O objetivo central da reeleição de Lula: liquidar os direitos trabalhistas

6 de julho de 2006

A reeleição de Lula, ainda no primeiro turno, é o objetivo central imediato dos banqueiros, dos grandes industriais e dos latifundiários. A burguesia precisa de Lula e da Frente popular para colocar em prática o seu programa econômico essencial para a próxima etapa, ou seja, a reforma trabalhista e outros meios de ataque às condições de vida dos trabalhadores que visam a transferir bilhões de reais da população trabalhadora para os grandes tubarões nacionais e internacionais.
O que toda a classe trabalhadora precisa entender é que esta “reforma”, melhor seria dizer “anti-reforma”, que é a principal preocupação de toda a classe capitalista, significa o maior ataque de todos os tempos contra a classe trabalhadora brasileira.
O objetivo da burguesia é o de transformar o que hoje é direito, ou seja, garantido por lei em matéria a ser negociada entre os sindicatos e os patrões. As categorias de trabalhadores com menor organização seriam profundamente golpeadas por esta verdadeira liquidação de toda a legislação trabalhista, mas toda a classe trabalhadora seria vítima de um confisco sem precedentes dos seus salários direitos e indiretos.
Para colocar em prática este verdadeiro plano criminoso, é necessário eleger um presidente que tenha influência e controle efetivo sobre as principais organizações das massas como a CUT, o MST, a UNE etc. que possa paralisá-las na sua capacidade de resistência e, mais ainda, que seja capaz de criar a ilusão, necessária para amortecer a resistência popular, de que um ataque de envergadura histórica contra a classe operária brasileira, contra a esmagadora maioria da população do País, em favor de um punhado de industriais e de banqueiros é, na realidade, um resultado do consenso social, ou seja, um resultado da própria vontade dos trabalhadores.
Essa manobra mostra claramente a função da frente popular, isto é, da aliança entre as direções operárias traidoras e a burguesia: impor, de maneira “democrática”, uma violenta expropriação econômica da maioria da Nação.
A luta nas eleições deve estar a serviço, em primeiro lugar, da denúncia e da mobilização desta ofensiva que está sendo preparada detrás do biombo das eleições para organizar uma ampla resistência popular à ofensiva patronal que será encabeçada por um futuro governo Lula.
Para o PCO, um dos objetivos centrais do momento é utilizar a campanha eleitoral para preparar as massas trabalhadoras a resistir à ofensiva que a burguesia está preparando já nas eleições, através da candidatura de Lula, ou seja, a “reforma trabalhista”. Para a burguesia, é preciso criar a ilusão de que o governo possui, ainda, grande autoridade popular para colocar em marcha, de maneira “democrática”, com um suposto apoio dos sindicatos, a reforma trabalhista, a reforma universitária e demais ataques contra a população a serviço dos grandes capitalistas nacionais e estrangeiros. A tarefa da burguesia e do PT é, neste sentido, em outras palavras, a de utilizar as eleições e o resultado das eleições para criar as condições políticas “democráticas” indispensáveis para o ataque contra a classe operária. Sem uma grande operação política, sem o envolvimento político de uma ampla parcela da população e a neutralização das críticas, não é possível realizar este objetivo.
Para a classe operária apresenta-se a mesma tarefa com o sinal inverso: preparar os trabalhadores, esclarecendo o problema, denunciando o caráter confiscatório e antidemocrática das reformas lulistas, as manobras para eleger Lula, os interesses que se agrupam detrás da sua candidatura e despertar a consciência da classe operária para a necessidade de se preparar para uma luta ampla contra a ofensiva em preparação no laboratório político do governo Lula e da grande burguesia nacional e estrangeira.