Sistema de saúde
A maioria das pessoas que contraem o vírus do HIV são negros

No mundo, 40 milhões de pessoas contraem o vírus do HIV, só no Brasil 238.000 tem AIDS. O sistema de saúde brasileiro e dos países atrasados é resultado da falta de investimento neste setor e da submissão financeira imposta pelo imperialismo mundial

21 de junho de 2004

A população negra se depara com todo tipo de barreira que dificulta sua participação definitiva na sociedade. Com isso, o resultado deste problema resulta, para o negro, numa qualidade de vida deplorável e degradante. O sistema de saúde é um exemplo claro dessa realidade.
Em um evento realizado pela Coordenação Estadual de DST (doenças sexualmente transmissíveis) e AIDS (síndrome da imuno deficiência adquirida) de São Paulo, “20 anos de AIDS – desafios e propostas”, foi apresentado um documento sobre a questão da população negra no sistema de saúde brasileiro.
A situação do negro em relação ao branco é totalmente desfavorável. Segundo as constatações, encomendada pelo IBOPE, o negro tem muito mais dificuldade ao acesso no combate contra o HIV/AIDS e isto se dá pelo fato de 70% das pessoas que são pobres ou indigentes são constituídas por negros ou indígenas. Existem afirmações de que o negro tem uma maior probabilidade de se contaminar com o vírus do HIV por serem imunologicamente inferiores aos brancos.No entanto, dizer que o negro tem uma maior facilidade de se contrair o HIV não tem nenhum fundamento. Estatísticas comprovam que houve um maior aumento de infectados entre a população pobre do País, o que conseqüentemente reflete no aumento de negros infectados com o vírus do HIV. Outras constatações que foram concluídas revelam que os negros encontram muito mais dificuldade no acesso a exames de detecção do HIV e entre as mulheres negras, manifestou-se uma maior falta de informação sobre preservativos femininos e também uma maior dificuldade de se comunicarem com médicos ginecologistas.
Outro dado constatado mostra que de 100 óbitos registrados como causa de AIDS, 26 são de pessoas que se declararam negras enquanto que uma minoria, 15 pessoas se declararam brancos a cada 100 mortos. Ao final, o documento, que foi baseado em uma pesquisa realizada entre os dias 26 e 29 de janeiro de 2003 e que foram entrevistadas pessoas com 14 anos de idade ou mais, concluiu que até mesmo o preço dos preservativos foram contestados por mais negros do que brancos.
No Brasil, 91 milhões de pessoas de toda a população representam o número de pessoas sexualmente ativas. Alguns dados do boletim divulgado pela UNAIDS em 2003, revela que 40 milhões de pessoas contraem o vírus do HIV em todo o mundo. Só na América Latina são 1.600.000 de pessoas, na América do Norte 995.000, Europa Ocidental e Ásia Central somam juntas 2.100.000 infectados, Austrália e Nova Zelândia 15.000 e áfrica, impressionantemente, atinge uma marca de 27.400.000 milhões de pessoas infectadas pelo HIV. Não é de se espantar que América Latina e África são os continentes com o pior número de pessoas infectadas. América Latina, América Central e África são os continentes com a maior concentração de pessoas que vivem na pobreza e que destas pessoas, na sua esmagadora maioria, são compostas por negros.
A população negra no Brasil e no mundo é um dos setores mais oprimidos e explorados da sociedade. Tanto homens como mulheres, essas mais ainda, sentem diariamente o preconceito racial e a discriminação na estrutura social. Economicamente, o negro ganha menos que o branco, tem menos estudo que o branco, está menos presente no mercado de trabalho e nas universidades. É sempre importante ressaltar que a população negra no Brasil não é uma minoria que foi simplesmente esquecida pelo desenvolvimento social, mas que, impressionantemente pelo seu rápido desenvolvimento e crescimento, o negro hoje equivale a uma parcela de 45% do total da população brasileira, isto é, praticamente metade da população brasileira não foi assimilada pelo desenvolvimento social e, de fato, foi segregada e ocultada como raça.