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Racismo
Campanha contra o racismo na África do Sul
O Apartheid acabou há 10 anos e a África do Sul continua sendo controlada por uma minoria branca. A esmagadora maioria da população negra continua sendo discriminada e humilhada pelo poder da burguesia escondida por trás de um governo que promete estruturar o país
22 de junho de 2004
Na cidade de Joanesburgo, África do Sul, a instituição cultural mais importante do país, o Museu do Apartheid, lançou uma campanha veiculada para a TV contra o racismo baseada em piadas sobre negros. A campanha foi vetada por duas redes televisivas, que se negaram a passar o anúncio por ser considerado altamente ofensivo. Porém, o Museu não mudou sua postura e persistiu alegando que a campanha visa somente a enfrentar o racismo que só vem aumentando desde que o regime do Apartheid acabou. Vários especialistas até o momento estavam divididos em relação ao teor da campanha.
Em um dos anúncios da campanha que até agora não foi ao ar, é representado por um homem branco que olhando para a câmera, pergunta “como se faz para impedir que um negro se afogue?”, e logo em seguida ele mesmo responde: “tirando os pés de cima da cabeça dele”. Outra propaganda também é representada por um homem branco fazendo uma outra “piada” racista onde diz: “Você tem dois africâneres (descendentes de holandeses e alemães), se os dois pulam de um precipício, quem morrerá primeiro?” e logo em seguida responde: “quem liga pra isso?”.
Uma terceira propaganda que faz parte da campanha também é baseada no preconceito racial, traz um índio onde ele pergunta: “Qual a diferença entre um judeu e uma cobra?”, a seguir responde: “Um é uma criatura do demônio sangue-frio e o outro é uma cobra”.
Cada um dos três anúncios termina com uma frase atravessando a tela dizendo: “Se você achou isto engraçado, nós vamos lhe mostrar porque não foi”, e logo na seqüência aparece o logotipo do Museu.
Os canais privados deTV e o Mnet não autorizaram sua veiculação e a TV estatal ainda não decidiu se exibirá ou não. O diretor do museu, Christopher Till argumentou que essas atitudes só fazem voltar à censura que era feita na época do apartheid e estão agindo contra a liberdade de expressão previsto na Constituição.
O chefe da agência de Joanesburgo responsável pela campanha, Louis Gavin, espera que os anúncios sejam levados ao ar pela primeira vez. Segundo Gavin, as piadas são chocantes, mas apenas “refletem o tipo de humor que se pode encontrar em um churrasco na áfrica do Sul”.
Os sul-africanos compõem-se em 42.400.000 de habitantes e é composta basicamente por 2,5% de asiáticos, 8,5% de mestiços, 13% de europeus e 76% de negros.
Eleições
O governo da África do Sul desde o fim do regime do apartheid, se mostra absolutamente incapaz de sanar os problemas do país. Para se ter uma idéia, entre os anos de 1994 até 1999 foram construídas apenas 430 mil casas, uma quantidade completamente inexpressiva e distante do número de novas habitações que o governo prometeu construir. A falta de moradia e o desemprego são problemas gravíssimos no país.
No dia 2 de junho, realizou-se as eleições presidenciais e com a maioria absoluta dos votos venceu o partido de Nelson Mandela superando até a previsão dos mais otimistas em relação à sua vitória.
O eleito Thabo Mbeki, tem como objetivo despertar a consciência crítica dos africanos. O país está submerso em uma grave crise econômica, social e racial. As etnias, tribos e o nacionalismo são fatores de divisão entre a população e a economia está em grande parte nas mãos dos brancos, que querem manter os interesses da burguesia.
O racismo e a pobreza na África do Sul
Em uma pesquisa realizada recentemente para avaliar o preconceito racial no país, foi apontado o alto sentimento racista por parte dos brancos. Assustadoramente, algumas camadas da sociedade assumiram ser completamente favoráveis à um retorno do apartheid e até mesmo à separação entre brancos e negros nas escolas. Em algumas escolas, por exemplo, já houve vários casos de agressões físicas entre os alunos e também entre os pais dos alunos, o que revela o reflexo do sentimento racista dos pais nestes estudantes.
Há cinco anos atrás, o governo sul-africano aprovou uma lei de “proporção racial” nas salas de aula e nas empresas particulares, porém não servindo nem mesmo de um paliativo para amenizar a divisão racial.
Apesar do Congresso Nacional dizer que tem o objetivo de diminuir as distâncias entre a elite branca e a maioria da população negra, como se fosse possível unir os interesses individuais de uma minoria burguesa com as necessidades vitais da população oprimida e explorada, a pobreza no país continua exatamente a mesma desde o fim do apartheid. Estatísticas baseadas em estudos sobre salário formal e informal, imóveis, propriedades e transferências bancárias, mostram que o crescimento anual da África do Sul em 1994 até hoje é de 2,7%. Este número é ainda superior do que a última década do apartheid.
A situação do negro como raça e ligada ainda pelo fato de compor a maioria da população pobre no mundo é a herança da escravidão baseada na exploração da autocracia e a submissão social dos negros.
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