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Racismo
Bailarinos negros são barrados em hotel
26 de novembro de 2004
No domingo passado, na porta principal do J. W. Marriott Hotel, foi presenciada por todos uma cena de racismo e preconceito declarada. Os seguranças do hotel barraram os bailarinos negros e mulatos oriundos de favelas do Rio da Cia. Étnica de Dança e Teatro e disseram que eles só poderiam entrar pela lateral do edifício. A Cia foi convidada pela Petrobrás para fazer uma apresentação num seminário internacional que discutia petróleo.
A desculpa do diretor de operações do hotel, Emerson Fonseca, foi a de que este é o procedimento padrão adotado com qualquer prestador de serviço:
“Nossos hóspedes entram pela porta da frente. Por medida de segurança, sempre que há um evento, como por exemplo um casamento ou um espetáculo, os contratados entram pela porta lateral. A Petrobrás não nos informou que eles eram convidados“ (O Globo, 25 de novembro de 2004).
Na realidade, a coordenadora do grupo, Carmem Luz, disse que tentou diversas vezes explicar aos seguranças, em vão, que a companhia não era contratada pelo hotel, mas sim convidada da Petrobrás.
“É muito grave. Somos um grupo com referência nacional que trabalha há dez anos na inclusão social e racial. Usamos a dança como ferramenta para atingir esse objetivo. Para esses jovens artistas, que já conhecem demais a discriminação, foi uma cena chocante. Eles choraram muito no camarim. Eu tive que desempenhar um papel de educadora, mostrar para eles como devemos enfrentar esse tipo de problema, sem nenhuma alteração, apenas utilizando argumentos — contou Carmem, que também é negra” (idem).
Mas o deprimente episódio não terminou por aí, depois da apresentação, como se não bastasse a humilhação que os bailarinos tinham passado, no coquetel de encerramento, os garçons se recusaram a servi-los dizendo que não tinham autorização do maître. Só depois que uma funcionária da Petrobrás intercedeu é que eles foram servidos pelos garçons.
Em pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo para avaliar o índice de preconceito racial no País, chegou-se à conclusão de 74% da população é preconceituosa ou racista. E casos como este só servem para ilustrar esta dura realidade.
A democracia burguesa promove a segregação racial e a superexploração da população negra. O problema do negro não é puramente econômico, mas histórico devido à total incapacidade de assimilação do negro por parte da classe dominante, desde sua escravidão, passando pela abolição, o negro foi completamente isolado na tentativa da classe dominante de apagar sua tradição e sua cultura da sociedade.
A imprensa burguesa em todos os veículos de comunicação dá ao negro uma imagem de submissão ao branco, de incapacitação. Isto esconde a verdadeira luta e resistência da população negra que representa cerca de metade da população brasileira e é consciente de que é discriminada e explorada.
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