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Negros em desvantagem
A situação desfavorável do negro no mercado de trabalho
26 de novembro de 2004
Apesar das comemorações festivas do Dia da Consciência Negra, a situação dos negros no mercado de trabalho continua desfavorável e piorando cada vez mais
A população negra se insere no mercado de trabalho urbano brasileiro de forma claramente desvantajosa em relação à população não-negra: as taxas de desemprego são maiores entre os negros, que recebem salários mais baixos, ocupam cargos mais vulneráveis e passam mais tempo à procura de emprego. É o que confirma o estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE) em ocasião do dia 20 de novembro, comemorado nacionalmente como o Dia da Consciência Negra.
O estudo se baseia nas Pesquisas de Emprego e Desemprego (PED), realizadas periodicamente pelo Instituto desde 1998. Para efeito da pesquisa, que tem como base as regiões metropolitanas de São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Recife, são considerados como população negra os negros e os pardos e como população não-negra os brancos e amarelos.
Desemprego é maior entre os negros
As taxas de desemprego da população negra são sistematicamente maiores que a dos não-negros, em todas as regiões metropolitanas pesquisadas. Em Belo Horizonte, a taxa de negros (homens e mulheres) desempregados que era de 17,8% em 1998, pulou para 21,9% em 2004. No Distrito Federal, passou de 20,7% em 1998 para 23,2% em 2004. Em Porto Alegre, a taxa subiu de 20,6% para 23,2% no mesmo período. Enquanto isso, o desemprego entre a população não-negra nestas três regiões metropolitanas atingiu o índice máximo de 18,2%.
Para piorar, o crescimento da taxa de desemprego também é mais acentuado entre a população negra, revelando que a situação desfavorável do negro no mercado de trabalho tende a piorar cada vez mais. Em números, é possível comprovar este dado comparando a variação do crescimento do desemprego entre os negros e entre os não-negros no período de 1998 a 2004: em todas as regiões metropolitanas onde a pesquisa é realizada, com exceção de Recife, o crescimento foi maior entre a população negra.
Em Belo Horizonte, a elevação da taxa de desemprego entre os negros atingiu 23%, em Recife 7,4% e em São Paulo 1,8%. No Distrito Federal o aumento do desemprego entre os negros foi de 12,1%, enquanto entre a população não-negra foi de 2,8%. Em Porto Alegre, o crescimento do desemprego entre os negros foi de 12,6% e entre os não negros foi de 2%.
Negros ficam mais tempo à procura de emprego
O tempo médio gasto pelo desempregado à procura de trabalho cresceu de maneira geral entre 1998 e 2004 e, na grande maioria das regiões metropolitanas abarcadas pela pesquisa o crescimento foi maior entre os negros.
No Distrito Federal e em Salvador, o negro desempregado leva, em média, de 16 a 17 meses para conseguir trabalho. Enquanto que o tempo de procura pelos não-negros atinge, no máximo, 15 meses.
Além disso, o tempo médio de procura por emprego entre os negros cresceu ou ficou estável em todas as regiões metropolitanas durante o período de 1998 a 2004, agravando ainda mais este quadro. Em Belo Horizonte, o tempo médio de procura de emprego entre os negros saltou de 8 para 15 meses. No Distrito Federal aumentou de 12 para 17 meses. Em Porto Alegre, de 9 para 11 meses. Em Salvador, de 10 para 16 meses e, em São Paulo, de 8 para 12 meses.
Cargos piores
São considerados em situações vulneráveis de trabalho os assalariados sem carteira assinada, os autônomos para o público, os trabalhadores familiares não-remunerados e os empregados domésticos.
O percentual de negros que se enquadram nesta situação de trabalho vulnerável é bem maior do que o de não-negros, o que indica uma menor qualidade dos postos de trabalho ocupados pela população negra.
Em Belo Horizonte 38,3% dos negros empregados se encontram em postos de trabalho desta natureza. No Distrito Federal, 32,3%. Em Porto Alegre, 36,4%. Em Recife, Salvador e São Paulo mais de 40%.
O Dia da Consciência Negra
No Brasil, segundo país do mundo a ter a maior concentração de negros, perdendo apenas para a Nigéria, a população negra vive em condições precárias.
A população negra brasileira, devido à sua condição histórica, concretiza todos os índices de precariedade em todos os aspectos sociais e econômicos, sendo que os trabalhadores negros são o setor mais explorado e oprimido da sociedade.
Assim, o Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro, data em que morreu o grande líder da resistência negra, Zumbi dos Palmares, deve ser um dia de resgate da cultura negra e de mobilização efetiva por reivindicações de igualdade de condições no mercado de trabalho, de melhores salários, acesso ao ensino superior de qualidade e de condições de vidas dignas.
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