de que uma das militantes do MSLT e sua filha menor de maneira selvagem em um acampamento do MLST.
O pretexto para a condenação dos sem-terra foi o de que estes eram dirigidos pelo PT! Ora, a esmagadora maioria dos sem-terra, dirigidos pelo MST, são dirigidos pelo PT! Que extraordinário motivo para condenação! Disse a senadora que tais movimentos são financiados pelo governo Lula. Melhor seria dizer “corrompidos” pelo Estado capitalista. Com tais argumentos, teríamos que condenar todas as greves nacionais, excetos as que não dirigidas pelos sindicatos, as chamadas greves selvagens!
Não houve, no entanto, da parte da oposicionista senadora ao PT nenhum pedido de CPI por força das denúncias de tortura, feitas também contra o governo do PT e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, do PCdoB. Como se pode ver, trata-se de uma oposição muito unilateral, que condena o governo pela mobilização, mas não pela repressão!!!
Todos estes fatos, e muitos outros mais, indicam o atrelamento completo da “frente de esquerda” à bancada da direita no Senado Federal. Os grupos de esquerda da frente, a começar pelo PSTU, teriam, se estivessem determinados a levar adiante uma política de defesa dos interesses da classe trabalhadora de esclarecer estas relações que atrelam militantes sindicais, estudantis e dos sem-terra aos senadores direitistas do PFL e do PSDB.
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