Nas eleições
Contra a reforma trabalhista de Lula: greve geral

8 de julho de 2006

Rui Costa Pimenta

A proposta central dos grandes capitalistas para o segundo governo Lula é a realização da chamada reforma trabalhista. A reforma trabalhista é o centro de um plano de enorme confisco das massas para fazer frente ao recrudescimento da crise capitalista. A classe operária, que foi chamada na última década a financiar o Plano Real com demissões em massa, pesadas perdas salariais, privatização da Previdência, sucateamento da saúde e da educação públicas e liquidação de diversos dos seus direitos trabalhista, é chamada novamente a arcar com o ônus do fracasso deste plano. A situação das massas tornou-se francamente insustentável, para não dizer desesperadora. Sob os dois governos FHC e o governo Lula: são 72 milhões de pessoas passando fome em um universo de 180 milhões de habitantes. O desemprego atinge a sua maior marca histórica sem qualquer perspectiva de ser superado. Os salários estão congelados.
Nessas condições, a liquidação das conquistas trabalhistas é o que pode possibilitar um barateamento ainda maior da força-de-trabalho para servir aos objetivos dos capitalistas em crise, vale dizer, recuperar seus lucros em queda livre às custas da fome e da miséria da população. A reforma trabalhista, em si mesma, constitui o maior ataque já realizado no Brasil contra as condições de vida da classe operária, mas este ataque não se esgota na reforma. Se o governo Lula porventura saísse vitorioso da luta contra a classe operária para impor a reforma trabalhista em seu conjunto, esta derrota levaria a uma situação de ainda maior desemprego e mais profundo corte nos salários. A mesma ofensiva planejada contra a classe operária na cidade será colocada em marcha contra os trabalhadores no campo, como se pode ver claramente na crescente tendência à repressão contra os sem-terra.
A ofensiva de Lula, contudo, já se defronta com uma vasta resistência, ainda que dispersa, da classe operária. De um lado assistimos a um claro crescimento das greves no governo Lula que subiram a mais de 300 em 2005 e já mais que duplicaram este ano. Várias categorias importantes entraram em greve contra as direções sindicais da frente popular, seja abertamente, como os bancários, seja com a burocracia sindical acompanhando o movimento a contragosto para poder traí-lo como nos correios, petroleiros etc.
O sintoma mais importante desta tendência, no entanto, se deu no interior da própria CUT, organização burocrática, dominada pela política do governo Lula na tentativa de aprovação da reforma sindical. A burocracia dividiu-se sob a pressão das suas próprias bases (tanto o PCdoB como a Articulação do PT sofreram rupturas vertebrais internas) o que levou à realização de um acordo que acabou por impossibilitar a realização da reforma tal como o governo havia previsto. O reconhecimento da derrota e das dificuldades políticas para aprovar um ataque desta monta contra os sindicatos ficou claro, também, no fato de que o governo acabou aprovando e, ainda assim, apenas por meio de uma manobra, apenas aquilo que seria o essencial para a aprovação da reforma trabalhista, ou seja, o Fórum Nacional do Trabalho e a “legalização” das centrais, ou seja, a sua transformação em personalidades jurídicas para poder efetivamente negociar a reforma sindical. A política democratizante do governo impõe que a reforma, um ataque selvagem contra os trabalhadores, apareça como resultado não apenas de uma ampla negociação, mas até mesmo de uma reivindicação dos próprios trabalhadores. O congresso da CUT, realizado em maio, foi organizado para preparar a central sindical para a reforma sindical, como a imposição de uma nova direção, ainda mais direitista que as anteriores.
Estas crise internas da burocracia criam melhores condições para a organização e a luta dos trabalhadores.
Somente através de uma ampla mobilização das massas será possível derrotar a frente única do governo Lula, dos banqueiros, grandes industriais, latifundiários e políticos burgueses em defesa da reforma trabalhista. Não se trata de uma luta qualquer, mas de uma luta entre as classes sociais em grande escala, da luta do bloco unificado das classes dominantes e exploradores contra as classea dominadas e exploradas.
Isso quer dizer que é necessário mobilizar o mais ampla e profundamente possível as energias das grandes massas trabalhadoras. A condição para esta mobilização é tornar consciente para as massas a ameaça que significa esta ofensiva patronal liderada pelo PT, suas conseqüências, as possibilidades e os meios para combate-los.
O principal recurso de luta da classe trabalhadora em geral, e neste momento isso se materializa ainda mais claramente, é a greve. Como se trata de um ataque contra o conjunto da classe trabalhadora, a resposta somente pode ser dada através de uma greve geral . Esta proposta deve ser discutida amplamente em todos os locais de trabalho e em todas as organizações sindicais sem exceção.
As greves isoladas vem aumentando significativamente desde 2003. Está chegando o momento de reunir estas iniciativas isoladas de segmentos da classe trabalhadora em um movimento de conjunto, em uma greve geral contra a ofensiva política do governo Lula para destruir os direitos trabalhistas.
Para que esta resposta seja efetiva, é preciso ser lançada e discutida desde já e, para que a campanha eleitoral seja uma parte efetiva da luta de classe dos trabalhadores, é preciso que seja lançada também na campanha eleitoral.