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Racismo
Partido de extrema-direita britânico é flagrado em ações violentas contra negros e asiáticos
Os negros como um dos setores mais explorados e oprimidos da sociedade, revelam que sua assimilação no sistema capitalista é uma tarefa superior às condições atuais, apontando para a grande crise da burguesia, refletida na segregação racial
16 de setembro de 2004
Em um documentário realizado pela emissora de TV BBC, na Inglaterra, conhecido como “O Agente Secreto”, um jornalista infiltrado no Partido Nacional Britânico, BNP, em inglês, British Nacional Party, denunciou atividades racistas de seus membros. O jornalista fez a investigação filiando-se ao partido por seis meses, conseguindo gravar e registrar depoimentos do partido de extrema-direita.
O partido já havia sido acusado por um paquistanês de ter sido agredido por um de seus filiados, em Bradford, ao norte da Inglaterra, em 2001.
O programa do BNP tem como base a “limpeza” de todo o Reino Unido, inspirando-se em idéias nazistas.
Como um dos pontos de seu programa, o partido defende a libertação da Inglaterra das comunidades árabes e muçulmanas, principalmente os oriundos do Paquistão, além de declarar que a população negra volte para seus países de origem.
No programa da BBC é mostrada uma gravação com imagens do líder da Frente Nacional francesa, também de extrema-direita, Jean-Marie Le Pen, onde ele faz um pronunciamento declaradamente racista, desprezando a população negra e árabe, acusando-os de serem os responsáveis pelo atraso do desenvolvimento econômico na Europa.
Além disso, o programa mostra também o presidente nacional da BNP, Nick Griffin, referindo-se ao islamismo como uma religião “viciosa e terrível”.
Em resposta à exibição do documentário da BBC, Griffin desafiou a imprensa e a polícia britânica intimando-os a processá-lo se tiverem coragem, visto que não há leis de punição para intolerância religiosa na Inglaterra.
No entanto, a gravação registrou também ações violentas contra asiáticos, mesquitas e negros, onde os envolvidos serão punidos.
O negro e sua condição histórica de superexplorado e oprimido indica a impossibilidade do capitalismo em assimilar todos os setores da sociedade que dependem da sua própria força de trabalho para ter seus meios de subsistência.
Além disso, o processo de desenvolvimento do capitalismo levou necessariamente à exploração e escravidão de centenas de milhões de negros, resultando em um gigantesco abismo entre a classe dominante e os explorados.
Dessa forma, uma minoria burguesa se apóia em interesses que dizem respeito somente à sua classe social, sendo que, ao mesmo tempo, depende do trabalho assalariado para a sua dominação.
Para manter a dominação do homem pelo homem, a burguesia se resguarda no poder político do Estado, mantendo a submissão de uma classe pela outra.
Em relação à população negra, sua posição atual é reflexo de toda a exploração sem precedentes do capitalismo, onde a segregação racial é também um resultado da sua crise, pois não é capaz integrá-los, não sendo possível também uma verdadeira emancipação destes povos.
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