Racismo
A discriminação racial em números

Pesquisa mostra que a população negra é maioria dos desempregados, minoria dos empregados, têm menor remuneração e menos escolaridade

20 de junho de 2004

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, no dia 4 de junho, um estudo inédito cujo objetivo é “mostrar aspectos da realidade sócio econômica”. Baseado na Pesquisa Mensal de Emprego de março de 2004, o estudo destaca que “é bastante diferenciada a situação dos brancos e dos pretos ou pardos em relação ao mercado de trabalho”.
A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) é realizada em seis regiões metropolitanas – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador – e é o próprio entrevistado quem se classifica conforme as alternativas de cor ou raça apresentadas: Branca, Preta, Amarela, Parda e Indígena.

Mercado de trabalho

Os dados da PME de março de 2004 mostram que das 18,5 milhões de pessoas que tem uma profissão, mais da metade são brancas (58%) e 40,8% são de negros ou pardos. A situação se inverte na análise do desemprego: mais da metade dos desempregados são pessoas negras ou pardas (50,4%) e 49,2% são pessoas brancas.
Outro dado que revela a desigualdade racial é que os brancos participam mais do mercado de trabalho. “No total das seis regiões metropolitanas, a taxa de atividade para os brancos (57,5%) foi ligeiramente superior à da população negra (56,5%)”.
Comparando as taxas de ocupação e de desocupação de brancos e negros, verifica-se que os brancos têm maior porcentagem de ocupados e menor taxa de desocupados. 51,2% dos brancos são ocupados e 6,4% desocupados. No caso dos negros, somente 47,9% são ocupados e 8,7% desocupados.

Trabalhadores sem carteira de trabalho

A pesquisa revela que 41% dos brancos se inseriram no mercado de trabalho como empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado, contra 37,5% dos negros, que apresentaram as maiores concentrações entre os trabalhadores por conta própria e os empregados sem carteira de trabalho no setor privado.

Escolaridade

O IBGE confirma que os brancos, ocupados ou não, têm mais anos de estudo em relação aos negros. Entre os ocupados, “o número médio de anos de estudo completos para a população branca ocupada chegou a 9,8, enquanto o dos pretos ou pardos foi 7,7”. Entre os desempregados, “a população branca mostrou maior média de anos de estudo (9,5) completos do que a população preta ou parda (8,0)”.
No geral, “enquanto a população branca se concentrava na classe de 11 anos ou mais de estudo, os pretos ou pardos eram mais freqüentes na classe de 4 a 7 anos de estudo (36,4%)”.

Remuneração

O estudo mostra que o rendimento dos negros é menor e que as mulheres desse grupo ganham menos ainda.
Os brancos recebem mais do que os negros por horas trabalhadas. Enquanto os brancos recebem, em média, R$6,53 por hora, os negros recebem R$3,18 por hora.
A capital baiana, com uma porcentagem de 80% de trabalhadores negros, registrou a maior diferença por horas trabalhadas: enquanto os brancos recebiam R$ 9,69 por hora trabalhada, os negros recebiam R$ 3,39.
A menor remuneração por hora de trabalho é das mulheres negras, cujo rendimento é de apenas R$2,78 por hora.
Outro dado alarmante referente aos ocupados é que na faixa de até dois salários mínimos estavam 63,9% dos negros e somente 39,2% dos brancos. Na faixa que compreende aqueles que recebem mais do que 10 salários mínimos mensais estão 10,6% dos brancos e apenas 1,7% de negros. Em média, o rendimento dos ocupados brancos (R$1.096,00) é o dobro do rendimento das pessoas pretas ou pardas (R$ 535,00).
Todos estes dados são importantes para se chegar àconclusão de que o problema do negro não é apenas um problema puramente econômico, mas, fundamentalmente um problema histórico e político que, a todo momento a burguesia, através do controle da imprensa, procura encobrir. A classe dominante usa sua falsa ideologia democrática para abafar a resistência do negro .
É necessário, indubitavelmente, sob a base de um programa específico de suas reivindicações, que a população negra lute por sua total emancipação diretamente contra a burguesia, pois esta é a classe social responsável por sua escravidão, o que resultou na segregação e na discriminação de milhões de negros. Somente sob a resistência e a luta da população negra, fazendo parte em sua esmagadora maioria da classe trabalhadora, a sua emancipação definitiva será iminente.