Educação
Negros têm a menor nota no Enem

Sem possibilidades de ingressar nas universidades públicas, e muito menos nas privadas, os jovens negros sofrem todas as conseqüências da política burguesa do governo Lula

29 de agosto de 2004

Em uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, foi apontada a participação dos negros na sexta edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), onde 41% dos negros realizaram o exame, em 2003.
Baseando-se no questionário sócio-econômico que cada participante deve preencher para realizar a prova, a grande maioria dos negros vêm de famílias pobres, com pais de escolaridade baixa e sem o acesso à cultura, resultando no desempenho mais baixo da média geral do exame.
O desempenho dos alunos que realizaram o exame foi analisado a partir de uma escala de 0 a 100 pontos. Com base nestes resultados, comparou-se a situação sócio-econômica respondida no questionário de todos os participantes.
Em relação à média geral para a prova objetiva, o resultado foi de 49,55 pontos, no entanto, negros e pardos atingiram 45,5 pontos.
Dos que tiveram um desempenho considerado entre bom e excelente, apenas 15% dos estudantes atingiram esta meta enquanto que entre os negros e pardos, somente 9% obtiveram o nível máximo.
Segundo o perfil sócio-econômico, entre os estudantes negros e pardos, 81% têm uma renda familiar de até 5 salários mínimos, 81% não fizeram curso de idioma, 43% não têm formação em informática e 32% trabalham durante todo o dia.
A sétima edição do Enem, criada em 1998, será realizada em 608 municípios do país. Até o ano passado o Ministério da Educação propôs a extinção do exame, pois foi constatado que a prova não atingiu seu objetivo, que visava aumentar o ingresso de alunos nas universidades públicas.
No entanto, o ministro da Educação, Tarso Genro, colocou a possibilidade de tornar o exame obrigatório, fazendo parte do pacote da reforma universitária.
Apesar do Enem ter validade em 455 universidades, 17,5% em relação ao ano passado deixaram de fazer o exame, sendo 300 mil inscrições a menos. Em 2003 o número de inscrições foi de 1,8 milhão de alunos enquanto que hoje 1,5 milhão estão inscritos.
A imensa maioria da juventude negra não tem condições de dedicar-se aos estudos por ter que entrar no mercado de trabalho desde cedo para ajudar no orçamento familiar, além de não ter o acesso à cultura e a escolas de qualidade.
O ensino público, totalmente sucateado, não dá a mínima base para o negro pobre e sem instrução suficiente prestar um vestibular.
A política educacional está completamente voltada à iniciativa privada, refletindo na eliminação do acesso à educação pela população pobre e trabalhadora, representada em sua grande maioria pela população negra.