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O
assassinato do dentista Flávio Ferreira
O aparelho repressivo do Estado contra o negro, a classe
trabalhadora e a juventude
28
de fevereiro de 2004
O caso do
assassinato do dentista Flávio Ferreira Santana, 28, negro, na
Zona Norte da cidade de São Paulo, no último dia 3, por
policiais militares não é caso isolado, apesar de ter tido
maior destaque na imprensa. A morte sumária de negros, em bairros
pobres e periféricos das cidades grandes principalmente, e a humilhação
em todos os níveis contra o negro pelo sistema policial e jurídico
é algo flagrante e de conhecimento de toda população
negra e pobre em geral.
A cobertura dos meios de comunicação da burguesia, no entanto,
em sua maioria, e de forma unânime pela, utiliza todo o tipo de
manobras manobras para desviar os fatos de seu real caráter ou
simplesmente para não difundir a realidade sobre a violência
contra o negro.
A grande imprensa toma esta violência como atitude isolada de um
grupelho dentro de uma instituição militar honesta, que
age em defesa da segurança da população e isenta
da culpabilidade do assassinato tentando desviar todas as conclusões
da questão racial no crime. Mas a forma como Flávio foi
abordado e morto por policiais que desceram do carro e atiraram indiscriminadamente,
por ser negro e a tentativa de forjar o crime acusando a vítima
de reagir é uma prática já comum da Polícia
Militar. A testemunha no caso foi o comerciante que havia sido assaltado
e que acompanhou as cenas de crime bárbaro. A ação
foi automática e sem hesitação por parte dos seis
policiais, um consenso entre eles, portanto prática corriqueira
e metódica.
a imprensa capitalista mostrou-se chocada pelo fato de os policiais terem
colocado a arma nas mãos do dentista para forjar um caso de legítima
defesa. No entanto, se a vítima do assissanto e da fraude fosse
um jovem negro que fosse pobre ou apenas tivesse cometido um delito menor,
a notícia nunca existiria.
Mesmo no caso do dentista, as notícias deram lugar a alguma matérias
e saíram de circulação, ao contrário do que
acontece quando a imprensa capitalista está empenhada em suas campanhas
de defesa da pena de morte para os pobres ou de redução
da maioridade penal para reprimir mais duramente as crianças pobres,
quando as notícias ficam em circulação durante meses
seguidos.
Violência
policial cresce 60% em um ano
Conhecido
como "resistência seguida de morte", esse tipo de caso
deixou 868 pessoas mortas por PMs, no ano passado, apenas no Estado de
São Paulo. O número é 60% maior que o de 2002. Isso
apenas demonstra que esta corporação, controlada pelo Estado
e de forma alguma ligada à população é, na
verdade, está voltada para a repressão indiscriminada contra
a população explorada e, de forma, alguma para o combate
à criminalidade. A violência policial tem crescido de forma
alarmante e descontrolada. Com o caso do dentista paulistano os casos
divulgados nos principais jornais do País chegam em uma semana
a no mínimo 10 civis mortos por policiais, sete feridos, e 11 policiais
presos, quatro deles por esquemas corruptos flagrantes, sete por assassinato
e um por tráfico de drogas, apreendido com sete quilos de cocaína
na zona Norte do Rio. Estes números não são, de longe,
números reais. Carnificina e fraude policial ocorrem impunemente.
Os casos divulgados são, na verdade, estes sim, isolados.
A maior
quadrilha organizada
A ingerência
da PM se constitui não como forma de separá-la do regime
burguês, mas como arma principal deste regime em decomposição
para exercer controle violento acima da situação de crise
social, desde sempre em ascensão, nos moldes do capitalismo. É,
portanto, a única forma de uni-la ao Estado burguês para
que esta siga à risca a função de arma da burguesia.
A ingerência se constitui em uma liberdade de ação,
à ampla corrupção e à ação violenta
sem medidas por verdadeiras quadrilhas fascistas uniformizadas, até
certo limite sem interferência alguma da burocracia judicial.
Quando falamos de homens armados para conter a podridão do crime
na sociedade em profunda crise falamos da polícia que se junta
aos maiores esquemas agentes desta podridão. E isto porque a solução
da extrema violência das grandes metrópoles e do campo não
é função da polícia e foge totalmente de seu
controle. Sua função sempre foi conter à força
uma onda de convulsão social que se torna muito mais forte e que
só pode ser contornada por uma profunda mudança do regime,
uma revolução política e econômica que liquide
o mal pela raiz, ou seja, o capitalismo, que atenda às necessidades
da classe trabalhadora e da população esfolada pela situação
de escassez no capitalismo. Os governos burgueses têm a PM e os
aparatos de repressão em suas mãos como aparelho de defesa
para lutar diretamente contra a mobilização da classe trabalhadora,
como vemos nas greves. Este aparelho corrompido e assassino só
funciona agasalhado pelo regime que é corrupto em sua essência.
Para isso é isento da punição na prática e
lhe é dada autoridade por leis de exceção que garantem
ao sistema policial uma inviolabilidade especial.
Dissolução
da PM e punição de todos os envolvidos nos massacres contra
a população
Para atender
aos interesses da população é necessário o
controle popular da segurança. O fim da opressão da população
trabalhadora e da juventude das periferias, em sua maioria negra só
pode se dar pela mobilização pela punição
de todos os envolvidos nos massacres contra a população
e.pela dissolução das PM's e de todos os corpos repressivos
e pela criação de polícias estritamente municipais
sob o direto controle da população, para que sejam milícias
eleitas e organizadas pelo povo que façam parte da própria
comunidade.
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