| África do Sul
População negra rural é despejada das fazendas em que trabalham
26 de dezembro de 2004
Após uma década do fim do apartheid, a situação da população negra na África do Sul permanece em condições de completa opressão e superexploração.
A segregação racial continua aumentando sistematicamente, à medida que a minoria branca, como classe dominante e proprietária das terras, expulsa grande parte da população de suas fazendas em detrimento do lucro comercial.
Atualmente, cerca de 80% das terras estão nas mãos da burguesia descendente de europeus.
Na cidade de Ingogo, a introdução da caça como empreendimento para a burguesia local está empurrando os trabalhadores rurais para fora da terra.
Centenas de fazendas que lucram com a agricultura, através da exploração dos trabalhadores negros, estão se transformando em reservas de caça para turistas visando despejar todas as famílias que dependem unicamente da terra para sobreviver, retirando todos os empregados da folha de pagamento.
A revolta entre a população aumenta cada vez mais, havendo inúmeros casos de insurgência contra os proprietários das terras.
“As reservas turísticas estão se espalhando como praga. Elas trazem fome ao povo. Estamos ficando nervosos”, disse Mangalisco Kubheka, dirigente nacional do Movimento do Povo Sem-Terra e que também está sendo despejado da fazenda em que trabalha (Jornal do Brasil, 24 de dezembro de 2004).
A prática da caça nestas áreas produz lucros exorbitantes para os fazendeiros, atraindo na maioria, turistas vindo da América do Norte e da Europa.
Para se ter uma idéia, o número de fazendas que se transformaram em áreas de caça, o chamado ecoturismo, dobrou para 139 em relação ao ano de 1999, ocupando uma área de 261 mil hectares.
Exatamente como na época do apartheid, a situação dos negros vem de sua condição histórica como um setor extremamente oprimido e superexplorado no desenvolvimento do capitalismo, comprometendo de maneira fatal sua evolução social, econômica e cultural.
Nesse sentido, a definitiva e completa emancipação de toda a população negra é um problema político.
Dessa forma, é a luta contra a burguesia e o Estado capitalista que colocará o desenvolvimento da sociedade em condições sociais igualitárias em todos os sentidos, expropriando as terras da minoria burguesa e eliminando suas leis, através de um programa que defenda verdadeiramente os interesses da classe oprimida.
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