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Violência
Negro corre maior risco de morrer assassinado
Sob as condições em que o trabalhador negro vive, sua expectativa de vida é reduzida por diversos fatores e conseqüências, sendo uma delas a violência, causada pela desigualdade social e sua falta de perspectiva
18 de agosto de 2004
Segundo um estudo realizado pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, o risco de assassinato para os negros é 87% maior em relação ao branco.
Baseando-se em dados do IBGE (Instituto de Geografia e Estatísticas) e do SUS (Sistema Único de Saúde), foi formulado um cálculo que relacionava a taxa de homicídios entre negros e brancos para cada 100 mil habitantes no ano 2000.
Em relação à taxa de homicídios, divide-se o número de assassinatos por raças pelo total da população de negros e brancos, confirmando uma tendência já demonstrada em diversas pesquisas, onde o negro tem muito mais probabilidade de ser assassinado do que o branco.
Em uma pesquisa realizada pela Unesco, (Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento), baseando-se em dados e estatísticas de 2002, foi apontado que a taxa de homicídios entre os negros com idade entre 15 de 24 anos é 74% maior do que os brancos de mesma idade.
Em um outro dado revelado pela pesquisa da universidade Cândido Mendes, foi indicado que, entre as mulheres, o número de homicídios é bem menor comparando-se com a quantidade de homicídios entre os homens em geral.
Entre os negros, considerando homens e mulheres, para cada 13 vítimas, apenas uma é mulher. O mesmo se pode observar entre os brancos, onde para cada 12 vítimas, também somente uma é mulher.
Considerando um número de 100 mil habitantes, segundo a pesquisa, a maior taxa de vítimas se encontra em pessoas que têm 24 anos.
As pessoas negras dessa faixa etária sofrem sete vezes mais com homicídios do que negros idosos que tenham em média 60 anos.
Segundo um dos realizadores da pesquisa, Gláucio Soares, o motivo da alta taxa de vítimas negras se dá pelo fato delas morarem, em sua grande maioria, em locais considerados de risco, ou seja, bairros operários isolados dos centros comerciais e industrias, como as periferias, não havendo qualidade de vida, o que resulta no aumento da violência, um dos principais fatores da falta de desenvolvimento destas regiões.
De acordo com os números de Soares, se a taxa de negros assassinados fosse exatamente a mesma dos brancos, 8.200 negros não morreriam em 2000.
Comparando também o número de homicídios entre os negros para cada 100 mil habitantes, sendo negros ou brancos, em relação às vítimas de sexo feminino, 37.900 homens negros também não morreriam.
O estudo ainda concluiu que um outro fator que significa uma maior taxa de homicídios na população negra é a violência policial e a constituição. A polícia militar, resquício da época da ditadura, longe de defender a população, é na verdade um aparato organizado para sua repressão. Foi motivo de denúncia internacional o número absurdo de homicídios cometidos pela polícia militar no Brasil. Os homicídios estão reservados para a população pobre da periferia, em sua grande maioria, negra. Esta parcela da população é a que mais sofre com a política do governo de deixar que se deteriore cada vez mais as condições de vida dos trabalhadores.
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