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Cotas para negros
Nem mesmo um paliativo
Universidades públicas e particulares adotam reserva de vagas para negros, mas não mostram nenhum resultado, revelando que o sistema proposto pelo governo não visa atender às necessidades da população negra
16
de julho de 2004
Saiu
o resultado do segundo vestibular da Universidade de Brasília (UnB),
na estréia do sistema de cotas para negros.
Os resultados demonstraram que o sistema não trouxe nenhuma novidade
para os negros que prestaram o vestibular, pois os que foram aprovados
teriam passado pelas barreiras do sistema tradicional.
Apesar da reitoria ter avaliado a inclusão de negros na UnB como
um sucesso, a grande maioria não vê mudanças no processo
e ainda afirmam que o favorecimento aos negros, mesmo sem ter mudado em
absolutamente nada a realidade da UnB, deixa em segundo plano o problema
de candidatos não-negros que vieram de escolas públicas
e não têm condições de financiar seu acesso
ao vestibular e muito menos às universidades.
Os estudantes afirmam também que, não adianta apenas implantar
um sistema de cotas para negros, mas antes disso, era preciso ter investido
e ter criado condições nas escolas públicas para
negros e brancos. Ao contrário disso, os candidatos que têm
menor poder aquisitivo e que vêm de escolas públicas, não
têm a mínima condição de concorrer com alunos
de elevado poder aquisitivo e que vieram de escolas particulares.
Na realidade, não se trata de apenas ter as mesmas condições
de qualidade escolar para concorrer nos vestibulares, e nem criar sistemas
de cotas para negros que não são nem mesmo um paliativo,
pois como se pôde perceber, os negros que ingressaram na UnB passariam
mesmo pelo sistema tradicional.
Do total de negros que atualmente estão nas universidades no país,
míseros 2% estão matriculados contra 97% de brancos, segundo
dados do IBGE. Os descendentes de orientais representam um índice
de 1%.
De 22 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza,
70% é constituído por negros. E dos 53 milhões de
pessoas que vivem na pobreza, os negros correspondem a 63% deste número.
A situação do sucateamento das universidades públicas,
não passa de uma relação comercial entre reitores,
grandes empresários e governo, onde toda a verba destinada para
a educação é cada vez mais diminuída e vai
direto para os cofres de bancos particulares, ou seja, para os grandes
capitalistas.
Afirmar que o sistema de cotas para negros é um processo inconstitucional
é só mais uma das contradições da constituição
burguesa.
A eliminação dos vestibulares e a estatização
das escolas e universidades particulares colocariam à disposição
uma verdadeira educação de qualidade para toda a população
que queira nela ingressar.
A reserva de vagas para negros não pode nem mesmo ser considerado
um paliativo, pois não resolve em nada o problema do ingresso da
população negra na universidade, não implicando em
nenhum tipo de mudança e nem pode implicar, pois o sistema de cotas
proposto pelo governo Lula, é apenas uma maneira de desviar as
reivindicações da população negra num gesto
de pura demagogia.
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